Agrônomo estuda homeopatia na Esalq

Cristiane Sanches

O engenheiro agrônomo Fabrício Rossi, de Piracicaba, é o autor da primeira dissertação de mestrado da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) a abordar o uso da homeopatia no cultivo de vegetais. Intitulada “Aplicação de preparados homeopáticos em morango e alface visando o cultivo com base agroecológica”, a dissertação foi apresentada e aprovada em 1º de dezembro do ano passado. Rossi está entre os cerca de 15 agrônomos brasileiros a pesquisar homeopatia aplicada aos vegetais, a maioria deles em São Paulo e Minas Gerais.

Segundo ele, as primeiras pesquisas na área em nível mundial começaram na década de 70, principalmente na Índia. “Em 1996, o professor Vicente Wagner Dias Casali, da Universidade Federal de Viçosa (MG), iniciou as pesquisas com vegetais no Brasil”, explica. Casali e o professor Edmilson José Ambrosano foram seus co-orientadores no trabalho de mestrado, ao lado do professor Paulo César Tavares de Melo, da Esalq. Sem perder tempo e cada vez mais empenhado no desenvolvimento das pesquisas, Rossi já está cursando o doutorado e trabalha na seleção de cultivares de batata orgânica e aplicação de preparados homeopáticos.

Homeopatia é uma palavra de origem grega que quer dizer “doença semelhante”. Desenvolvida pelo médico alemão Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843), “é uma ciência que pode ser aplicada a todos os seres vivos, sejam seres humanos, animais domésticos ou silvestres, vegetais ou microorganismos”, explica Rossi. Ele comenta que a aplicação da homeopatia na agricultura no Brasil foi legalizada pela instrução normativa nº 07 de 17 de maio de 1999, do Ministério da Agricultura.

Se as pesquisas na área da homeopatia aplicada aos vegetais são ainda embrionárias no país, Piracicaba pode ser considerada um de seus “úteros”. Fundado na cidade em 2003, o Cesaho (Centro de Estudos Avançados em Homeopatia) se dedica ao ensino e à pesquisa, reunindo grupos de médicos, veterinários e agrônomos – inclusive de outras cidades e estados – que se encontram mensalmente para discutir seus trabalhos e experimentos na área. O veterinário Antonio de Oliveira Lobão, coordenador geral do Cesaho, explica que a instituição adota a chamada “linha unicista”, ou seja, busca tratar o indivíduo como um todo e não apenas os sintomas de suas eventuais enfermidades. Segundo ele, a aplicação da homeopatia nos vegetais é mais complicada porque as plantas não se expressam como os humanos e até mesmo os animais. “Por isso, exige constante estudo e atualização”, pondera.

A pesquisadora do Instituto Biológico, Palmira Rolim – que coordena o grupo de engenharia agronômica e florestal do Cesaho -, afirma que a homeopatia pode ser usada tanto no sistema convencional de cultivo como no orgânico. “O controle de pragas e doenças é o ponto mais fácil para se medir os efeitos da homeopatia na agricultura. As ferramentas para avaliar esses efeitos são mais conhecidas dos pesquisadores”, enfatiza. Por isso, Rossi e seu grupo do Cesaho acreditam que as pesquisas com vegetais deverão contribuir para a consolidação da homeopatia, uma ciência que ainda desperta polêmica e discussões apaixonadas entre adeptos e antagonistas dessa prática.

No momento, os agrônomos do Cesaho estão trabalhando na elaboração de um projeto que visa a utilização da homeopatia no auxílio à transição do sistema convencional de cultivo para o sistema orgânico. “O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) – órgão de fomento à pesquisa – liberou recentemente, pela primeira vez, recursos para quatro pesquisas de homeopatia aplicada a vegetais”, comenta Rossi.

Ele salienta que o uso da homeopatia na agricultura beneficia, principalmente, aos pequenos produtores. “Eles são liberados de processos caríssimos quando adotam a homeopatia. Para se ter uma idéia, com cerca de R$ 10 é possível obter 2.000 litros de preparado homeopático para se aplicar numa lavoura de 10 hectares”, revela. No sistema convencional, essa despesa pode custar dezenas de vezes mais. Rossi explica que os preparados homeopáticos demonstram potencial de interagir com o metabolismo construtivo do solo, podendo interferir nos processos de mobilização e de imobilização de nutrientes, na eficiência microbiana, na dinâmica da água e na estruturação física do solo. “A homeopatia pode atuar, ainda, na desintoxicação das plantas e estimulação da resistência contra pragas e doenças”, conclui.

Fonte: http://www.jpjornal.com.br

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