Meditar faz bem ao coração

Pesquisas mostram que a meditação ajuda no tratamento das doenças cardíacas

Cilene Pereira

A meditação – técnica cujo objetivo é interromper o fluxo de pensamentos na mente – está se tornando uma aliada cada vez mais forte no tratamento das doenças do coração. Diversos estudos apontam neste sentido. Um dos mais recentes foi realizado pela Universidade da Pensilvânia (EUA) com portadores de insuficiência cardíaca: incapacidade de o coração bombear sangue para o resto do corpo.

Foram selecionados 23 pacientes recém-hospitalizados. Eles foram divididos em dois grupos. O primeiro foi orientado a praticar a meditação todos os dias, durante 20 minutos, enquanto o segundo recebeu o suporte de informações médicas a respeito da doença. O experimento durou seis meses e neste período todos os pacientes continuaram a tomar seus medicamentos convencionais.

Aqueles que praticaram a meditação tiveram melhor desempenho nos testes efetuados três e seis meses após o início da pesquisa. Eles demonstraram maior condicionamento físico e apresentaram menores índices de depressão, febre e hospitalização. “A meditação pode ser um complemento eficaz para melhorar a qualidade de vida do paciente”, diz o médico Ravishankar Jayadevappa, coordenador do trabalho.

Outro estudo, feito na Universidade Maharishi (EUA), concluiu que essa prática auxilia na redução da pressão arterial. De acordo com a pesquisa, realizada com 150 pacientes acompanhados durante um ano, o grupo que meditou obteve melhor controle da pressão e precisou de menos remédios comparados aos pacientes que se submeteram a exercícios de relaxamento ou aos que só receberam informações de saúde.

Diante de conclusões como essas, há um esforço para entender os mecanismos que explicariam os benefícios. Por enquanto, existem algumas hipóteses. Uma delas é resultado de um estudo conduzido no Cedars-Sinai Research Institute (EUA). Ele indicou que a meditação atuaria no sistema nervoso, ajudando a regular a resposta do organismo ao stress, conhecido fator de risco para o coração. Em outra pesquisa, cientistas da Universidade de Harvard descobriram que a prática está associado ao aumento de óxido nítrico no sangue – a substância é vasodilatadora e quando em maior concentração facilita o fluxo sangüíneo, diminuindo a pressão arterial.

No Brasil, esse método ganha espaço. A advogada Maria Rita Paes de Almeida, 48 anos, o pratica há cinco anos. Freqüentadora do Centro Integrado de Ioga, Meditação e Ayurveda (medicina indiana) Ciymam, em São Paulo, ela acredita que isso a auxilia a controlar a pressão. “Ela me acalma”, diz. A meditação também é adotada em dois hospitais e 42 postos municipais de saúde de São Paulo. “É uma maneira de tratar doenças enxergando o indivíduo de forma mais ampla”, explica a médica Tazue Branquinho, coordenadora do programa de Medicina Tradicional e Práticas Integrativas em Saúde, de São Paulo.

É importante salientar que se trata de um método complementar. “É um recurso coadjuvante. Os pacientes não podem abandonar as recomendações médicas”, esclarece o médico Hilton Chaves, secretário da Sociedade Brasileira de Hipertensão.

Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1970/artigo57132-1.htm

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