Cocaína, hormônios e temperos são encontrados na água potável

Você acha que quando toma aquele saudável copo de água você está tomando apenas o líquido? Pois saiba que uma equipe de pesquisadores da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, descobriu que a água tratada que usamos no dia-a-dia tem inúmeros componentes “extras”.

O professor Richard Keil e sua equipe fazem parte do programa Sound Citizen (“Cidadão Sadio”, em tradução livre), que investiga a qualidade da água e a influência que ela sofre com as ações dos humanos em terra. Segundo o pesquisador, além de várias substâncias estranhas encontradas na água, os feriados e costumes estadunidenses têm uma bizarra influência sobre que sabores a água carrega.

Durante o inverno, por exemplo, a canela é encontrada mais facilmente, enquanto o chocolate e a baunilha são mais presentes durante os fins de semana. Durante o feriado de Ação de Graças, o tomilho, que é tempero tradicional para as comidas servidas neste dia, fica mais evidente.

Além de traços de todos estes alimentos, outros estudos também encontram quantidades enormes de várias outras substâncias, saindo do básico açúcar e temperos. Cientistas já encontraram heroína, hormônios de controle de natalidade e combustíveis utilizados em foguetes.

Segundo Keil, as águas próximas a Washington são dominadas pela essência de baunilha: a substância é encontrada em quantidades de quase 6 miligramas por litro de água. Os esgotos da cidade, por sua vez, têm 14 miligramas de baunilha. Porém, de acordo com o pesquisador, não é possível saber se esses intrusos encontrados na água façam mal, mas sua equipe irá iniciar uma pesquisa para analisar as consequências das substâncias sobre a reprodução dos polvos na área da cidade.

Drogas na água

A água que utilizamos no dia-a-dia pode também conter traços de substâncias ilegais: drogas como cocaína, heroína, maconha e ecstasy liberam seus princípios ativos no esgoto através das fezes e da urina dos usuários. Estes subprodutos das drogas não são completamente removidos durante o sistema de limpeza da água, e acabam sendo repassados na água potável.

A pesquisadora Sara Castiglioni, do Instituto de Pesquisa Farmacológica de Milão, na Itália, realizou um estudo em que descobriu que as drogas ilegais se tornaram um invasor generalizado nas águas superficiais de grande parte da Europa. Em 2008, um estudo descobriu subprodutos de cocaína em 22 de 24 amostras de água em uma estação de tratamento na Espanha – apesar do processo rigoroso de limpeza da água. Embora as quantidades de drogas encontradas sejam pequenas, é possível que elas possam ser tóxicas para animais aquáticos, além de um risco à saúde humana.

Medicamentos

Só agora os cientistas começam a criar uma noção clara de como medicamentos e produtos como morfina, perfumes e bloqueadores solares afetam as águas em todo o mundo. Por exemplo, uma pesquisa recente revelou que 20 quilos de medicamentos legais correm pelo rio Pó, o maior da Itália. Assim como as drogas ilegais, os medicamentos não são completamente filtrados pelo sistema de tratamento tradicional.

Estes produtos são encontrados nas águas de todo o mundo, mas não há evidências dos efeitos que podem ter sobre os humanos, de acordo com a Agência de Proteção Ambiental (APA) dos Estados Unidos.

Alguns medicamentos hormonais, como pílulas anticoncepcionais, podem afetar o sistema regulador de hormônio de animais marinhos. Alguns peixes dos Estados Unidos estão desenvolvendo órgãos femininos devido à exposição excessiva ao hormônio estrogênio. Para impedir que problemas como este continuem acontecendo, especialistas sugerem a criação de farmácias ecológicas, que permitiriam que o consumidor devolvesse medicamentos vencidos, por exemplo, em vez de jogá-los fora ou descartá-los na privada.

Contaminações

Para que a água seja considerada potável, mais de 90 possíveis contaminadores têm que ser filtrados. Vírus e outros microorganismos são retirados, assim como substâncias perigosas como o chumbo, cianeto, cobre e o mercúrio. Resíduos de fertilizantes, como nitratos e nitritos, também são removidos da água.

Além das substâncias que já são retiradas, especialistas acreditam que outras também precisam receber cuidados especiais. O perclorato, utilizado em fogos de artifício e combustíveis de foguetes, é um desses. De acordo com Cynthia Dougherty, diretora da APA, a substância já é encontrada em 4% da água potável dos Estados Unidos, e pode, em doses altas, causar a redução dos níveis de absorção de iodo pela tireóide. Em longo prazo, o perclorato pode causar hipotireoidismo.

Dougherty aponta que a água potável não deve conter quaisquer substâncias que ofereçam riscos às pessoas. “Se você entende bem qual é a fonte da sua água e o que pode acontecer com ela, você pode se tornar um cidadão mais educado e engajado para cuidar do ambiente”, diz.

http://hypescience.com

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