Máquina caseira contra o câncer parece promissora

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John Kanzius não tinha uma formação em medicina ou ciência, e nem foi à universidade. Mesmo assim, quando teve que encarar uma forma letal de leucemia, ele criou uma máquina caseira para o que ele acreditava ser uma cura para câncer.

Utilizando as formas de torta de sua esposa e equipamentos de emissão de ondas de rádio, o seu objeto de trabalho, Kanzius construiu uma máquina na sua garagem. A sua esperança era que sua criação pudesse acabar com as células cancerosas sem os terríveis efeitos colaterais da quimioterapia e da radioterapia convencional.

Ele foi diagnosticado com leucemia em 2002 e perdeu a luta contra o câncer em 18 de fevereiro de 2009, mas neste tempo, em vez de se contentar com o tratamento que recebia, Kanzius quis criar algo novo. Depois de mais de 30 sessões de quimioterapia, Kanzius afirmava que a doença estava destruindo a sua mente e seu corpo. “Eu achava que ninguém poderia estar tão mal e ainda vivo”, disse ele em uma ocasião.

Foi então que ele resolveu experimentar sozinho a maquina que havia construído. Em agosto de 2008, Kanzius já havia utilizado o seu tratamento alternativo nove vezes, e seus exames tinham melhorado durante aquele período. “Estou de férias do câncer agora. Não sei se será uma saída permanente, mas agora estou livre”·

A máquina de Kanzius

O seu tipo de câncer, extremamente difícil de tratar, foi o que deu ânimo para que Kanzius criasse a sua máquina. A sua ideia era que as ondas de rádio, transmitidas através de um pequeno campo magnético, criassem energia suficiente para acender uma lâmpada fluorescente, por exemplo. Essas ondas de rádio, que ele insistia que eram inofensivas, têm a capacidade de aquecer metal.

Foi então que ele pensou que, se injetasse algum tipo de metal nas suas células cancerosas, ele poderia esquentar e matar essas células com as ondas de rádio. A primeira experiência de Kanzius foi com uma salsicha de cachorro-quente. A “cobaia” recebeu uma injeção de metais e depois uma sessão na máquina de Kanzius. Quando a máquina foi usada, a temperatura aumentou apenas no local onde o metal tinha sido injetado.

A criação intrigou Steven Curley, cirurgião especializado em câncer de fígado do Instituto de Câncer em Houston, nos Estados Unidos. Curley achou que a ideia de Kanzius tinha tanto potencial que começou a utilizá-la para fazer pesquisas próprias, utilizando nanopartículas de ouro que eram atraídas pelas células cancerosas.

Kanzius, entretanto, não queria ter que esperar por todas as aprovações formais e testes clínicos com sua máquina, que poderiam demorar anos. Assim, ele começou a testar a máquina sozinho, sem contar ao médico. Neste caso, ele fazia os experimentos sem injetar nenhum tipo de metal em seu corpo. Kanzius tinha uma teoria – não comprovada – que as células de leucemia atraem as ondas de rádio naturalmente.

Para verificar se a sua sensação de melhora era verdadeira, ele realizava testes sanguíneos após as sessões na sua máquina. O patologista Peter Depowski comparou os resultados dos exames de Kanzius de antes e depois de usar a máquina. Ele afirma que, na comparação, os exames se aproximam cada vez mais daqueles de uma pessoa saudável.

Mas isso significa que a máquina funcionou? Depowski afirma que não: apesar da euforia do paciente, os nódulos linfáticos do seu estômago estavam cheios de células cancerosas. Além disso, Curley afirma que a melhoria do paciente poderia estar relacionada ao fato que ele tinha parado de fazer sessões de quimioterapia há alguns meses, o tempo que o corpo leva para se recuperar e voltar a um estado normal e saudável.

O médico acredita que o tratamento caseiro feito por Kanzius, sem a injeção de metal nas células da leucemia, não teve o efeito esperado pelo paciente.

Quando voltou a fazer quimioterapia para tratar as células cancerosas no seu estômago, Kanzius resolveu utilizar a sua máquina junto com o tratamento convencional. Uma semana depois, John foi internado com 40° de febre, e seu corpo começou a parar de funcionar. Curley afirma, entretanto, que foi a doença e a quimioterapia que desabilitaram o corpo de Kanzius, e não o seu tratamento por conta própria.

Quando teve uma melhora significativa, ele foi encaminhado para fazer uma tomografia, que mostrou que as células do seu estômago continuavam praticamente iguais, independente do ataque duplo contra a doença. Algumas semanas depois, exames mostraram que a medula óssea de Kanzius estava tomada por células cancerosas, e ele morreu alguns meses depois.

O legado

Desde a morte de seu marido, Marianne Kanzius continua a levar para a frente o seu projeto, tentando arrecadar dinheiro para realizar a pesquisa.

Curley afirma que, em John, a máquina não teve nenhum efeito, maléfico ou benéfico. Ele afirma, entretanto, que a ideia inicial de injetar as células cancerosas com nanopartículas metálicas e “queimá-las” com as ondas de rádio está sendo desenvolvida. “Esta é a ideia mais animadora que vi em 20 anos de pesquisa com câncer”, afirma o médico. “Isso não mudou”, diz.

O pesquisador agora conseguiu financiamento e um laboratório de última geração para colocar em prática ao menos 15 projetos diferentes, todos ligados à ideia inicial de Kanzius. Curley firma que seu objetivo principal é tratar o câncer em estágio de metástase, quando a doença já se espalhou pelo corpo inteiro. Para fazer isso, ele vem trabalhando em moléculas especiais, que conseguem identificar células cancerosas e ligá-las a nanopartículas metálicas.

Os primeiros testes com esta técnica estão sendo realizados com células de cânceres de fígado e pâncreas, com resultados preliminares animadores. Curley ainda lembra que estes são alguns dos tipos da doença mais difíceis de serem tratados, mas que os testes ainda serão feitos com câncer de mama, próstata, leucemia e linfomas, por exemplo.

O médico afirma ter prometido a Kanzius que realizaria a pesquisa e faria testes em humanos, mas ele diz que testes deste tipo só poderão ser feitos em dois ou três anos, na melhor das hipóteses.

Embora animado com o possível tratamento, Curley é muito cuidadoso ao dizer que a técnica poderia ser uma cura para o câncer. “John me deixava muito nervoso quando dizia ter encontrado uma cura para o câncer”, explica o pesquisador. “Eu afirmo sem rodeios: não sei se encontraremos uma cura, mas acho que teremos um tratamento eficiente”, diz. Curley ainda completa: “Espero que seja um tratamento minimamente tóxico para os pacientes, diferente dos tratamentos que temos atualmente”.

Para conferir detalhes sobre a história de Kanzius e a evolução dos testes com a sua máquina, confira uma reportagem televisiva sobre o tema – em inglês – abaixo.

http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=5394576n&tag=api

http://hypescience.com

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