Campos eletromagnéticos na medicina

20.03.2006 ]

José de Felippe Junior

Os campos eletromagnéticos podem provocar doenças ou de acordo com a sua intensidade e freqüência pode também curá-las.

Trabalhos indexados e de bom nível conseguiram demonstrar o aumento da prevalência de leucemia em crianças que moravam perto de cabos de alta tensão. Outros mostraram aumento de linfomas e outros tipos de neoplasias malignas em adultos submetidos a campos eletromagnéticos gerados por: transformadores, estações de radar e fios de alta tensão. Não sabemos com certeza se as torres de retransmissão da telefonia celular podem provocar câncer, porem alguns pesquisadores têm demonstrado que elas podem provocar em certas pessoas: mal estar geral, dores de cabeça, nervosismo exagerado, insônia, depressão, angustia, diminuição da memória e da concentração, fraqueza, indisposição geral e vários sintomas que embora pequenos são desagradáveis.

Por outro lado vários aparelhos geradores de campo eletromagnético estão em uso com finalidade terapêutica e mostrando excelentes resultados.

O bioeletromagnetismo surgiu após a descoberta da indução eletromagnética por Michael Faraday no final de 1700. Logo após vieram os famosos experimentos do físico e médico italiano Luigi Galvani, que mostrou em patas de sapo, a conecção entre eletricidade e contração muscular. Depois veio Alessandro Volta outro físico italiano que interpreta os experimentos de Galvani de maneira diferente. São os eletrodos metálicos e não o tecido muscular o gerador de corrente elétrica. Polêmica vigorosa e ferrenha entre os dois, para sabermos hoje em dia que ambos tinham sua parcela de razão: o músculo gera eletricidade (Galvani) e o metal também (pilha de Volta).

Desta época em diante, surgiram vários tipos de aparelhos para o diagnóstico e tratamento de doenças, iniciando-se com os geradores de eletricidade estática, passando-se para os de corrente elétrica alternada ou contínua e finalmente chegando àqueles que exploram a enorme gama de freqüências do espectro eletromagnético (EM).

Os aparelhos mais eficazes foram aqueles que se concentraram na porção não ionizante do espectro EM, particularmente a baixos níveis de energia. As aplicações médicas do bioeletromagnetismo não ionizante são classificadas em térmicas (produzem calor no tecido biológico) e não térmicas. As aplicações térmicas incluem a hipertermia por radio freqüência (RF), a cirurgia a laser, a cirurgia por RF e a diatermia por RF.

Na medicina a modalidade não ionizante mais importante é a não térmica. Aqui devemos prestar atenção a dois significados das palavras “não térmico”: o biológico e o físico. Biologicamente , isto é para os médicos, não térmico significa que “não está ocorrendo aumento da temperatura do tecido” e fisicamente (científicamente) significa “ abaixo do limite de ruído térmico a temperaturas fisiológicas” . O nível de energia do ruído térmico é muito menor que o requerido para aquecer o tecido.

Para caracterizar um determinado campo eletromagnético nós devemos conhecer os parâmetros descritos no quadro 1

Quadro 1: Parâmetros que caracterizam os campos eletromagnéticos

1-Potência
2-Voltagem
3-Corrente
4-Freqüência
5-Fase
6-Pulsátil ou não pulsátil
7-Tipo de onda : sinusoidal , quadrática, etc
Acresce: a-tempo de exposição
b-local da exposição

As principais aplicações médicas dos campos eletromagnéticos não ionizantes e não térmicos são enumeradas no quadro 2.

Quadro 2 : Principais aplicações médicas dos campos eletromagnéticos não ionizantes e não térmicos

1. Câncer
2. Osteoartrite
3. Depressão
4. Regeneração de tecidos
5. Cicatrização de feridas
6. Estimulação do sistema imune
7. Modulação neuro endócrina
8. Condições degenerativas associadas à idade
9. Não união de fraturas, osteonecrose
10. Dor intratável
11. Estados psico fisiológicos (epilepsia e dependência de drogas)
12. Paralisia cerebral (redução da espasticidade)
13. Lesão da medula espinhal
14. Doença de Parkinson
15. Dificuldade de aprendizado
16. Estimulação nervosa
17. Infecções crônicas
18. Osteoporose
19. Pseudoartrose congênita
20. Aumento da síntese de neuro transmissores

Quando expostas a campos eletromagnéticos de extrema baixa freqüência (0 a 100 Hz) as células sofrem alterações específicas desde mudanças de fluxo iônico trans membrana até o aumento da síntese de DNA e o aumento da transcrição de RNA. (Goodman 1989)

Os campos eletromagnéticos pulsáteis de extrema baixa freqüência (PEMF–ELF) interferem em vários processos biológicos, como regeneração de membros em anfíbios, reparação de fraturas em coelhos e regeneração hepática em ratos. Nas células eles são capazes de modificar a transcrição e a diferenciação, a síntese de proteínas especializadas, a resposta a hormônios, a liberação de neurotransmissores, o crescimento e também a síntese de DNA de algumas células como condrócitos de galinha e carcinoma embrionário de rato.

Os PEMF-ELF in vitro são capazes de aumentar o crescimento de células endoteliais e a angiogênese e aumentar a atividade tumoricída das células de Kupffer do fígado.

Yen – Patton em 1988, revelou de uma maneira muito elegante que os PEMF – ELF estimulam a velocidade de crescimento e a angiogênese. Tal campo foi capaz de aumentar em 20 a 40% a velocidade de crescimento da célula endotelial em região desnuda. Fora do campo as células apresentavam forma cuboidal e dentro dele as células endoteliais se alongavam e freqüentemente se conectavam pelas extremidades formando um broto. Com a manutenção do campo as células se reorganizavam em uma estrutura tridimensional e começavam a formar neo vasos, de modo semelhante à angiogênese in vivo. Realmente algo de espetacular: o aparecimento de uma microcirculação ‘in vitro”. São células que receberam não somente os nutrientes essenciais à vida, mas principalmente tais células receberam um campo informacional.

Francheschi em 1987 mostrou que os PEMF-ELF em linfócitos de doadores idosos, expressam um número aumentado de receptores IL-2 e também tal exposição aumenta a utilização da IL-2.

Cossarizza em 1989, mostrou que a aplicação de campos eletromagnéticos pulsáteis de extrema baixa freqüência são capazes de aumentar a proliferação de linfócitos de idosos, quando submetidos a estimulo pela fitohemaglutinina (PHA). É surpreendente que linfócitos de idosos, os quais possuem habilidade reduzida de proliferação, consigam após exposição aos PEMF, níveis de incorporação de timidina H3 semelhantes às culturas de linfócitos jovens não expostos ao campo. Este aspecto do problema, nos mostra que no envelhecimento as células necessitam de informação, não somente de nutrientes.

Também em 1989, Cossarizza mostrou que os PEMF-ELF não provocam efeitos colaterais pois não conseguem interferir com a capacidade de reparação do DNA humano lesado por radiação gama ou por agentes químicos antiproliferativos.

Há muito tempo na Rússia é empregada a terapia por ressonância de microondas, que é não ionizante e fisicamente não térmica. Utilizam baixa intensidade (contínua ou modulada por pulsos) e com onda sinusoidal e eles têm obtido muito sucesso no tratamento da artrite, esofagite, úlceras, hipertensão arterial, dor crônica, paralisia cerebral (redução das contraturas musculares), algumas alterações neurológicas e para diminuir os efeitos colaterais da quimioterapia no câncer. Na Rússia muitas pessoas são tratadas com microondas de baixa energia nos pontos de acupuntura.

Acredita-se que a terapêutica por ressonância de microondas envolva modificações no transporte de membrana celular ou a produção de mediadores químicos, porém qual seria o mecanismo de ação?

Mecanismo de Ação

Primeiro:

Segundo o engenheiro argentino Carlos Belohlavec, o campo produzido pelos aparelhos pode crear (é mesmo crear e não criar, como por ex. criar galinhas) uma onda guia, como descreveu De Broglie, onda guia esta gerada no espaço vazio dos átomos e capaz de reorganizar o “spin” dos elétrons. A organização do spin das partículas atômicas agrega e ordena as funções do conjunto e assim facilita a separação ou a união de moléculas incompletas, aumenta a reparação do DNA, estimula os processos de reorganização e reparação celular, em uma palavra, facilita a expressão gênica. As sucessivas exposições ao campo gerado provocam mudanças na escala atômica que acabam por se expressar na escala biológica, aparecendo clinicamente como modificação da estrutura da matéria. Esta onda guia no vazio dos átomos, efeito túnel, parece ser o meio primordial de comunicação, de informação que a natureza viva possui e cuja finalidade é a construção e a reparação da própria natureza. Resta a questão: a baixa potência destes campos eletromagnéticos teria energia suficiente para alterar a configuração do “spin” dos elétrons?

Segundo:

Para Goodman, os campos empregados são muito fracos para agir através de mecanismos físicos conhecidos como, calor, quebra dielétrica, deslocamento de partículas ou eletroforese. Para ele é pouco provável que o mecanismo de ação seja derivado de alterações do potencial trans membrana uma vez que o potencial dos sinais são muito inferiores aos potenciais da membrana celular. Alguns especulam alguma forma de acoplamento ou ressonância ou outro tipo de interação com processos endógenos.

Terceiro:

Matzke, mostrou através da expressão gênica de eucariócitos que o campo elétrico da periferia do núcleo da célula controla as interações macro moleculares.

Quarto:

Adey mostrou que a interação entre energia eletromagnética e os receptores de glicoproteina na superfície da membrana celular provoca transdução de sinais.

Quinto:

Liboff e colaboradores propuseram o modelo “ciclotron” de ressonância baseados nos dados experimentais de Blackman. Este último encontrou aumento do efluxo de cálcio no cérebro de galinha exposto a campos elétricos e magnéticos fracos. O modelo propõe que os íons se movendo pelos canais helicoidais da membrana na presença de um campo magnético estático, exibem uma freqüência peculiar de ressonância. A energia seria assim transferida de um campo eletromagnético oscilante para um sistema molecular.

Em outras palavras: o modelo ciclotron de ressonância pode ser produzido toda vez que houver um campo magnético em “steady state” combinado com um campo elétrico ou magnético oscilante, agindo em uma partícula. Tal modelo permite campos eletromagnéticos de baixa força, agirem em conjunto com o campo geomagnético da Terra para produzirem efeitos biológicos, concentrando energia do campo em partículas específicas, tais como: cálcio, sódio, potássio e lítio. Quando a força do campo magnético em “steady state” é pequena, a freqüência do campo elétrico ou magnético necessário para produzir ressonância também é pequeno. Assim quando a força do campo magnético da Terra (0,2 a 0,6 Gauss) é colocada em jogo, as freqüências dos campos oscilantes necessários para provocar ressonância com ions biologicamente importantes caem via de regra na extrema baixa freqüência: ELF (0 a 100 Hz). Assim os ELF se tornam a parte mais significante do espectro eletromagnético do meio ambiente. Vamos dar um exemplo: se colocarmos um campo elétrico oscilante de 60 Hz (o mesmo da nossa corrente elétrica doméstica) em um local geográfico do nosso planeta onde o campo geomagnético é de 0,2 Gauss obtém-se a freqüência de ressonância do lítio. Ratos submetidos a este campo apresentam os mesmos efeitos da injeção da substância química lítio, isto é, diminuem a atividade e se tornam mais passivos e submissos (efeito calmante). Aqui um alerta: os aparelhos devem ser regulados de acordo com o local geográfico, se ele funciona na Alemanha não funcionará do mesmo modo no Brasil.

Sexto:

Quando nos lembramos do oscilador de múltiplas ondas de Lakhovsky provocando o desaparecimento de câncer maligno recidivado de pele sem deixar cicatrizes e também na mesma paciente de 80 anos fazendo desaparecer profundos sulcos do pescoço e face e melhorando nitidamente a textura da pele como se rejuvenescendo aquele tecido senil , temos que procurar saber qual o mecanismo de ação. Tudo se passa como se as freqüências múltiplas do campo eletromagnético gerado pelo aparelho “ensinasse” as células da pele a não mais continuarem produzindo células cancerosas voltando a se reproduzir da forma antiga que era a forma correta, sem câncer. Tal campo também consegue “ensinar” as células envelhecidas a funcionarem como antigamente voltando inclusive a fabricar novamente o tecido de sustentação do sistema retículo endotelial. Ensinar significa informar. As ondas informariam as células a se comportarem da maneira correta, do modo que elas foram creadas, da maneira que haviam se comportado na adolescência.

O aparelho de radio freqüência harmônica de Lakhovisky foi reconstruído na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Temos obtido diminuição de tumores metastáticos de fígado, de adenocarcinomas de mama, de tumores pulmonares (“oat cell”, carcinoma epidermóide ) e modulação do sistema glandular e imune. Observamos aumento dos linfócitos T e B, do CD4 e das células “natural killer”. O T4 livre aumenta, o TSH diminui e os anticorpos anti peroxidase e anti tiroglobulina também diminuem. O IGF-1 aumenta 20 a 30%, a testosterona se eleva e o PSA diminui.

Sétimo:

O campo eletromagnético pode ser Estático ou Oscilante

ESTÁTICO: produz polarização constante ou despolarização constante

OSCILANTE do Tipo I (Despolarização com queda do ATP intracelular):

Produz um movimento de íons intracelular que provoca uma diferença de potencial. Se esta diferença de potencial atingir 30 mV ela altera os canais iônicos da membrana celular. Se esta alteração aumentar a permeabilidade ao Na+, teremos despolarização celular.

Quanto maior a despolarização celular, menor a quantidade de ATP a célula produz, maior será a entropia e menor será a ordem-informação: DOENÇA

Se a despolarização atingir -15mV dispara a MITOSE: e aumenta o volume do câncer.

Este é o modo como aceitamos os efeitos maléficos de um determinado campo eletromagnético. O CEM oscilante do Tipo I, provoca diminuição da produção de ATP intracelular e a célula ou tecido atingido sofrem as conseqüências.

OSCILANTE do Tipo II (Polarização com aumento do ATP intracelular):

Produz um movimento de ions intracelular que provoca uma diferença de potencial. Se atingir 30mV ela altera os canais iônicos da membrana celular.

Se a alteração dos canais iônicos diminuir a permeabilidade ao Na+, teremos polarização da célula com aumento da negatividade do potencial trans membrana, aumento da produção de ATP, diminuição da entropia, aumento da ordem – informação: SAÚDE. Se a polarização atingir e se manter acima dos -15 Mv: cessa a MITOSE e diminui o volume do câncer.

O CEM oscilante do Tipo II, provoca aumento da produção de ATP intracelular e a célula ou tecido atingido melhoram a sua arquitetura e função.

Até hoje sempre pensávamos que as informações biológicas estivessem somente armazenadas nas estruturas moleculares. Pode ser que as informações estejam armazenadas em locais do organismo na forma de campos eletromagnéticos que podem ser usados na regulação biológica e na comunicação celular ou que as próprias ondas eletromagnéticas fazem com que as estruturas moleculares voltem novamente a funcionar corretamente.

Utilizando o aparelho denominado “SQUID” (superconducting quantum interference detecting magnetometer) vários cientistas detectaram e identificaram dentro de organismos vivos, depósitos de um material magnético denominado magnetita. Este mineral está presente no sistema nervoso central, na forma de unidades de cristais celulares ligados de uma maneira específica e sempre associados com abundantes conecções neurais. Recentemente este material agora chamado, “orgão magnético”, foi capaz de detectar com grande precisão, a força, a polaridade e a direção do campo magnético da Terra. Os pombos correios apresentam nos neurônios cerebrais grande quantidade de magnetita.

Atualmente tornou-se evidente que o campo magnético da Terra é um fator considerável no nosso meio ambiente sendo uma força física da qual derivamos informações de grande importância no funcionamento do nosso corpo.

Estamos apenas no início da compreensão das relações entre a biologia e o campo geo magnético , assim como das forças elétricas e magnéticas intrínsicas e extrinsícas ao corpo ou quais informações elas seriam portadoras.

Acreditamos que em um futuro próximo os campos eletromagnéticos serão empregados na medicina onde os meios químicos falharam. O ideal seria o emprego correto de ambos em conjunto.

Referências Bibliográficas

1. Adey, W.R.: Physiol. Rev. (61): 435-514, 1981.
2. Becker, OR , Electromagnetism and the revolution in medicine. Acupunct Electrother Res, 12: 75-9, 1987.
3. Blackman, CF: Bioelectromagnetics (6): 327-37, 1986.
4. Cossariza, A et al: Extremely low frequency pulsed electromagnetic fields increase cell proliferation in lymphoytes from young and aged subjects. Biochem Biophys Res Commun, 160(2), 692-8, 1989.
5. Cossariza, A. et al: DNA repair after gama irradiation in lymphocytes exposed to low – frequency pulsed electromagnetic fields. Radiation Research (118): 161-68, 1989.
6. 6-Franceschi, C et al. BRAGS Transactions (7), 57: 1987.
7. 7-Goodman, R et al: Exposure of human cells to low-frequency electromagnetic fields results in quantitative changes in transcripts. Biochim Biophis Acta, 1009 (3): 216-20, 1989.
8. 8-Matzke, M : J. Bioelectricity, (4): 461-79, 1985.
9. 9-Liboff , AR: Geomagnetic cyclotron resonance in living cells. J Biol Physis (13): 99-104, 1985.
10. 10-Yen – Patton, GA et al: Endothelial cell response to pulsed electromagnetic fields: stimulation of growth rate and angiogenesis in vitro. J.Cell Physiol (134): 1,37-46, 1988.

http://www.medicinacomplementar.com.br

20.03.2006
Campos eletromagnéticos na medicinaJosé de Felippe JuniorOs campos eletromagnéticos podem provocar doenças ou de acordocom a sua intensidade e freqüência pode também curá-las.Trabalhos indexados e de bom nível conseguiram demonstrar o

aumento da prevalência de leucemia em crianças que moravam perto

de cabos de alta tensão. Outros mostraram aumento de linfomas e

outros tipos de neoplasias malignas em adultos submetidos a

campos eletromagnéticos gerados por: transformadores, estações de

radar e fios de alta tensão. Não sabemos com certeza se as torres

de retransmissão da telefonia celular podem provocar câncer ,

porem alguns pesquisadores têm demonstrado que elas podem

provocar em certas pessoas : mal estar geral, dores de cabeça,

nervosismo exagerado, insônia , depressão, angustia, diminuição

da memória e da concentração, fraqueza, indisposição geral e

vários sintomas que embora pequenos são desagradáveis.

Por outro lado vários aparelhos geradores de campo

eletromagnético estão em uso com finalidade terapêutica e

mostrando excelentes resultados.

O bioeletromagnetismo surgiu após a descoberta da indução

eletromagnética por Michael Faraday no final de 1700. Logo após

vieram os famosos experimentos do físico e médico italiano Luigi

Galvani, que mostrou em patas de sapo, a conecção entre

eletricidade e contração muscular. Depois veio Alessandro Volta

outro físico italiano que interpreta os experimentos de Galvani

de maneira diferente. São os eletrodos metálicos e não o tecido

muscular o gerador de corrente elétrica. Polêmica vigorosa e

ferrenha entre os dois, para sabermos hoje em dia que ambos

tinham sua parcela de razão: o músculo gera eletricidade

(Galvani) e o metal também (pilha de Volta).

Desta época em diante, surgiram vários tipos de aparelhos para o

diagnóstico e tratamento de doenças, iniciando-se com os

geradores de eletricidade estática, passando-se para os de

corrente elétrica alternada ou contínua e finalmente chegando

àqueles que exploram a enorme gama de freqüências do espectro

eletromagnético (EM).

Os aparelhos mais eficazes foram aqueles que se concentraram na

porção não ionizante do espectro EM, particularmente a baixos

níveis de energia. As aplicações médicas do bioeletromagnetismo

não ionizante são classificadas em térmicas (produzem calor no

tecido biológico) e não térmicas. As aplicações térmicas incluem

a hipertermia por radio freqüência (RF), a cirurgia a laser, a

cirurgia por RF e a diatermia por RF.

Na medicina a modalidade não ionizante mais importante é a não

térmica. Aqui devemos prestar atenção a dois significados das

palavras “não térmico”: o biológico e o físico. Biologicamente ,

isto è para os médicos, não térmico significa que “não está

ocorrendo aumento da temperatura do tecido” e fisicamente

(científicamente) significa “ abaixo do limite de ruído térmico a

temperaturas fisiológicas” . O nível de energia do ruído térmico

é muito menor que o requerido para aquecer o tecido.

Para caracterizar um determinado campo eletromagnético nós

devemos conhecer os parâmetros descritos no quadro 1

Quadro 1: Parâmetros que caracterizam os campos eletromagnéticos

1-Potência
2-Voltagem
3-Corrente
4-Freqüência
5-Fase
6-Pulsátil ou não pulsátil
7-Tipo de onda : sinusoidal , quadrática, etc
Acresce: a-tempo de exposição
b-local da exposição

As principais aplicações médicas dos campos eletromagnéticos não

ionizantes e não térmicos são enumeradas no quadro 2.

Quadro 2 : Principais aplicações médicas dos campos

eletromagnéticos não ionizantes e não térmicos

1. Câncer
2. Osteoartrite
3. Depressão
4. Regeneração de tecidos
5. Cicatrização de feridas
6. Estimulação do sistema imune
7. Modulação neuro endócrina
8. Condições degenerativas associadas à idade
9. Não união de fraturas , osteonecrose
10. Dor intratável
11. Estados psico fisiológicos ( epilepsia e dependência de

drogas)
12. Paralisia cerebral (redução da espasticidade)
13. Lesão da medula espinhal
14. Doença de Parkinson
15. Dificuldade de aprendizado
16. Estimulação nervosa
17. Infecções crônicas
18. Osteoporose
19. Pseudoartrose congênita
20. Aumento da síntese de neuro transmissores

Quando expostas a campos eletromagnéticos de extrema baixa

freqüência ( 0 a 100 Hz) as células sofrem alterações específicas

desde mudanças de fluxo iônico trans membrana até o aumento da

síntese de DNA e o aumento da transcrição de RNA.(Goodman 1989)

Os campos eletromagnéticos pulsáteis de extrema baixa freqüência

(PEMF–ELF) interferem em vários processos biológicos, como

regeneração de membros em anfíbios, reparação de fraturas em

coelhos e regeneração hepática em ratos. Nas células eles são

capazes de modificar a transcrição e a diferenciação, a síntese

de proteínas especializadas, a resposta a hormônios, a liberação

de neurotransmissores, o crescimento e também a síntese de DNA de

algumas células como condrócitos de galinha e carcinoma

embrionário de rato.

Os PEMF-ELF in vitro são capazes de aumentar o crescimento de

células endoteliais e a angiogênese e aumentar a atividade

tumoricída das células de Kupffer do fígado.

Yen – Patton em 1988, revelou de uma maneira muito elegante que

os PEMF – ELF estimulam a velocidade de crescimento e a

angiogênese. Tal campo foi capaz de aumentar em 20 a 40% a

velocidade de crescimento da célula endotelial em região desnuda.

Fora do campo as células apresentavam forma cuboidal e dentro

dele as células endoteliais se alongavam e freqüentemente se

conectavam pelas extremidades formando um broto. Com a manutenção

do campo as células se reorganizavam em uma estrutura

tridimensional e começavam a formar neo vasos, de modo semelhante

à angiogênese in vivo. Realmente algo de espetacular: o

aparecimento de uma microcirculação ‘in vitro”. São células que

receberam não somente os nutrientes essenciais à vida , mas

principalmente tais células receberam um campo informacional.

Francheschi em 1987 mostrou que os PEMF-ELF em linfócitos de

doadores idosos, expressam um número aumentado de receptores IL-2

e também tal exposição aumenta a utilização da IL-2.

Cossarizza em 1989, mostrou que a aplicação de campos

eletromagnéticos pulsáteis de extrema baixa freqüência são

capazes de aumentar a proliferação de linfócitos de idosos,

quando submetidos a estimulo pela fitohemaglutinina.(PHA). É

surpreendente que linfócitos de idosos, os quais possuem

habilidade reduzida de proliferação, consigam após exposição aos

PEMF, níveis de incorporação de timidina H3 semelhantes às

culturas de linfócitos jovens não expostos ao campo. Este aspecto

do problema, nos mostra que no envelhecimento as células

necessitam de informação , não somente de nutrientes.

Também em 1989, Cossarizza mostrou que os PEMF-ELF não provocam

efeitos colaterais pois não conseguem interferir com a capacidade

de reparação do DNA humano lesado por radiação gama ou por

agentes químicos antiproliferativos.

Há muito tempo na Rússia. é empregada a terapia por ressonância

de microondas, que é não ionizante e fisicamente não térmica.

Utilizam baixa intensidade (contínua ou modulada por pulsos) e

com onda sinusoidal e eles têm obtido muito sucesso no tratamento

da artrite, esofagite, úlceras, hipertensão arterial, dor

crônica, paralisia cerebral (redução das contraturas musculares),

algumas alterações neurológicas e para diminuir os efeitos

colaterais da quimioterapia no câncer. Na Rússia muitas pessoas

são tratadas com microondas de baixa energia nos pontos de

acupuntura.

Acredita-se que a terapêutica por ressonância de microondas

envolva modificações no transporte de membrana celular ou a

produção de mediadores químicos, porém qual seria o mecanismo de

ação?.

Mecanismo de Ação

Primeiro:

Segundo o engenheiro argentino Carlos Belohlavec, o campo

produzido pelos aparelhos pode crear (é mesmo crear e não criar ,

como por ex. criar galinhas) uma onda guia, como descreveu De

Broglie, onda guia esta gerada no espaço vazio dos átomos e capaz

de reorganizar o “spin” dos elétrons. A organização do spin das

partículas atômicas agrega e ordena as funções do conjunto e

assim facilita a separação ou a união de moléculas incompletas,

aumenta a reparação do DNA, estimula os processos de

reorganização e reparação celular, em uma palavra, facilita a

expressão gênica. As sucessivas exposições ao campo gerado

provocam mudanças na escala atômica que acabam por se expressar

na escala biológica, aparecendo clinicamente como modificação da

estrutura da matéria. Esta onda guia no vazio dos átomos, efeito

túnel, parece ser o meio primordial de comunicação, de informação

que a natureza viva possui e cuja finalidade é a construção e a

reparação da própria natureza. Resta a questão : a baixa potência

destes campos eletromagnéticos teria energia suficiente para

alterar a configuração do “spin” dos elétrons?

Segundo:

Para Goodman, os campos empregados são muito fracos para agir

através de mecanismos físicos conhecidos como, calor, quebra

dielétrica, deslocamento de partículas ou eletroforese. Para ele

é pouco provável que o mecanismo de ação seja derivado de

alterações do potencial trans membrana uma vez que o potencial

dos sinais são muito inferiores aos potenciais da membrana

celular. Alguns especulam alguma forma de acoplamento ou

ressonância ou outro tipo de interação com processos endógenos.

Terceiro:

Matzke,mostrou através da expressão gênica de eucariócitos que o

campo elétrico da periferia do núcleo da célula controla as

interações macro moleculares.

Quarto:

Adey mostrou que a interação entre energia eletromagnética e os

receptores de glicoproteina na superfície da membrana celular

provoca transdução de sinais.

Quinto:

Liboff e colaboradores propuseram o modelo “ciclotron” de

ressonância baseados nos dados experimentais de Blackman. Este

último encontrou aumento do efluxo de cálcio no cérebro de

galinha exposto a campos elétricos e magnéticos fracos. O modelo

propõe que os íons se movendo pelos canais helicoidais da

membrana na presença de um campo magnético estático, exibem uma

freqüência peculiar de ressonância. A energia seria assim

transferida de um campo eletromagnético oscilante para um sistema

molecular.

Em outras palavras: o modelo ciclotron de ressonância pode ser

produzido toda vez que houver um campo magnético em “steady

state” combinado com um campo elétrico ou magnético oscilante,

agindo em uma partícula. Tal modelo permite campos

eletromagnéticos de baixa força, agirem em conjunto com o campo

geomagnético da Terra para produzirem efeitos biológicos,

concentrando energia do campo em partículas específicas, tais

como: cálcio, sódio, potássio e lítio . Quando a força do campo

magnético em “steady state” é pequena, a freqüência do campo

elétrico ou magnético necessário para produzir ressonância também

é pequeno. Assim quando a força do campo magnético da Terra (0,2

a 0,6 Gauss) é colocada em jogo, as freqüências dos campos

oscilantes necessários para provocar ressonância com ions

biologicamente importantes caem via de regra na extrema baixa

freqüência : ELF ( 0 a 100 Hz). Assim os ELF se tornam a parte

mais significante do espectro eletromagnético do meio ambiente.

Vamos dar um exemplo: se colocarmos um campo elétrico oscilante

de 60 Hz (o mesmo da nossa corrente elétrica doméstica) em um

local geográfico do nosso planeta onde o campo geomagnético é de

0,2 Gauss obtém-se a freqüência de ressonância do lítio. Ratos

submetidos a este campo apresentam os mesmos efeitos da injeção

da substância química lítio, isto é, diminuem a atividade e se

tornam mais passivos e submissos (efeito calmante). Aqui um

alerta: os aparelhos devem ser regulados de acordo com o local

geográfico, se ele funciona na Alemanha não funcionará do mesmo

modo no Brasil.

Sexto:

Quando nos lembramos do oscilador de múltiplas ondas de Lakhovsky

provocando o desaparecimento de câncer maligno recidivado de pele

sem deixar cicatrizes e também na mesma paciente de 80 anos

fazendo desaparecer profundos sulcos do pescoço e face e

melhorando nitidamente a textura da pele como se rejuvenescendo

aquele tecido senil , temos que procurar saber qual o mecanismo

de ação. Tudo se passa como se as freqüências múltiplas do campo

eletromagnético gerado pelo aparelho “ensinasse” as células da

pele a não mais continuarem produzindo células cancerosas

voltando a se reproduzir da forma antiga que era a forma correta,

sem câncer. Tal campo também consegue “ensinar” as células

envelhecidas a funcionarem como antigamente voltando inclusive a

fabricar novamente o tecido de sustentação do sistema retículo

endotelial. Ensinar significa informar. As ondas informariam as

células a se comportarem da maneira correta, do modo que elas

foram creadas, da maneira que haviam se comportado na

adolescência.

O aparelho de radio freqüência harmônica de Lakhovisky foi

reconstruído na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Temos obtido diminuição de tumores metastáticos de fígado, de

adenocarcinomas de mama, de tumores pulmonares( “oat cell’ ,

carcinoma epidermóide ) e modulação do sistema glandular e imune.

Observamos aumento dos linfócitos T e B , do CD4 e das células

“natural killer”. O T4 livre aumenta , o TSH diminui e os

anticorpos anti peroxidase e anti tiroglobulina também diminuem.

O IGF-1 aumenta 20 a 30% , a testosterona se eleva e o PSA

diminui.

Sétimo:

O campo eletromagnético pode ser Estático ou Oscilante

ESTÁTICO : produz polarização constante ou despolarização

constante

OSCILANTE do Tipo I (Despolarização com queda do ATP

intracelular) :

Produz um movimento de íons intracelular que provoca uma

diferença de potencial. Se esta diferença de potencial atingir 30

mV ela altera os canais iônicos da membrana celular. Se esta

alteração aumentar a permeabilidade ao Na+, teremos

despolarização celular.

Quanto maior a despolarização celular, menor a quantidade de ATP

a célula produz, maior será a entropia e menor será a

ordem-informação: DOENÇA

Se a despolarização atingir -15mV dispara a MITOSE : e aumenta o

volume do câncer .

Este é o modo como aceitamos os efeitos maléficos de um

determinado campo eletromagnético. O CEM oscilante do Tipo I ,

provoca diminuição da produção de ATP intracelular e a célula ou

tecido atingido sofrem as conseqüências.

OSCILANTE do Tipo II (Polarização com aumento do ATP

intracelular) :

Produz um movimento de ions intracelular que provoca uma

diferença de potencial. Se atingir 30mV ela altera os canais

iônicos da membrana celular.

Se a alteração dos canais iônicos diminuir a permeabilidade ao

Na+, teremos polarização da célula com aumento da negatividade do

potencial trans membrana, aumento da produção de ATP, diminuição

da entropia, aumento da ordem – informação : SAÚDE Se a

polarização atingir e se manter acima dos -15 Mv : cessa a MITOSE

e diminui o volume do câncer.

O CEM oscilante do Tipo II , provoca aumento da produção de ATP

intracelular e a célula ou tecido atingido melhoram a sua

arquitetura e função.

Até hoje sempre pensávamos que as informações biológicas

estivessem somente armazenadas nas estruturas moleculares. Pode

ser que as informações estejam armazenadas em locais do organismo

na forma de campos eletromagnéticos que podem ser usados na

regulação biológica e na comunicação celular ou que as próprias

ondas eletromagnéticas fazem com que as estruturas moleculares

voltem novamente a funcionar corretamente.

Utilizando o aparelho denominado “SQUID” (superconducting quantum

interference detecting magnetometer) vários cientistas detectaram

e identificaram dentro de organismos vivos, depósitos de um

material magnético denominado magnetita . Este mineral está

presente no sistema nervoso central, na forma de unidades de

cristais celulares ligados de uma maneira específica e sempre

associados com abundantes conecções neurais. Recentemente este

material agora chamado, “orgão magnético”, foi capaz de detectar

com grande precisão, a força, a polaridade e a direção do campo

magnético da Terra. Os pombos correios apresentam nos neurônios

cerebrais grande quantidade de magnetita.

Atualmente tornou-se evidente que o campo magnético da Terra é um

fator considerável no nosso meio ambiente sendo uma força física

da qual derivamos informações de grande importância no

funcionamento do nosso corpo.

Estamos apenas no início da compreensão das relações entre a

biologia e o campo geo magnético , assim como das forças

elétricas e magnéticas intrínsicas e extrinsícas ao corpo ou

quais informações elas seriam portadoras.

Acreditamos que em um futuro próximo os campos eletromagnéticos

serão empregados na medicina onde os meios químicos falharam. O

ideal seria o emprego correto de ambos em conjunto.

Referências Bibliográficas

1. Adey,W.R.: Physiol. Rev. (61):435-514,1981.
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pulsed electromagnetic fields : stimulation of growth rate and

angiogenesis in vitro. J.Cell Physiol (134):1,37-46,1988.

http://www.medicinacomplementar.com.br/tema200306.asp

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5 Respostas

  1. Excelente pesquisa. Sou usuário de PEMF-ELF a 2 anos e sinto muita diferença em meu organismo. Todos em minha casa são usuários.

    • marcos- sou medico clinico geral e estou interessado em adquirir tal equipamento. gostaria que voce me orientasse.
      obrigado.
      dr. joao antonio

      • Dr. João, me chamo Naim Leandro Alves Neto, sou um cliente satisfeito e agora representante de tais aparelhos. O sr. tem algum telefone para que posso entrar em contato?

  2. Gostaria de adquirir este aparelho. Estou com problema Seri de artrose nas mãos. Vc pode me ajudar?

    • Olá Maria Angélica, me chamo Naim Leandro Alves Neto, sou um cliente satisfeito e agora representante dos aparelhos de PEMF-ELF no Brasil. A Sra tem algum telefone para que possamos entrar em contato?

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