A vida do buda Sakyamuni

O budismo tem sua origem nos ensinos expostos pelo Buda Sakyamuni na Índia, há aproximadamente 3.000 anos.

Este grande homem de sabedoria, embora nascido como um príncipe, deixou seu palácio e título, dedicando incessantes esforços para atingir a iluminação, e lançou a luz da felicidade humana sobre o povo indiano.

Nos dias de Sakyamuni as pessoas não tinham forte interesse em manter exatos registros históricos.

Antes de registrarem as datas dos eventos mutantes na sociedade, estavam muito mais interessadas em descobrir o significado atrás de tais eventos em relação à natureza eterna do universo.

Neste sentido, o ambiente cultural indiano estava propício à formação de profundos pensamentos filosóficos e religiosos.

O fruto deste ambiente cultural foi naturalmente o budismo, o desafio de Sakyamuni ao bramanismo e aos outros pensamentos estabelecidos.

Nascido como filho dos governantes do reinado dos Sakya, rei Suddhodana e rainha Maya, o iluminado foi chamado de Siddhartha Gautama, ou seja “aquele que realiza todos os desejos”, indicando que todos os desejos de Suddhodana foram realizados após o nascimento de seu filho e a subseqüente prosperidade que veio ao seu país.

O local de nascimento de Siddhartha foi Lumbini, a aproximadamente 15 milhas de Kapilavastu, atualmente localizada nas planícies de Terai, no Nepal.

Naquela época, essa região era fértil e pacífica, e seus habitantes tinham uma vida voltada à agricultura. O nome Suddhodana, que significa “arroz leitoso puro”, refere-se ao fato de Terai ter sido uma região de rica colheita de arroz.

Contudo, a despeito de sua prosperidade agrícola, Kapilavastu sofria com a situação política turbulenta. Não era um país completamente independente, mas obrigado a pagar tributos à potência vizinha, Kosala.

Vendo o precário estado de sua pequena e impotente tribo que estava destinada a ficar sob o governo das potências vizinhas, esperava-se que Siddhartha, o príncipe herdeiro do clã dominante, suprisse a necessidade de liderança no futuro.

A mãe de Siddhartha morreu sete dias após seu nascimento e assim o príncipe foi criado por sua tia Mahaprajapaty.

A morte de sua mãe teve uma grande influência no jovem que mais tarde se tornou muito interessado pela questão da morte. Seu pai tomou muito cuidado com seu introspectivo e calmo filho e deu-lhe especial treinamento em literatura e artes marciais.

Como um menino, Siddhartha foi deliberadamente protegido do lado mau da vida. Diz-se que ele foi criado em três locais, um em cada uma dessas estações: inverno, verão e monção.

Seu pai cercou-o de opulência a fim de impedi-lo de ver as realidades da vida que o pudessem fazer renunciar à sua vida como um príncipe.

Ele cresceu como um fino homem com uma notável personalidade, qualificado em todos os aspectos a ser um grande líder.

A despeito de sua instrução luxuosa, Siddhartha possuía uma aguda sensibilidade e um profundo amor pela justiça, que o animaram a superar as condições difíceis em seu pais e a meditar profundamente sobre o destino do homem.

Preocupado com a introversão de seu filho, o rei procurou ligá-lo à vida mundana. Quando tinha dezesseis anos, o jovem príncipe, embora desejasse tornar-se um asceta, concordou em se casar.

Siddhartha concordou com a condição de encontrar uma moça “de perfeitas maneiras, verdadeira, modesta, simpática, de bom temperamento, de berço digno, jovem e bela, mas não orgulhosa de sua beleza, caridosa, abnegada, suave como uma irmã ou uma mãe, não interessada em música, perfumes, festividades ou vinho, de pensamentos, palavras e ações puros, a última a dormir e a primeira a se levantar na casa em que moraria.”

Siddhartha escolheu Yasodhara para ser sua esposa e tiveram um filho, Rahula. Todavia, seu casamento de prazer e pompa somente aumentou seu descontentamento.

Os primeiros passos para a iluminação

Um dia ele pediu para visitar os jardins reais. No caminho, contudo, ele viu um homem muito velho cruzando seu caminho e assim retomou triste ao palácio.

Numa outra visita, encontrou um doente ardente em febre.

Na terceira visita, viu um homem morto.

Ainda numa quarta aventura, ficou impressionado quando se encontrou com um monge (bhiksu) errante, que tinha renunciado ao mundo a fim de levar uma vida austera na procura da iluminação espiritual.

“Ele vive”, disse seu cocheiro, “sem paixão ou inveja e mendiga seu alimento diário”.

O príncipe respondeu: “Está muito bem e anseio pelo mesmo curso de vida: se tornar-se religioso é louvado até mesmo pelo sábio, este será o meu refúgio e o de outros, produzindo o fruto da vida e da imortalidade.”

Diz-se que os jovens indianos, especialmente os da classe superior daqueles dias, basicamente procuravam dois ideais: ou tomar-se um líder militar ou um mestre espiritual.

Siddhartha Gautama escolheu o segundo e tomou-se um asceta. Sua escolha pode bem ser chamada de escolha entre a paz e a guerra.

Ele estava firmemente determinado a buscar a verdade eterna que possibilitasse a verdadeira felicidade para a vida em vez da fama temporária ou riqueza que muda caprichosamente com o passar do tempo.

Hoje, os eremitas são vistos como pessoas que tem um modo de vida incomum ou pessimistas separados dos assuntos mundanos.

Mas, naquela época, tornar-se um eremita era considerado um assunto natural para os intelectuais que procuravam a verdade da vida.

Após o nascimento de seu filho, que poderia tornar-se seu sucessor, Siddhartha tentou separar-se de sua família e do trono.

Ele estava destinado a encontrar a solução para os sofrimentos humanos – velhice, doença e morte.

No dia da renúncia, Siddhartha pensou em dar uma olhada em seu filho, e dirigiu-se aos aposentos de Yasodhara. Sua esposa estava adormecida em seu leito, com sua mão descansando suavemente sobre a cabeça de seu filho.

Siddhartha parou antes de entrar no aposento e pensou: “Se levantar a mão de Yasodhara e abraçar meu filho, ela acordará e minha partida será impedida. Retornarei e vê-lo-ei após ter atingido a iluminação.

Ele viajou uma grande distancia para visitar Magadha, então o centro cultural e político da índia, determinado a buscar novos pensamentos e cultura.

Em Magadha vários monges sérios estavam reunidos de todos os cantos do país.

Entre eles estavam as seis principais figuras que tinham começado a destruir o sistema de valor estabelecido pelo bramanismo.

Ele viu-se descontente com o extremo negativismo e os rigorosos mandamentos deles, e procurou instrução de duas outras autoridades brâmanes, mas também viu que de nada adiantava.

Convenceu-se de que a prática de meditação deles não devia ser considerada o próprio fim, mas os meios pelos quais atingiria a iluminação para o verdadeiro significado da vida e da morte.

A procura de algo mais profundo, Siddhartha deixou o eremitério da Rajagrha, a capital de Magadha, e recolheu-se na floresta próxima de Uruvilava-grama, uma vila situada às margens do rio Nairanjanana.

Visto que o ascetismo rigoroso era visto como algo essencial para se atingir a iluminação, ele submeteu-se a uma severa e rigorosa disciplina durante seis anos.

Comeu apenas um grão de arroz ou uma semente de gergelim por dia, praticou a redução da sua respiração, submetendo-se a um ascetismo tão extremo, que alguns pensaram que ele havia morrido em razão do seu aspecto desgastado e raquítico.

Todavia, ele possuía a convicção de estar praticando a mais completa forma de automortificação, sem paralelo no passado, presente e futuro.

Entretanto, tudo isso levou-o apenas a concluir que esse ascetismo não era o caminho para a iluminação ou liberação.

A seguir, renunciou à prática da automortificação, não abandonando porém, o seu objetivo; pelo contrário, sua renúncia constituiu o passo mais significativo para a sua iluminação.

Ele abandonou o caminho até então seguido, e decidiu recuperar a resistência física. Primeiramente, purificou seu corpo num rio e então comeu uma tigela de alimento trazida por uma criada da vila.

Quando os cinco ascetas que o acompanhavam viram-no alimentando-se com leite, mel e arroz, concluíram que Siddhartha havia se entregado ao comodismo, e voltaria logo à vida de prazeres.

Apesar disso, estava orgulhoso e confiante nos resultados de sua procura solitária pelo Caminho Médio, entre o vazio do ascetismo e a frívola procura dos prazeres.

Vestido com farrapos, sentou-se num gramado sob uma tília, que mais tarde foi denominada árvore bodhi ou árvore da sabedoria.

Penetrando mais e mais profundamente em seus pensamentos, passou por várias etapas de sua compreensão.

Lutou para atingir a grande iluminação e nunca deixou-se levar pelo exército de tentações e desejos mundanos que procuraram impedi-lo; preferia morrer lutando a viver no fracasso.

Durante sete semanas meditou e chegou à vitória. Na madrugada do qüinquagésimo dia sua visão de sabedoria captou num relance a verdade última da sua vida.

Texto do livro “Síntese do Budismo”, de Kenitiro Uchida, Ed. Brasil Seikyo.

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