A Lição Democrática da Islância

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A FALÊNCIA DOS BANQUEIROS IMPOSTA PELO POVO

São Paulo 17.05.2012

Referências: Capitalismo Neoliberal Anarquista verssus Socialismo Democrático, IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, Falência do Sistema Financeiro Privado na Islândia, Importações maiores que as Exportações, Déficit no Balanço de Pagamentos, Especulação Financeira e Imobiliária, Mercado de Balcão de Bancos e Pregão das Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros – Cassino Global.

– A FALÊNCIA DOS BANQUEIROS IMPOSTA PELO POVO
– A LIÇÃO DEMOCRÁTICA DA ISLÂNDIA
– EX-PREMIÊ DA ISLÂNDIA É PRIMEIRO POLÍTICO CULPADO PELA CRISE GLOBAL
– ISLÂNDIA: EXPERIÊNCIA MOSTRA QUE É MELHOR DEIXAR BANCOS QUEBRAREM
– ISLÂNDIA, UM PAÍS QUE PUNE OS BANQUEIROS RESPONSÁVEIS PELA CRISE

– A FALÊNCIA DOS BANQUEIROS IMPOSTA PELO POVO

Por Américo G Parada Fº – Contador CRC-RJ 19750

Em 05/01/2010 foi publicado neste site do COSIFe o texto intitulado A Islândia à Beira da Bancarrota – A Terra do Gelo (Iceland) Enfrenta Crise Maior que a dos Ianques e de Dubai. Tratava-se de notícia originalmente veiculada pelo site Sapo de Portugal em que foi mostrado especialmente que a bancarrota islandesa tinha sua origem nos negócios especulativos dos banqueiros daquele país e dos demais agentes do sistema financeiro mundial em que se incluem as Bolsas de Valores e de Mercadorias e Futuros que centralizam os negócios especulativos em todo o mundo.

Porém, o problema enfrentado pela Islândia era reflexo do ocorrido nos Estados Unidos da América, que gerou a Crise Mundial de 2008. Por tabela, quase todos os países da Europa também entraram em colapso. Somente os demais países nórdicos da Europa não enfrentaram crise semelhante a islandesa. São eles: Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia (também chamados de países escandinavos).

Pergunta-se: Por que os demais países escandinavos não enfrentaram crise igual à islandesa?

Porque têm governos que efetivamente controlam toda a economia de seus respectivos países, não os deixando à mercê dos especuladores e das anarquistas teorias neoliberais.

Então, agora torna-se necessário mostrar o desdobramento daqueles fatos até os dias de hoje.

Enquanto os Estados Unidos e toda a conhecida Europa falida tenta culpar os trabalhadores pela bancarrota sofrida, o povo islandês foi as ruas exigindo a renúncia do governo capitalista que seguia cegamente as teorias impostas pelos neoliberais anarquistas.

Conseguido o feito, foi eleito um governo socialista que resolveu ouvir os anseios da população. Promulgada uma nova constituição nacional, o povo optou pela falência dos banqueiros que seria unicamente assumida pelos seus credores. Para felicidade do povo islandês, os credores eram quase todos estrangeiros. Portanto, não seria justo que a população daquele país pagasse pela insana especulação em que se envolveram os banqueiros e seus credores.

Conclusão: os credores internacionais foram obrigados a assumir o controle dos bancos falidos e os seus respectivos prejuízos que correspondiam a aproximadamente nove vezes o PIB islandês. Foi uma vitória do socialismo democrático sobre o capitalismo anárquico.

Veja a seguir as poucas notícias veiculadas sobre as providências tomadas pelos socialistas islandeses para que conseguissem sair da crise provocada pelos neoliberais anarquistas. É um bom exemplo para ser seguido pelos países falidos da Europa e pelos Estados Unidos que estão tentando levar os seus trabalhadores à miséria.

– A LIÇÃO DEMOCRÁTICA DA ISLÂNDIA

Texto da redação da Revista Por Sinal nº 37 de abril/2012, editada pelo SINAL – Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central.

País buscou um caminho próprio, que deu certo, punindo os bancos responsáveis e não transferindo a conta para a população

A REVOLUÇÃO ISLANDESA

A Islândia desceu do céu ao inferno em apenas uma década, mas parece que vai sair do limbo antes de potências maiores. A revolução sem armas islandesa já derrubou o Parlamento, criou uma nova constituição e levou para trás das grades meia dúzia de banqueiros acusados de fraude. Como se tudo isso não bastasse, começa a dar os primeiros sinais de recuperação econômica.

IMPEDINDO A SOCIALIZAÇÃO DOS PREJUÍZOS

O segredo?

Não permitir que o governo estatizasse os prejuízos e transferisse a conta para a população.

A lição dada pela Islândia não aparece nas páginas dos jornais nem no noticiário das redes de televisão. Ganhou destaque na abertura do documentário “lnside Job”, duas reportagens da revista Piauí, mas isso foi quase tudo. Os poucos veículos de comunicação que dedicaram algum espaço ao país se limitaram a registrar o processo de retomada do desenvolvimento com a ajuda de dinheiro do Fundo Monetário Internacional (FMI), sem entrar em detalhes sobre todas as mudanças políticas provocadas pela reação dos islandeses à crise.

“O curioso é que a solução islandesa foi colocada para escanteio aqui no Brasil” … diz o professor Márcio Scalércio, do Instituto de Relações Internacionais da PUC – Rio. “É verdade que se trata de um pais pequeno, com menos habitantes talvez do que Copacabana, mas o caso lá foi de roubalheira pura”

A ECONOMIA ISLANDESA

A Islândia é uma pequena ilha, rodeada por ilhas e ilhotas ainda menores, localizada no norte [do Oceano Atlântico e a noroeste] da Europa [dentro do Circulo Polar Ártico]. O arquipélago atinge uma área de 103 mil km2 [pouco maior que o Estado de Santa Catarina que tem 95 mil km2]. A população é de 320 mil pessoas – pouco mais de duas vezes o número de moradores de Copacabana. A economia é baseada na indústria de pesca, responsável por 70% das receitas [de exportação] e pelo emprego de 7% da força de trabalho.

O MUITO ELEVADO IDH – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO ISLANDÊS

A esperança de vida está entre as mais altas do mundo. A taxa de desemprego, até a explosão da crise, em 2008, não chegava a 2%. Em 2007, a Islândia ficou em primeiro lugar no índice de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), à frente de Estados Unidos, França e Reino Unido.

Dois anos depois, e apesar da crise, apareceu em terceiro lugar na relação da ONU dos países mais desenvolvidos [em IDH – Índice de Desenvolvimento Humano]. O PIB (Produto Interno Bruto) per capta estava entre os dez melhores.

Os indicadores foram garantidos pela política de bem-estar social do Estado, que manteve os cuidados de saúde universais e o ensino superior gratuito, apesar da onda liberal que tornou conta do país na década de 1980.

A INFLUÊNCIA NEGATIVA DOS NEOLIBERAIS ANARQUISTAS

Por conta dos reflexos da administração Margaret Thatcher, na Inglaterra, a pesca fora privatizada, os impostos reduzidos e os mercados, desregulamentados.

O sistema bancário não escapou. O Kaupthing, o Glitnir e o Ice-save começaram uma corrida desenfreada para expandir as atividades dentro e fora do pais e impulsionaram o endividamento. O governo incentivou uma política de casa própria garantida por empréstimos hipotecários de fácil acesso à população em que as taxas eram vinculadas à evolução dos preços, mas não aos salários. O consumo foi estimulado com empréstimos de curto prazo.

Para financiar todo esse festival creditício, os bancos foram adquirindo fundos do mercado mundial [empréstimos externos], especialmente na Grã-Bretanha e Holanda. Os islandeses trocaram o peixe pelo “money market” e se deixaram iludir pela sensação de que o sistema financeiro era mais sedutor do que o bacalhau [principal produto de exportação].

NA ONDA DA CRISE MUNDIAL DE 2008 PROVOCADA PELOS NEOLIBERAIS

Em 2008, quando o déficit comercial forçou à desvalorização da moeda nacional em 50%, a inflação disparou e as taxas hipotecárias e de crédito ficaram impagáveis. O estouro da bolha [especulativa e inflacionária] revelou uma conta ainda mais surpreendente: a dívida dos bancos superava em mais de dez vezes o PIB do país.

Resultado: ao quebrarem, os bancos carregavam US$ 75 bilhões [dívidas] nos seus balanços – US$ 250 mil para cada homem, mulher e criança da Islândia. Mais de um terço da população ficou superendividada. Treze mil casas foram confiscadas e dezenas de milhares de famílias entraram na pobreza.

A REAÇÃO DA POPULAÇÃO ISLANDESA

O governo tentou impor um plano de reestruturação da dívida, mas aí a população achou que era demais. O governo caiu, foram convocadas eleições para uma Assembleia Constituinte e consultas populares em que a população decidiu pagar a conta, mas não a ajuda do FMI.

O REFLEXO DAS ANARQUISTAS TEORIAS NEOLIBERAIS

Depois de quatro anos, os reflexos são flagrantes. O país empobreceu e tem hoje o mesmo tamanho que tinha em 2004.

Apanhadas no contrapé pela crise, boa parte das empresas islandesas foi encampada pelos credores. Hoje, 60% delas pertencem aos bancos. O desemprego subiu para 7,3% – ainda assim, metade do da Irlanda, um terço do da Espanha, dois países também em dificuldades. Projeções indicam um crescimento de 2,5 % em 2012, contra uma retração esperada para toda a Europa do euro.

ESTATIZAÇÃO DE UM BANCO E A CONVERSÃO DA DÍVIDA DOS BANCOS PRIVADOS FALIDOS

Dos três bancos nacionalizados, o Estado manteve o controle de apenas um, o Landsbanki (Banco Nacional). Numa clássica conversão de dívida em participação, os outros dois foram repassados a grandes credores internacionais, que preferiram vendê-los a hedge funds americanos, aceitando 2 ou 3 centavos pelo valor de face de 1 dólar.

NÃO HOUVE CALOTE DA DÍVIDA ASSUMIDA PELO ESTADO ISLANDÊS

A Islândia não deu um calote completo. As dívidas foram contraídas por entidades privadas, e quem emprestou assumiu o risco de fazer mau negócio. Os perdedores foram os bancos internacionais, a maioria deles europeus, dos quais metade alemães. Extintas as esperanças de reaver os empréstimos à trinca islandesa eles deram por perdidos US$ 63 bilhões.

Isto significa que a Islândia não havia avalizado as dívidas assumidas pelos bancos privados, que agiam de forma totalmente independente, sem nenhum controle ou regras monetárias estatais. Isto é, os bancos islandeses agiam de conformidade com a teoria neoliberal da autorregulação dos mercados. Assim, o governo não interferia nos negócios bancários, tal como acontece nos paraísos fiscais em que existem os bancos offshore, aquele que podem operar em qualquer parte do mundo, menos no país em que está teoricamente estabelecido. Veja o texto A Irresponsável Atuação dos Bancos Offshore – Causadores do Fracasso da Globalização Neoliberal, datado de 03/12/2010.

“Para além do resultado final desse confronto, a Islândia mostra que é possível pensar em soluções alternativas, que não é necessário salvar os bancos como um passo para quaisquer outras medidas e que há outro caminho que envolve decisões não só econômicas, mas fundamentalmente políticas e democráticas”, escreveu Eduardo Lucita, integrante do coletivo dos Economistas da Esquerda no “Diário Digital”, do Chile.

“O exemplo da Islândia pode se propagar para outros países, mas de forma mais conturbada, porque, neste caso, tratava-se de um país pequeno e com uma população mais homogênea”, diz o professor Márcia Scalércio. “A maior lição da solução islandesa é que a resposta dos países à crise tem de ser política, não tecnocrática”.

Isto significa que os novos governantes islandeses (socialistas) deixaram de lado as teorias econômicas ultrapassadas, tal como fez o Presidente Lula em 2009 quando conclamou o povo a consumir para que não ficasse desempregado. Aliás, sobre tal fato o ex-ministro e economista Delfim Neto no Programa Roda Viva da TV Bandeirantes mencionou que o feito por Lula era uma heresia para os economistas, porém, deu certo. Logo, disse Delfim Neto com outras palavras, precisamos rever (atualizar) as antigas teorias econômicas. O feito na Islândia é a segunda prova de que as teorias econômicas precisam ser revistas e atualizadas às realidades de agora.

– EX-PREMIÊ DA ISLÂNDIA É PRIMEIRO POLÍTICO CULPADO PELA CRISE GLOBAL

Publicado pelo Estadão em 23/04/2012. As informações são da Dow Jones.

Haarde foi um dos quatro integrantes do governo acusados em 2010 por contribuir para o colapso do setor bancário islandês no fim de 2008, quando os grandes bancos do país faliram

REIKJAVIK [Iceland = Islândia] – O ex-primeiro-ministro da Islândia Geir Haarde é o primeiro político a ser processado com relação à recente crise financeira global. Haarde liderou o Partido Independência, de centro direita, e foi primeiro-ministro entre meados de 2006 e o início de 2009, quando seu governo de coalizão foi retirado do poder em meio a uma revolta da população por causa da crise financeira.

Haarde foi um dos quatro integrantes do governo acusados em 2010 por contribuir para o colapso do setor bancário islandês no fim de 2008, quando todos os grandes bancos do país faliram em algumas semanas. A crise do setor bancário jogou a Islândia em uma profunda recessão, levando a um resgate de US$ 2,1 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Parlamento islandês, agora dominado por oponentes a Haarde, decidiu em setembro de 2010 que ele deveria ser o único processado pelo colapso do setor bancário do país. Posteriormente um tribunal rejeitou a maior parte das acusações sérias de “ampla negligência”, mas hoje ele foi considerado culpado por não reunir seu gabinete quando a crise se tornou crítica, em 2008.

Na decisão anunciada hoje [23/04/2012] para o julgamento que havia começado em 5 de março [de 2012], um tribunal especial da Islândia condenou Haarde em uma das quatro acusações pelas quais foi julgado por sua atuação durante o colapso dos bancos do país. Haarde foi declarado culpado por não se reunir com seu ministério quando a crise se tornou crítica.

– ISLÂNDIA: EXPERIÊNCIA MOSTRA QUE É MELHOR DEIXAR BANCOS QUEBRAREM

Publicado por Economia-Terra em 06/11/2011, com subtítulos, comentários e anotações em azul por Américo G Parada Fº – Contador CRC-RJ 19750

EXTREMISTA, O GOVERNO ISLANDÊS DEIXOU OS BANCOS QUEBRAREM

Três anos depois do colapso dos bancos islandeses, a economia da ilha se recupera e se ergue como prova de que os governos, em vez de resgatar estas entidades, deveriam deixá-las quebrar e proteger os contribuintes, apontam analistas. Em outubro de 2008, os três grandes bancos islandeses foram varridos por sua exposição à crise das hipotecas “subprime”, que dias antes fez sua maior vítima com o banco americano de investimentos Lehman Brothers.

O termo “Subprime” é utilizado para identificar os empréstimos fornecidos sem as devidas garantias de recebimento.

Nos Estados Unidos os empréstimos imobiliários são feitos mediante a hipoteca dos bens imóveis adquiridos pela população. Devido a grandiosa e insana especulação imobiliária nos STATES, os imóveis foram financiados por preços altíssimos, muitas vezes superiores aos preços de custo de suas respectivas construções. Assim, depois da inadimplência dos devedores que perderam seus empregos em razão da crise especulativa, de nada adiantava a recuperação dos imóveis pelos bancos credores porque somente conseguiriam revendê-los por preços bem inferiores aos dos empréstimos concedidos. Logo, o prejuízo e consequente falência em razão da “bolha inflacionária” foi líquida e certa.

O termo “Bolha Inflacionária” ficou famoso em 1929 quando aconteceu o Crash da Bolsa de Nova Iorque. De repente as ações adquiridas por preços altíssimos deixaram de ter valor de negociação. Assim aconteceu porque algum especulador ou grupo de especuladores resolveu vender de grande quantidade de ações para realização de lucros. Dessa forma, como a venda pressionou os preços para baixo, a maior parte dos investidores (aqueles que compraram os títulos por alto preço) ficaram com os prejuízos. Ou seja, os incautos investidores compraram por US$ 100,00 e depois não os conseguiram vender suas ações por US$ 0,01. Isto é, as ações viram pó, tornaram-se voláteis, evaporaram, ficaram sem valor comercial.

O mesmo aconteceu com as hipotecas depois do “estouro” da “bolha inflacionária” no mercado imobiliário norte-americano. Como não mais havia quem quisesse comprar os imóveis por tão elevado preço, o títulos hipotecários perderam valor, proporcionando altos prejuízos a quem neles investiu sua poupança.

Sobre as fraudes contábeis e financeiras do LEHMAN BROTHERS, veja o texto intitulado A Manipulação de Resultados nas Demonstrações Contábeis.

PROVIDÊNCIAS TOMADAS PELO GOVERNO SOCIALISTA ISLANDÊS

O governo de Reikiavik deixou que eles quebrassem e pediu um crédito de US$ 2,25 bilhões ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Após três anos de duras medidas de austeridade, a economia da ilha, povoada por pouco mais de 300 mil habitantes, mostra sinais de recuperação. E isso em meio a uma crise econômica que colocou a Grécia à beira da quebra e gerou planos de ajuste muito impopulares em Portugal, Irlanda, Itália e Espanha, para reduzir um endividamento público inflado em parte pelo resgate do setor bancário.

UM EXEMPLO A SER SEGUIDO PELO MUNDO AFORA

“A lição que nasce da maneira pela qual a Islândia lidou com sua crise é que, na medida do possível, é importante proteger os contribuintes e as finanças públicas do custo de uma crise financeira”, resume à AFP Jon Bjarki Bentsson, analista do banco Islandsbanki. “Nossa forma de enfrentar a crise não foi uma escolha, mas se deveu à incapacidade do governo de apoiar em 2008 bancos muito grandes em comparação com a economia. No entanto, isto foi relativamente bom para nós”, acrescentou.

O setor financeiro islandês valia antes de sua quebra 11 vezes mais que o Produto Interno Bruto (PIB) da ilha. O economista americano e prêmio Nobel Paul Krugman concorda com as declarações de Bentsson. “Enquanto os demais resgataram os banqueiros e fizeram o povo pagar o preço, a Islândia deixou que os bancos quebrassem e expandiu sua rede de proteção social”, escreveu recentemente Krugman em um artigo no The New York Times. “Enquanto os demais ficaram obcecados em tentar aplacar os investidores internacionais, a Islândia impôs controles temporários aos movimentos de capital, para abrir um espaço de manobra”, acrescentou.

Veja os comentários sobre o escrito por Paul Krugman de autoria de Idalvo Toscano, economista e ex-dirigente sindical que presta assessoria ao SINAL – Sindicato dos Funcionários do Banco Central do Brasil no texto intitulado Verdades Sobre a Crise Mundial Provocada Pelos Neoliberais.

Durante uma visita a Reikiavik na semana passada, Krugman destacou que a Islândia deve sua recuperação a sua moeda nacional, a coroa, e advertiu contra a ideia de que a adoção do euro protege dos desequilíbrios econômicos. “A recuperação econômica da Islândia demonstra as vantagens de estar fora do euro”, disse Krugman, acrescentando que isto deveria servir de advertência à Espanha.

A bem da verdade é importante destacar que Paul Krupman é ferrenhamente contrário à manutenção do Euro como moeda europeia. Afinal, a Europa resolveu ter a sua própria moeda exatamente com a finalidade de combater a hegemonia do dólar norte-americano e em parte conseguiu. Porém, daqui para frente as moedas fortes serão as dos países que tenham o que exportar. Isto significa dizer que terão moedas fortes os países de tenham grande quantidade de minérios exportáveis para os chamados de desenvolvidos. Entre esses poucos países estão os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e ainda Austrália, Chile, Peru e alguns países do cone sul africano (Congo, Angola, Moçambique, Botsuana, Namíbia). Também terão moedas fortes os países exportadores de produtos agropecuários.

O PROBLEMA ENFRENTADO NA EUROPA

No entanto, o exemplo islandês não pode ser comparado com a situação de países como Grécia ou Itália. “A grande diferença entre Grécia, Itália e demais e a Islândia em 2008 é que esta última sofreu uma crise bancária causada pelo colapso de um setor hiperatrofiado, enquanto os anteriores têm uma crise de dívida soberana que se estendeu ao setor bancário europeu”, explica Bentsson.

O IMPORTANTE FOI DEIXAR OS BANCOS QUEBRAREM

O ex-primeiro-ministro islandês, Geir Haarde, no poder durante a crise financeira de 2008 e atualmente processado por sua condução da crise, insistiu que o governo tomou a decisão correta deixando os bancos quebrarem e os credores assumirem as perdas. “Salvamos o país da bancarrota”, disse Haarde, 68 anos, à AFP em uma entrevista em julho. “É evidente se for comparada nossa situação atual com a da Irlanda, para não falar na Grécia”, disse, acrescentando que estes dois países da UE “cometeram erros que nós não cometemos”. “Nós não garantimos as dívidas externas do sistema bancário”, acrescenta.

A ECONOMIA ISLANDESA DEPOIS DA EXTINÇÃO DOS BANCOS PRIVADOS

Assim como Irlanda e Letônia, também resgatados com ajuda internacional e em recuperação atualmente, a Islândia empreendeu duras medidas de austeridade. A fórmula islandesa parece estar dando certo. Tanto que seu banco central aumentou na quarta-feira sua taxa básica de juros em 0,25%, a 4,75%, seguindo uma tendência oposta à da maioria dos países desenvolvidos, que reduziram suas taxas para favorecer o crescimento e evitar uma nova recessão. Segundo o banco central islandês, o crescimento econômico na primeira metade de 2011 foi de 2,5% do PIB, e espera-se que no conjunto do ano chegue a mais de 3%.

– ISLÂNDIA, UM PAÍS QUE PUNE OS BANQUEIROS RESPONSÁVEIS PELA CRISE

Por Alejandra Abad – El Confidencial – Publicado por Carta Maior em 26/03/2011, Tradução para o português de Portugal por Vermelhos.net. Revisão do texto por Américo G Parada Fº

A grande maioria da população ocidental sonha desde 2008 em dizer “não” aos bancos, mas ninguém se atreveu a fazê-lo. Ninguém, exceto os islandeses, que levaram a cabo uma revolução pacífica que conseguiu não só para derrubar um governo e elaborar uma nova Constituição, mas também enviar para a cadeia os responsáveis pela derrocada econômica do país. Crise financeira e econômica provocou uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país. O artigo é de Alejandra Abad.

A REVOLUÇÃO SEM ARMA DO POVO ISLANDÊS

Na semana passada [de 26/03/2011], nove pessoas foram presas em Londres e em Reykjavik (capital da Islândia) pela sua responsabilidade no colapso financeiro da Islândia em 2008, uma profunda crise que levou a uma reação pública sem precedentes, que mudou o rumo do país.

Foi a revolução sem armas da Islândia, país que hospeda a democracia mais antiga do mundo (desde 930), e cujos cidadãos conseguiram mudar com base em manifestações e panelas.

Por que o resto dos países ocidentais nem sequer ouviram falar disto?

A pressão da cidadania islandesa conseguiu não só derrubar um governo, mas também a elaboração de uma nova Constituição e colocar na cadeia os banqueiros responsáveis pela crise no país. Como se costuma dizer, se você pedir educadamente as coisas é muito mais fácil obtê-las.

Este processo revolucionário silencioso tem as suas origens em 2008, quando o governo islandês decidiu nacionalizar os três maiores bancos – Kaupthing, Landsbanki e Glitnir – cujos clientes eram principalmente britânicos, [holandeses] e norte-americanos.

Depois da entrada do Estado [islandês] no capital [dos bancos] a moeda oficial (coroa) caiu e a Bolsa suspendeu a sua atividade após uma queda de 76%. A Islândia foi à falência e para salvar a situação o Fundo Monetário Internacional (FMI) injetou 2,1 bilhões de dólares e os países nórdicos ajudaram com mais de 2,5 bilhões de euros.

As grandes pequenas vitórias das pessoas comuns

Enquanto os bancos e as autoridades locais e estrangeiras procuravam desesperadamente soluções econômicas, o povo islandês tomou as ruas, e com as suas persistentes manifestações diárias em frente ao parlamento em Reykjavik provocou a renúncia do primeiro-ministro conservador Geir H. Haarde e do governo em bloco.

Os cidadãos exigiram, além disso, a convocação de eleições antecipadas, e conseguiram. Em abril [de 2009], foi eleito por um governo de coligação formada pela Aliança Social Democrata e Movimento Esquerda Verde, chefiado por uma nova primeira-ministra, Johanna Sigurdardottir.

Ao longo de 2009, a economia islandesa continuou em situação precária (fechou o ano com uma queda de 7% do PIB), mas, apesar disso, o Parlamento propôs pagar a dívida de 3,5 bilhões euros à Grã-Bretanha e Holanda, um montante a ser pago mensalmente pelas famílias islandesas durante 15 anos com juros de 5,5%.

A mudança trouxe a ira de volta dos islandeses, que voltaram para as ruas exigindo que, pelo menos, a decisão fosse submetida a referendo. Outra nova pequena grande vitória dos protestos de rua: em março de 2010 a votação foi realizada e o resultado foi que uma esmagadora [parcela] de 93% da população se recusou a pagar a dívida, pelo menos nessas condições. Isso levou os credores a repensar o negócio, oferecendo juros de 3% e pagamento a 37 anos.

Mesmo se fosse suficiente, o atual presidente, ao ver que o Parlamento aprovou o acordo por uma margem estreita, decidiu no mês passado [fevereiro de 2011] não o aprovar e chamar de volta os islandeses para votar num referendo, para que sejam eles a ter a última palavra.

Os banqueiros estão fugindo atemorizados

Voltando à situação tensa de 2010, enquanto os islandeses se recusaram a pagar uma dívida contraída pelos os tubarões financeiros sem os questionar, o governo de coligação lançou uma investigação para resolver juridicamente as responsabilidades legais da fatal crise econômica e já havia detido vários banqueiros e executivos de cúpula intimamente ligados às operações de risco.

Entretanto, a Interpol, tinha emitido um mandado internacional de captura contra o presidente do Parlamento, Sigurdur Einarsson. Esta situação levou os banqueiros e executivos, assustados, a deixar o país em massa.

Neste contexto de crise, elegeu-se uma Assembleia para elaborar uma nova Constituição que reflita as lições aprendidas e para substituir a atual, inspirada na Constituição dinamarquesa.

Para fazer isso, em vez de chamar especialistas e políticos, a Islândia decidiu apelar diretamente ao povo, soberano, ao fim e ao cabo, das leis. Mais de 500 islandeses apresentaram-se como candidatos a participar neste exercício de democracia direta de redigir uma Constituição, dos quais foram eleitos 25 cidadãos sem filiação partidária, que incluem advogados, estudantes, jornalistas, agricultores, representantes sindicais.

Entre outros desenvolvimentos, esta Constituição é chamada a proteger, como nenhuma outra, a liberdade de informação e expressão, com a chamada Iniciativa Islandesa Moderna para os Meios de Comunicação, um projeto de lei que visa tornar o país um porto seguro para o jornalismo de investigação e liberdade de informação, onde se protejam as fontes, jornalistas e os provedores de internet que alojem órgãos de informação.

Serão as pessoas, por uma vez, para decidirão sobre o futuro do país, enquanto os banqueiros e os políticos assistem (alguns da prisão) à transformação de uma nação, mas do lado de fora.

http://www.cosif.com.br/publica.asp?arquivo=20120517islandia

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