Coma, Jejue e Viva Mais (2012) [Transcrição do documentário]

Transcrição do documentário “Coma, Jejue e Viva Mais” (2012)

Equipe CPT Legendas:
Tradução: CptDomingues, Natz, Mettaall, TatuPetz, zecarlos
Sincronia e Revisão: zecarlos

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[Introdução]

Eu adoro a vida. Quero continuar jovem, com energia, e gozá-la o máximo de tempo possível. Recebi treinamento médico. Conheço todas as recomendações para manter-se sadio. Mas, no meu caso, parece que não funciona. Descobri que meu corpo não é aquela máquina esguia, de vida longa que eu gostaria que fosse.

– Um terço de seu corpo é gordura.

– Obrigado… Por apontar isto de maneira tão enfática.

Eu queria ver se a ciência poderia oferecer um jeito diferente de parar com a besteira, atrasar o relógio. Por isso, resolvi procurar especialistas que estão tentando eliminar os estragos do envelhecimento.

– Estamos reescrevendo a fisiologia humana, aqui.

– Se achar algo diferente, que possa fazer sem prejudicá-lo, que lhe traga benefícios, e que cause estas mudanças, eu gostaria de conhecer.

O que descobri foi mesmo surpreendente. Não envolve comprimidos, nem injeções ou gastos ocultos. É apenas uma questão de o que você come. Ou melhor, o que você não come.

– Esta noite, sonhei que comi um sanduíche, e senti-me incrivelmente culpado.

É sobre o jejum. Mas, um jejum menos rigoroso.

– E se eu seguir o estilo de vida do Joe?

– Em um ano você estará curado.

A grande questão é que isto é o começo de algo que eu achava ser imenso. Se decolar e for na direção que imagino, aí seria genuinamente revolucionário.

Coma, Jejue e Viva Mais

Há muita gente que permanece jovem e em forma bem além da idade da aposentadoria. A maioria o consegue da maneira tradicional: com muitos e muitos exercícios. Hoje vim à Maratona de Londres. Quase 36 mil corpos de todas as formas e tamanhos empenham-se no percurso de 42 quilômetros. Alguns são jovens, muitos nem tanto. Há uma atmosfera fantástica por aqui. Eu nunca participei da maratona e não tenho planos de um dia fazê-lo, mas tem muita gente correndo hoje que são bem mais velhos que eu. Tem 7 mil pessoas na faixa dos cinquenta e, por incrível que pareça, há sete pessoas na faixa dos oitenta ou mais. Vou tentar contatar alguns deles, para perguntar como conseguem.

– Alô, como vai?

– Alô!

– Qual sua idade?

– Setenta e oito.

– Qual a sua idade?

– Oitenta e um.

– E qual o segredo de correr?

– Varinha mágica!

– É só comer bem.

– Muito trabalho, filho. Só isso.

Qualquer um que consiga correr na maratona, com 70 anos, merece meu respeito. Mas eu procuro um homem que faz septuagenários parecerem jovens.

Fauja Singh é interessante. Ele tem sido ativo a vida toda. Mas só começou a correr a sério com oitenta anos. O que o faz estar em tão boa forma e energético?

– Como vai?

– Prazer em vê-lo.

– Qual sua idade Fauja?

– Cento e um.

Nasceu em 11 de abril de 1911. Infelizmente ele ainda não aprendeu bem o inglês.

– Você poderia perguntá-lo como se sente?

Ele diz: “Não é fácil”.

Mas o serviço tem que ser feito ainda não acabou.

– Não vai desistir, vai?

Embora tenha cento e um anos, Fauja nunca sofreu uma cirurgia. Não mostra sinais de doenças cardíacas, e não toma remédios. Ele acredita que sua longevidade e incrível saúde, é por causa da dieta.

– Alguma dieta especial?

Ele não tem dieta especial. É uma simples dieta de camponês Punjabi, só comida fresca. Mas seu segredo está na quantidade menor.

Nos países pobres, há gente morrendo de fome. Nos países ricos, as pessoas morrem porque comem demais.

– Quanto ele come, comparando a mim ou você?

– Ele come algo como a metade, quase coisa de criança.

Uma porção infantil tem a metade de calorias que nós comemos?

Restringindo dramaticamente a ingestão de alimentos, Fauja testa, sem saber, a teoria que anda por aí quase há tanto tempo quanto sua idade. Uma teoria científica que só agora começa a se afirmar.

Peguei o metrô até a linha final. Quero pegar o Fauja sendo, espero, o mais velho maratonista do mundo. E após sete horas e 49 minutos, ele consegue.

– Posso parabenizá-lo?

Isto é absolutamente incrível. Ele tem cento e um anos, e percorreu 42 quilômetros. Agora, eu imagino que daqui a 50 anos, estarei correndo pelo Centro Comercial, mas quero ser como ele. Quero ser ativo mental e fisicamente. Quero ficar jovem por mais tempo.

Durante décadas, equipes de cientistas em todo o mundo estudam intensamente o envelhecimento. Agora, claramente, os genes têm um papel fundamental em quão rápido e saudável nós envelhecemos, mas não há muito o que fazer com os genes.

Contudo, há como interferir naquilo que você come. E aqui, na América, estão começando a revelar algumas pesquisas impressionantes que ligam a comida à longevidade. Parece que não é apenas o que comemos, mas quando e como comemos.

Nossa história começa nas regiões áridas da América, durante os anos 30. Havia uma seca terrível, a comida era escassa, e o país inteiro estava nas garras da Grande Depressão.

Agora, podemos imaginar que em tempos tão difíceis a expectativa de vida cairia. Mas, na verdade, aumentou. Durante os anos mais sombrios da Grande Depressão – 1929 a 1933 – a expectativa de vida aumentou em impressionantes seis anos.

Agora, observando isto, é realmente surpreendente. Pistas sobre os motivos poderiam também ser encontradas em pesquisas feitas lá nos anos 30. Nutricionistas da Universidade Cornell, que trabalham com animais, descobriram que se você restringir severamente a quantidade do que comem, eles vivem mais. Muito, muito mais.

Agora a próxima e óbvia pergunta: se fizermos o mesmo com humanos, teria o mesmo efeito?

Já são oito décadas desde aquela observação e somente agora os cientistas estão começando a entender o elo entre a restrição calórica e longevidade em humanos. Finalmente, parece, começamos a obter respostas.

A Universidade Washington está no coração dessa nova ciência. Estamos reescrevendo a fisiologia humana aqui! É impressionante, sabe, como simples intervenção dietética pode realmente mudar como o corpo humano funciona, basicamente.

O Professor Luigi Fontana passou os últimos dez anos estudando um grupo de pessoas que restringiu severamente calorias a cada dia. E ele está surpreso com o que encontrou.

– Essas pessoas, parecem uma espécie diferente.

– Essa é uma declaração bem significante, não é?

– Sim! Descobrimos que vão viver mais do que seus pais e irmãos na típica dieta americana, ou dietas ocidentais.

Luigi está claramente impressionado. Por isso, eu queria conhecer
esta nova espécie pessoalmente.

– Uma casa muito adorável.

– Foram boas as instruções?

– Muito boas, obrigado.

Joe Cordell é um RCENI. Um restritor de calorias em nutrição ideal. Isso significa muitas frutas e vegetais.

– Resolvi tirar tudo porque achei que poderia querer um café da manhã.

– Seria delicioso, obrigado.

– Quando penso em um restritor de calorias, imagino alguém que vive à base de cenouras, ou algo parecido. Não achei que você tomaria café da manhã.

Joe começa seu dia com um monte de frutas, algumas ele joga fora.

– O que gosto de fazer é adicionar um pouco de maçã, mas, na minha posição, quero obter o maior valor nutricional que puder por caloria, e praticamente todo o valor nutricional é na casca.

– Então você vai ficar só com a casca, e jogar fora o resto? Vai fazer o oposto da maioria das pessoas.

– É ótimo, porque literalmente 95 por cento do valor nutricional está aqui.

– Na casca?

– Sim. O resto é açúcar e calorias.

– Isso é tudo que temos pela manhã. No processo todo?

– Sim.

– Esta tigela é grande.

– Já se perguntou: “E se eu estiver errado? E se tudo estiver errado?” Faço isso há 10, 20 anos, aí vem uma nova porção da ciência que diz que, na verdade, tudo é sem sentido.

– Meu irmão, que pesa 45kg a mais do que eu, é quase da minha idade. Ele faz piadas o tempo todo para mim dizendo que viverá mais que eu, e, na opinião dele, eu sofro por nada. Mas a questão é… Eu gosto de fazer isso. Ter uma vida saudável é divertido.

Estima-se que haja cem mil RCENIs em todo o mundo, pessoas vivendo com uma dieta rica em nutrientes, mas baixa em calorias.

Joe parece em forma, mas não impressionantemente jovem. Talvez Luigi tenha exagerado.

– Eu gostaria de levá-lo para fazer uma série de testes e ver como comparamos.

– OK, estou dentro. Então, esse é o desafio?

– É um desafio sim, um desafio que desconfio que possa perder!

Por uma década, Joe tem comido 1.900 calorias por dia. Tenho ficado na média de 2.300, muito poucos deles são rosquinhas e hambúrgueres.

– Quanto você acha que pesa?

– Provavelmente cerca de 80kg. Nossa, mais de 80kg!

– Respire!

– Deveria estar em torno de 60, 61, 62.

– Só temos que mover um ponto para baixo. Sessenta quilos.

– No ponto.

Ambos estamos na casa dos 50, e realmente não acho que parecemos de gerações diferentes, e muito menos espécies. Portanto, quão diferentes somos?

– Só preciso que você relaxe. Sente-se imóvel, sem falar.

Algumas das maneiras mais simples de avaliar o envelhecimento, não precisa de equipamento especializado.

– Isso é bom.

O equilíbrio é controlado pelo seu ouvido interno. Ao envelhecer, as estruturas do ouvido deterioram-se e seu equilíbrio fica pior.

– Só mais uma.

Você pode testá-lo em pé sobre sua perna mais fraca de olhos fechados.

– Quanto tempo fiz?

– 6,59 segundos.

– Não muito bom.

– Nada bom.

– Na média dos 55 anos, deveria conseguir 8 segundos.

– Você está abaixo…

– Você está indo bem para a média de 20 anos.

– Mais de 30 segundos é o que a maioria dos que tem 20 anos conseguem suportar, mas essa é uma daquelas habilidades que cai rápido.

– Eu acho que você provou um ponto.

– Paro?

– Sim, você pode parar.

Outro bom teste é o tempo de reação, que cai com a idade.

– Nada bom, vinte centímetros.

Para este só precisamos de uma régua.

– Em qualquer idade, você deve ser capaz de pegá-lo perto da marca de doze centímetros.

– Dez centímetros, está indo muito bem, devo admitir.

Os métodos de Luigi são um pouco mais científicos. Fizemos uma série de outros exames médicos, incluindo exames de sangue. Agora ele está prestes a nos dar nossos resultados. É como estar no escritório do diretor, não é? Esperando pelos resultados. Você vai receber uma estrela A. Vou receber um B menos. A cara do Luigi me mostra que o que estou prestes a ouvir não é coisa boa.

– Gordura corporal total em Joseph é de 11,5%. Isso é típico de um super atleta. 11% de gordura corporal é bem baixo para um homem de 54, 55 anos. A sua gordura é cerca de 27.1%. Um terço do seu corpo é gordura.

– Obrigado… Por ressaltar esse ponto tão enfaticamente!

E ele ainda não está satisfeito em falar da minha gordura.

– A gordura abdominal é de cerca de 30%. Gordura abdominal é realmente a vilã. Quanto maior a gordura abdominal, maior é o risco de desenvolver diabetes tipo 2, doença cardiovascular.

– Nenhuma dúvida sobre isso.

– É também um fator de risco para o câncer. Portanto, basicamente, seu perfil de risco cardiometabólico, não é bom para a sua idade. Acho que você deve fazer alguma coisa para melhorá-lo. O que podemos dizer é que Joseph não vai desenvolver doença cardiovascular. É impossível desenvolver um derrame, infarto do miocárdio ou insuficiência cardíaca. Essas três doenças são responsáveis por 40% das mortes atualmente nos EUA e no Reino Unido.

– Sem chance dele morrer disso?

– Digo, uma em um milhão.

– E se eu adotar o estilo de vida do Joe?

– Em um ano, você estaria curado.

Agora eu entendo o que Luigi quer dizer. É como se fôssemos duas espécies diferentes. A dieta de Joe parece manter seus órgãos em bom estado. Minha dieta está prejudicando a minha saúde, e rápido.

Isso foi muito decepcionante. Luigi não mede suas palavras. Ele falou um pouco sobre a gordura abdominal. Na verdade, ele falou até muito sobre minha gordura abdominal. Nunca imaginei que fosse gordo. Mas, ele indicou duas alternativas. Uma, em que se eu continuar como estou no momento, irei, quase certo, ter doenças do coração e talvez pior. A outra é, se eu abraçar a forma de restrição calórica ele disse que eu poderia ser curado em menos de um ano. Meus fatores de risco deixariam de ser quase certamente uma vítima cardíaca em algum ponto, para uma em um milhão.

Apresentado de forma tão dura, me faz pensar a respeito. Apesar das provas que apoiam os efeitos da restrição calórica ficarem cada vez mais fortes, honestamente não posso me imaginar fazendo o que Joe faz. E isto cria um certo dilema. Então, o que eu realmente quero fazer é tentar compreender como a restrição calórica funciona, assim espero que possa obter todos os benefícios deliciosos sem ter que realmente fazer isso.

Estou em Los Angeles, uma cidade que é notoriamente viciada em juventude. Na verdade, muitas pessoas aqui parecem pensar que envelhecer e enrugar é opcional. Não verei alguém tão superficial quanto um cirurgião plástico. Estou aqui para encontrar um dos maiores especialistas mundiais em envelhecimento.

– Olá.

O Professor Valter Longo estuda os complexos mecanismos que controlam o envelhecimento. Ele foca num caminho crítico, que liga o que comemos com a forma como envelhecemos. Ele está me levando para ver dois ratos. Ambos são da mesma idade, mesma espécie, e do mesmo sexo. Mas há uma diferença significante entre eles. O menor viverá um tanto a mais que o maior.

– Esse ratinho aqui tem o recorde mundial de extensão de vida em um mamífero.

– É mesmo? Impressionante. Quanto tempo de vida essa subespécie de ratos tem?

– O grande, cerca de dois anos, e os menores, cerca de 40% a mais.

– Certo. Eles são bem diferentes, não são? Ele está tentando me morder.

– Eu senti esse aqui na pele.

– Deveria ter usado duas luvas.

– Aprendi do jeito difícil!

– O rato maior tem 50% de chances de já estar morto.

– Certo, então ele está bem por estar vivo?

– Na verdade, ele tem sorte de estar vivo. O pequeno provavelmente tem mais um ano.

– Esse carinha viverá o que, equivalente a 120 anos?

– É, exatamente. Mais 30 ou 40 anos humanos.

– Posso pegá-lo?

– Claro. Pela cauda.

– Esse ratinho que estou segurando é na verdade uma criação humana.

A razão para ele ser tão pequeno e ter vivido tanto é porque ele é geneticamente alterado. Tem inacreditáveis baixos níveis dos hormônios de crescimento conhecidos como somatomedinas IGF-1. E parece que o IGF-1 é um fator chave que conecta a restrição calórica com a longevidade. Pistas para essa conexão vêm deste grupo de pessoas que moram em uma região remota do Equador. Eles têm uma rara condição chamada de síndrome de Laron, que afeta menos de 350 pessoas no mundo todo.

– Esse é você? Faz você parecer um gigante, não?

– Eu sou o cara mais alto lá. O mais baixo tem algo em torno de um metro de altura.

– Na altura do meu umbigo. É isso mesmo?

O que interessa a pesquisadores como Valter, não são seus tamanhos, mas sim, o fato deles parecerem imunes a dois dos maiores assassinos do Ocidente. A grande descoberta, com certeza, foi que eles parecem não pegar nem diabetes nem câncer.

– Eles fazem as coisas normais que todos nós fazemos.

– como beber, fumar e tal?

– Sim, eles fazem isso, e mais, para um estilo de vida nada saudável. A maioria deles estão, de certa forma, acima do peso. Parece que não se preocupam com o que fazem. Eles fumam ou comem alimentos altamente calóricos, e então eles olham para mim e dizem, “Não importa. Eu sou imune.” Mas o mais incrível é que não há evidência que algum deles, algum dia, tenha morrido de câncer, enquanto seus parentes “normais” pegam câncer como todo mundo.

Pessoas com Síndrome de Laron têm uma mutação que os deixam pequenos, mas ao mesmo tempo os protegem contra essas doenças.

– É incrível trabalhar com eles. É um grupo ótimo e, claro, para nós, é uma mutação, que pode nos ajudar com diabetes, câncer, doenças cardiovasculares e envelhecimento.

Os aldeões equatorianos e os ratos com vida estendida têm algo em comum. Seus corpos produzem excepcionais baixos níveis do hormônio de crescimento IGF-1. Essa descoberta ajudou Valter a entender o papel da IGF-1 no complicado negócio que é o envelhecimento.

Nosso corpo está normalmente em modo de produção, células constantemente levadas a se dividir pela IGF-1. Mas quando os níveis de IGF-1 diminuem, nossas células mudam para um modo diferente. O corpo diminui a produção de novas células e começa a reparação nas que já existem. Erros no DNA são mais prováveis de serem consertados. E é por isso que os ratos e os aldeões são protegidos de doenças relacionadas a idade.

Mas qual a conexão com a restrição calórica nos humanos? Valter alinhou uma analogia muito simples, muito Californiana. Parece que é algo na comida que comemos que afeta quanto IGF-1 nosso corpo irá produzir. Esse algo é a proteína. Quando comemos muita proteína, nossas células ficam travadas em modo de produção.

– Basicamente é como pisar fundo no acelerador, dizendo, “Vai! Vai!”, certo?

– Exatamente. Isso força a célula a queimar combustível. Em modo de produção, o corpo é mais suscetível a alguns cânceres e diabetes, porque suas células crescem muito rápido para danos serem reparados eficientemente. É como dirigir seu carro o tempo todo e nunca levá-lo ao mecânico. Essa é a chave, basicamente, encontrar uma maneira de evitar que o corpo fique acelerado, e mude para o modo de reparo. “Cuide de mim, melhore meu DNA”.

– Como reduzimos o IGF-1?

– Estudos sobre restrição calórica sugerem que comer menos ajuda, mas não é suficiente. Além de cortar calorias você tem que cortar as proteínas. No geral, isso seria uma ideia muito ruim. É sobre se manter às orientações recomendadas, algo que muitos de nós não conseguem fazer. E não precisa abolir calorias para baixar o IGF-1. Existe outra maneira. Jejum.

Em jejum, há uma resposta muito mais dramática e rápida, e assim, em 24 horas, você diminui o nível de glicose e o nível do principal fator de crescimento, que é o IGF-1.

Eu acho difícil acreditar que alguns dias de jejum fará meu corpo entrar num estado mais saudável. Mas, estou intrigado, e quero conhecer melhor.

De volta a Londres, tive meu nível de IGF medido, e o resultado foi 28.

– Isso é bom? É ruim?

– Isso não é muito ruim, mas não é alto suficiente isso, baseado em alguns estudos, incluindo o nosso, lhe coloca em uma categoria de alto risco para diferentes tipos de câncer, inclusive o de próstata.

Valter acredita que eu obteria resultados expressivos após apenas três dias e quatro noites de jejum. Mas é uma perspectiva assustadora.

– Acho que fazer jejum é difícil, não é? Você já fez?

– Sim, já fiz, fiquei de jejum por quatro dias diversas vezes e para mim é muito difícil mesmo. E ainda que eu pense bem sobre fazer jejum, eu vejo como quatro dias ruins, não estou pensando no futuro. Algumas pessoas conseguem, mas eu não. Sou italiano, eu só penso em comer bem, sabe.

– Eu terei isso em mente. Os italianos só param de comer se estiverem cansados.

– Isso mesmo.

– Obrigado.

Jejum prolongado pode ser perigoso e Valter acha que deve ser feito somente por pessoas saudáveis e preferencialmente sob supervisão. Por isso ele irá me observar.

– Certo. Decidi. Irei tentar esse jejum, que será um jejum de três dias e meio e irei consumir apenas muita água, chá preto, e uma caneca de sopa de 50 calorias, por dia. Meu Deus, nunca fiz nada parecido com isso antes, então imagino que será realmente difícil. Mas, estou interessado. Preciso admitir que estou preocupado com o número de notícias ruins de saúde, que recebi recentemente. Será um desafio, mas
tenho certeza que conseguirei. Quase certeza.

Sendo assim, meu jejum começa. Agora, são 22h30 e estou com fome. Faz quase 25 horas desde minha última refeição e a ideia de ir para a cama com fome não é uma boa. Acho que está me atingindo, porque tive um sonho e no sonho, eu comia um lanche e me senti muito culpado por isso. Era tão real, que procurei migalhas na cama, mas não tinha. Acho que é hora de ir trabalhar.

Uma simples dieta pode realmente mudar como o corpo humano funciona. Isso coloca você em uma categoria de alto risco. Como Valter me alertou, o primeiro dia foi difícil. Não por causa da minha fome, mas porque eu nunca tinha feito algo assim. Era medo do desconhecido. Ao anoitecer, comecei a pensar que era uma péssima ideia. Principalmente jantando com a equipe. Ou melhor, enquanto eles jantam.

– Estou em um restaurante coreano com o resto da equipe. E eles estão comendo. Estão gostando?

– Delicioso.

– O cheiro é bom. Eu não me importaria em comer. Eu estou faminto.

Felizmente, meu jantar me aguarda no hotel. Tive que ir embora, não aguentava mais. Minha deliciosa sopa de missô. Misture um pouco com a caneta do hotel, porque não há talheres aqui. Saudável. 25 calorias.

Estou ansioso. Último dia de jejum. Um delicioso café da manhã, chá preto. Tenho um pouco de tontura, mas no geral estou bem. Só faltam mais 24 horas, e agora estou confiante de que vou conseguir. Aprendi que a fome não vai aumentando, mas que ela vem e passa, como ondas.

Até agora, diminuí a reserva de glicose do meu corpo, que agora começará a queimar a massa gorda. E se Valter estiver certo, meu fígado deve ter parado de produzir tanta somatotrofina, colocando minhas células em modo de reparo.

Finalmente são 7h do quarto dia. Estou fazendo o exame de sangue.

– Depois disso, posso comer?

– Claro.

– A primeira refeição após 3 dias e meio. Primeira refeição após 86 horas. Mas quem está contando?

Espero que mostre algum resultado, principalmente na somatotrofina. Porque passar quase 4 dias sem comer e não obter resultados, seria muito, muito desanimador.

– O jejum acabou.

– Isso é muito… Consigo meio que sentir os espaços vazios. Eu não estava morrendo de fome quando acordei hoje, mas… Quando comecei a comer, percebi que estava precisando.

Mais tarde naquele dia, me encontrei com Valter para saber se tudo valeu a pena.

– Quebrei o jejum esta manhã. Comi mingau e bacon. Sinto-me melhor.

– Ótimo, ótimo.

– Me sentirei até melhor se os resultados forem bom.

– Vamos dar uma olhada. Então, sua somatomedina está no valor normal. A má notícia é que está quase no limite máximo. Para padrões americanos, você está indo bem.

– Não estou ótimo, mas nada mal. Sou um americano comum, não sou?

– É verdade. A boa notícia é que com o jejum, você caiu para quase metade.

– É bastante, não é?

– É uma grande queda. É uma bela queda, você respondeu bem.

– Devo dizer que foi fascinante.

Ver isto é muito, muito surpreendente. Surpreendente e um enorme alívio. Reduzir meu IGF-1 deve cortar o risco de ter certos cânceres, como o câncer de próstata, que meu pai desenvolveu. O açúcar no meu sangue diminuiu para um nível saudável, o que me deixou muito satisfeito.

– Eu o desafio, em 4 dias, a obter mudanças metabólicas mais radicais do que essas com o que você quiser.

– Acho que isso já é bem extremo.

– Sim, mas se encontrar algo que possa fazer, algo que não o prejudique, que o beneficie, e que cause essas mudanças, eu gostaria de saber.

Mas Valter disse que se eu não trocar para uma dieta com menos proteína e mais vegetais, os efeitos não durarão. Também terei que fazer jejum a cada dois meses para manter os benefícios. Eu consigo mesmo me ver fazendo isso?

– Precisa se decidir agora. No seu caso, o que você quer fazer? Há muitos medicamentos que você pode tomar. E é isso que você quer fazer? Se quiser, em alguns anos, daqui a um tempo, você será um típico europeu de 65 anos que toma 8 remédios por dia.

– Essa é uma opção.

– E é sua decisão.

– Muito obrigado.

É uma opção bem interessante. É bem impressionante que, em apenas 3 dias e meio, se os dados estiverem certos assim como os de animais, eu tenha diminuído meu risco consideravelmente de desenvolver uma série de doenças relacionadas à idade. A minha grande dúvida no momento é… Consigo fazer jejum uma vez por mês por quanto tempo for necessário? Ou se há um modo melhor e diferente, um modo mais sutil, que traga os mesmos resultados deste modo, mas talvez com um pouco menos de dor.

O que descobri sobre mim mesmo é que o maior problema com longos jejuns… Sou eu.

– Precisa se decidir agora.

Fazer jejum é difícil. Apesar de saber de todos os benefícios maravilhosos, eu não consigo me forçar a fazer isso. Mas a melhor coisa sobre a ciência é que sempre há alguém indo mais além, construindo sobre o que outros já realizaram. É por isso que estou em Chicago. Aqui, eles estudam não só ratos, mas também humanos. E parece que acharam uma maneira de tornar o jejum muito mais saboroso. Vim me encontrar com a Dra. Krista Varady, que tem pesquisado algo que parece ser muito mais fácil. Jejum alternado.

– Olá.

– Oi.

– Prazer em conhecê-la.

– Prazer. Me chamo Krista Varady.

– Então, o que você tem?

– São alguns alimentos que usamos em uma dieta de jejum alternado. Trata-se, basicamente, de um dia de forte restrição calórica. Para mulher, de 400 a 500 calorias por dia. Para homem, de 500 a 600 calorias por dia. É apenas uma refeição, em torno da hora do almoço. Chamamos de dia de jejum.

– Então o jejum não se trata de total abstinência.

– São refeições que se parecem com essa.

A melhor parte do jejum alternado é o que acontece nos dias intercalados. Eles são alternados com dias que chamamos de dia de nutrição, que é quando você pode comer o que quiser. Absolutamente tudo que você quiser. Então este é o padrão do jejum alternado.

Dia de jejum.
Dia de nutrição.
Dia de jejum.
Dia de nutrição.

Certamente parece mais fácil do que o jejum prolongado ou da restrição calórica diária que eu vi antes. Mas é tão efetivo? Krista está fazendo testes com indivíduos obesos, que sugerem que pode ser.

– Nós vimos que o grupo do jejum alternado perdeu, de fato, um pouco mais de peso. Cerca de 2,5kg a mais após o período de 6 meses. Também obtiveram boas quedas do colesterol LDL, e também do triglicérides. O colesterol LDL é o colesterol ruim, e grandes níveis de triglicérides podem levar a doenças cardíacas e relacionadas à idade. Também vimos consideráveis quedas na pressão sanguínea ao longo dos testes.

Novamente, outro fator chave para doenças cardíacas. Além dos testes limitados em humanos, há muitas boas evidências de estudos em animais de que o jejum alternado é seguro e efetivo. Estou convencido o suficiente para tentar.

– Ontem jejuei. Hoje eu como. Espero que, que tenha retorno.. Muito fácil.

– Passeio misterioso!

– Eu gosto disso!

– Olá, sejam bem vindos.

– Posso anotar seu pedido?

– Ótima escolha!

Eu, particularmente gosto dessas comidas gordurosas. Preciso admitir, estou surpreso de estar aqui. Meio que imaginei que me colocaria em um tipo de, sabe, dieta vegetariana ou algo parecido. Muita salada ou algo assim nos dias de alimentação?

– Não, desde que você esteja dentro dos limites no jejum, você pode comer o que quiser nos dias de nutrição.

As recentes pesquisas de Krista comparou dois grupos de jejum em dias alternados, um comendo alto e o outro baixo teor de gordura, nos dias de nutrição.

– Estou preocupado com minha pressão arterial, com meu colesterol, e sobre várias outras coisas. E isso, de certa forma, não será pior comendo mais gordura?

– Isso é o que todos pensamos que aconteceria. E então, para nossa surpresa, nós vimos a mesma diminuição no colesterol LDL, que é o colesterol ruim, e no triglicérides, e também na pressão arterial. Em termos de riscos de doenças cardiovasculares, não importa se você faz dieta com muita ou pouca gordura. Outra grande surpresa foi que, após um dia de jejum, as pessoas raramente comem muito nos dias de nutrição. Quando pedimos para alguém consumir 25% de suas energias necessárias no dia de jejum, eu só pensei nisso quando começamos esses testes, essa pessoa precisaria comer 175% no outro dia. Mas, ao serem liberadas a comer não importa o que, as pessoas não conseguem comer esses 175% no dia seguinte. A maioria come cerca de 110%. Na verdade, comem um pouco a mais do que costumam.

– Você parece estar desacelerando o processo de envelhecimento, ou as doenças que estão associadas a isso.

– Você está diminuindo os riscos de ter essas doenças associadas, o que é muito importante.

– É. Com certeza.

A pesquisa de Krista ainda está nos estágios iniciais. Mas pelo que eu tenho visto e experimentado, estou começando a ser conquistado pela ideia de que um padrão simples de comer bem e jejuar pode ser poderoso. Parece haver um impacto que vai além de comer menos. E creio que possa funcionar para alguém como eu.

Meu ponto final é Baltimore. Estou aqui porque preciso de um pouco mais de motivação. Existe um aspecto da idade que é mais assustador que os outros. Os efeitos da idade em meu cérebro. Estou tentando um encontro com o professor Mark Mattson. Mark é um especialista em envelhecimento cerebral. Suas pesquisas sugerem que fazer jejum pode ajudar a retardar o aparecimento de doenças como Alzheimer, demência, e perda de memória.

– Muito bem!

– Como está?

– Olá! Michael Mosley.

– Mark Mattson.

– Você trabalha aqui!?

– Aqui? Não! Não, eu trabalho fora daqui!

– OK, Michael. Precisamos calçar essas botas! Iremos descer até o porão do Instituto Nacional de Envelhecimento.

– Certo?

– Sim.

Escondido lá em baixo, há um rato especial que ele está ansioso em me mostrar. Esse rato está explorando um labirinto. É um teste de memória, para sabermos se ele se lembra bem onde encontrou comida antes.

– A comida está ali, certo?

– A comida está aqui.

Os ratos que eles estudam irão desenvolver Alzheimer. Normalmente, eles morreriam em um curto período de tempo. Mas quando esses ratos são colocados em dieta de dias com muita comida e dias de jejum, o que Mark chama de “restrição energética intermitente”, os resultados são incríveis. Os animais em restrição energética intermitente, viverão mais tempo que o normal, pelo menos, os que pudemos testar, aprendendo e com memória normal, antes de terem problemas.

– Significativamente mais?

– É. Muito mais notável. Encontramos durante o estudo, de seis meses a um ano. Isso em um humano é equivalente à diferença entre desenvolver sinais de Alzheimer com 50, para 80 anos?

– Algo assim? Certo?

– É.

– Por outro lado, quando os ratos se alimentam só de fast-food, tendem a piorar muito cedo.

– Deram… Muitas bebidas doces?

– E uma dieta gordurosa, exato. E colocamos frutose em suas águas, e isso teve um efeito dramático. Os animais terão precocemente problemas com aprendizado e memória.

– Quanto antes?

– Três ou quatro meses.

– Isso é equivalente a desenvolver Alzheimer com 30 ou 40 anos?

– Isso.

Até agora, eles apenas estudaram em ratos, mas estão próximos de testar com humanos. Qual seria o efeito de revelar que, se alguém como eu iniciasse jejuns intermitentes, poderia diminuir os riscos de doenças cerebrais, em geral?

Eu acho, que do ponto de vista humano, em uma escala de ruim para bom, para muito bom, para excelente, para fantástico, isso está na faixa do muito bom para o excelente. É dessa forma que eu iria classificá-lo.

O que está acontecendo?

Quando examinaram os cérebros dos ratos em jejum, foi encontrado algo extraordinário. Esses objetos verdes são células cerebrais recém nascidas. Surtos esporádicos de fome gera o surgimento de neurônios. Por que o cérebro começa a gerar novas células nervosas quando param de alimentá-los?

Se pensarmos em termos evolucionários, faz sentido se você tem fome, é melhor subir sua capacidade cognitiva. Isso lhe dará uma vantagem para sobreviver, se puder lembrar onde está a comida, e assim por diante.

Parece que o jejum realça seu cérebro, assim como exercícios realçam seus músculos.

– Fome nos deixa mais atentos?

– Sim. Acreditamos que sim.

A pesquisa de Mark aponta para uma conclusão simples. Alternar dias de jejum tem melhores efeitos no cérebro do que diminuir a quantidade diária de calorias. Em ratos é verdade, mas precisam ser feitos os testes em humanos para provar que é verdade para nós.

Cheguei ao fim da minha pesquisa para descobrir como comer, jejuar e viver mais. A recomendação oficial é ingerir pelo menos 2 mil calorias por dia, e se realmente quiser jejuar, mesmo que intermitentemente, fale com seu médico primeiro, porque há pessoas que podem se prejudicar, como mulheres grávidas, ou quem estiver abaixo do peso.

Serei cauteloso, e optei pela técnica recomendada por Mark. Não dias alternados de jejum, algo menos extremo, uma dieta 5 por 2, cinco dias comendo normalmente, seguido por dois de jejum, isso semanalmente.

É meu último dia nos EUA, e foi bem esclarecedor. Não fazia ideia de que existiam tantas pesquisas em andamento sobre jejum, restrição calórica de todas as formas, um tipo de pesquisa anti-envelhecimento.

Eu definitivamente irei tentar a dieta 5 por 2, cinco dias comendo normalmente, e então dois dias com 600 calorias por dia. Espero realmente que faça alguma diferença, porque estou consciente que agora que estou realmente no que poderia ser, um rápido envelhecimento, e se existir algo que desacelere esse processo, e me der alguns anos a mais de boa saúde, eu adotaria essa ideia.

Estou voltando para casa na Inglaterra. Decidi me dar cinco semanas para me acostumar com a dieta, e ver se dá algum resultado. Esse será um dos meus dias de jejum, e decidi que o café da manhã será minha refeição principal.

Mark Mattson me disse que acha que não importa quando você ingere calorias em um dia de jejum. Eu tentei outras coisas, mas é muito desanimador ir para o trabalho quando você se sente faminto.

Existe outra razão que me faz decidir tentar este regime. Quando cheguei em casa, tive outro teste IGF-1. Irritantemente, meus níveis eram mais altos do que nunca. Os efeitos duramente conseguidos durante o jejum, duraram pouco. Espero que seja algo que eu possa manter.

Bom. Está feito. São 13h40, e eu não sinto nenhuma fome, apesar de ser a hora do almoço, então se não há mais nada, acho que vou sair por aí.

Descobri que jejuar enquanto estou ocupado é possível, mas o próximo grande teste é o meu feriado.

Estou caminhando com alguns amigos. Estamos caminhando por toda a Trans-Pennine Way. Tive um café da manhã hoje, há cerca de duas horas, e estou pensando em comer o próximo café de amanhã.

Até agora estou me sentindo muito bem. Agora são cerca de 19 horas. Não como há 12 horas. Os outros estão atrás de mim em um barzinho comendo, então decidi vir aqui pra fora por um momento, porque… Não sou tão forte como achei que fosse. Meu estômago está começando a roncar, mas está tudo bem.

Já faz cinco semanas desde que comecei a dieta cinco por dois.

Cachorro malvado.

Planejei encaixar dois dias de jejum de 600 cal por semana. Embora tendam a ser um pouco separados. Mas tem sido o suficiente para fazer a diferença?

Hoje é o dia dos resultados. Sei que eu perdi algum peso e logo descobrirei quanto mas estou interessado principalmente no sangue, pois cinco ou seis semanas atrás ele estava muito mal. Estava com alta taxa de glicose, colesterol e IGF. E eu realmente quero vê-los melhorar, porque, francamente, se não tiverem melhorado, estou em apuros e quero continuar jovem e saudável, pela minha família e por mim.

Estou muito ansioso, porque isso importa muito pra mim. Só pra lembrar, eu era assim no início desse filme. E hoje estou assim. Tive que adicionar alguns novos buracos em meu cinto, então sei que alguma coisa mudou, mas quanto?

Certo, o momento da verdade, em que descubro quanto peso perdi. Este é um tipo especial de balança que vai medir meu peso com precisão, mas também minha gordura corporal. Isso é fantástico! São 78,83kg, que significa que perdi muito mais que uma pedra. Minha gordura corporal antes estava em 27% e agora está abaixo de 20. Isso é muito, muito satisfatório. Eu me sinto bem, e minha família disse que pareço mais magro. Não tem sido tão difícil, e estou contente por não estar mais na categoria de sobrepeso. Mas o que realmente quero saber é o que mudou dentro de mim. O Prof. Luigi Fontana está prestes a me mostrar meus resultados.

– Oi, Michael!

– Oi, Luigi, como você está?

– Estou bem e você?

– Estou muito bem.

– Tenho seus resultados. Jejuando apenas dois dias por semana, você teve grande impacto na sua saúde cardiometabólica e estou muito orgulhoso de você.

– Mas o que aconteceu com meu IGF-1? Meu corpo ainda está no modo de produção?

IGF-1 é o principal fator de risco para o câncer. Câncer de mama, de próstata, de colorretal.

Ambas as dietas de três dias e meio e de cinco semanas intermitentes baixaram seu IGF-1 em 50%. Que é o bastante para reduzir meu risco
para certos tipos de câncer. Mas e sobre minha glicemia, que estava quase diabético?

– Sua glicose caiu para 90.

– Certo.

– Fantástico. Então sua glicose está normal novamente.

Meu resultado final é o colesterol.

– Você teve uma redução no colesterol total, e um aumento no colesterol bom.

Isto mostra quão pouco é necessário para melhorar sem remédios e sem tomar medicação. Não foi um esforço tão pequeno, mas cortei meu risco de desenvolver doenças que poderiam encurtar a minha vida.

– Obrigado. Devo viver feliz a partir de agora, certo?

– Não sei se você viverá mais feliz, mas você tem um risco menor de desenvolver doenças.

– Muito obrigado mesmo, Luigi.

– Por nada.

Estou muito satisfeito. Realmente muito satisfeito. Isto foi muito melhor do que eu esperava. Queria compartilhar com minha esposa Claire, que é uma Clínica Geral, os meus resultados.

– Este é meu IGF, que é meu risco de câncer por envelhecimento. Este caiu até a metade, com a dieta de dois dias de jejum.

– Todos têm mostrado a melhora que você, de certo modo, esperou.

– Sim.

– Isto mostra, basicamente, que você não terá que tomar nenhum daqueles comprimidos no momento.

– Não.

– Se você conseguir continuar. Bom, você parece muito bem.

– Obrigado.

Estou muito satisfeito. Tenho que dizer que realmente foram ótimas notícias. Os resultados foram certamente fantásticos para mim, mas isso não significa que o jejum intermitente funcionará para todos.

É muito importante que eles façam mais testes em humanos, para descobrir se, a longo prazo, é seguro e efetivo. Mas tendo experimentado o jejum intermitente, planejo continuar fazendo.

Ele parece ter desfeito alguns dos danos que fiz ao meu corpo ao longo dos anos. É muito comovente olhar nas minhas fotografias e membros da minha família crescendo e ficando mais velhos, mas isso não me faz querer voltar no tempo.

Eu acho que envelhecemos, que devemos envelhecer, e que há pouco o que podemos fazer sobre isso. Mas jejuar é algo diferente. Não é sobre viver até os 140 anos, é sobre continuar saudável por quanto tempo você puder, e como uma bomba relógio estamos enfrentando como uma nação, com a obesidade e o diabetes aumentando, precisamos  urgentemente de algo que possa fazer a diferença.

O jejum é a primeira coisa que me veio que eu realmente acredito que, se levado a sério pelas pessoas, poderia transformar radicalmente a saúde da nação. Espero que continuemos a ver pesquisas maciças nessa área. Fazer esse jejum foi uma das mais interessantes, não, eu diria a mais interessante viagem, ou filme, como queira chamar, que eu já participei.

E eu nunca disse isso antes.

Veja também:

Coma, Jejue e Viva Mais (Eat, Fast and Live Longer) – 2012
(Documentário para download)

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