Ex-morador de rua supera dificuldades e hoje fatura R$ 4 bilhões

13.out.2014 ]

Folha-de-Alphaville-Fly-Tour-sr

Hoje eu tenho uma empresa, mas eu digo que elas não existem. Quem existem são as pessoas e são elas que fazem as empresas”. Foi desta forma que Eloi D’Avila, fundador da Flytour, empresa especializada em serviços de viagens, começou a contar sua história de empreendedorismo e superação, durante a 7ª edição do Day, evento idealizado pela Endeavor.

Com pouco mais de oito anos de idade, D’Avila fugiu de casa, em Porto Alegre, para se aventurar em São Paulo. Ainda criança, trabalhou com tudo para sobreviver: lavava carro, vendia jornais, engraxava sapato. Nessa época, dormia em um albergue debaixo de um viaduto. A experiência deixou marcas que sobrevivem ao tempo. Até hoje, o empresário carrega marcas de cigarro que usavam para acordá-lo. “Eu tive uma trajetória extremamente difícil, mas eu posso dizer que foi uma grande oportunidade para mim”, relembra.

Em meio a tantas dificuldades, o gaúcho encontrou um caminho para mudar os rumos da sua sorte justamente em uma das regiões mais movimentadas de São Paulo: a Praça da Sé. Foi ali que D’Avila conheceu o Seu Manuel, um aposentado pra quem contou que havia fugido de casa, mas que não queria voltar. Comovido com a história do menino, o aposentado o ajudou oferecendo trabalho em sua própria casa, onde Eloi ficou até completar 12 anos de idade.

Com pouca idade, mas já com alguma maturidade alcançada diante das dificuldades que a vida impunha, o menino partiu para o Rio de Janeiro tentar a sorte.”Eu consegui fazer muita coisa, e das coisas que eu fiz, eu aprendi. Aprendi que para conseguir alguma coisa você tem que guardar sua humildade. A arrogância é a maior ignorância de alguém. E eu sempre guardo isso comigo”, conta.

Na capital fluminense, arranjou emprego lavando e guardando carros. Foi nesta época que ele conheceu um guia turístico que mudou sua vida. “Ele me deu um pouco de oportunidade: me apresentou para a vovó Stella”. A ajuda de Stella o ajudou sair das ruas. Primeiro, recuperou a dignidade perdida nos seus tempos de morador de rua. Por anos a fio, sua cama foi um sofá de 2 lugares. A falta de conforto era compensada com carinho e todos os cuidados básicos que ele não possuía. O acesso a educação e a saúde vieram logo em seguida, junto com a oportunidade de aprender o ofício de officeboy.

As dificuldades indicaram caminhos e D’Avila encontrou no turismo uma oportunidade. O empresário percebeu que as agências de turismo não sabiam vender. “Em um empreendedor é fundamental isso: acreditar no que gosta e ir atrás. Não desistir nunca”. Para ele, quem inicia qualquer natureza de negócio, precisa ser também um vendedor. Funcionou para D’Avila. A empresa que fundou fatura, hoje, R$ 4 bilhões. O segredo para manter os pés no chão ele não esconde: todas as manhãs, quando Eloi chega no trabalho, olha para o sofá. O gesto simples guarda o que o empresário considera fundamental para seguir uma trajetória profissional bem sucedida. “Olho para ele (o sofá) e já fico humilde. Na hora, lembro de onde saí”.

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