Reiki e o testemunho de uma doente oncológica

Marta Pacheco, Terapeuta e Mestre de Reiki.

Marta Pacheco, Terapeuta e Mestre de Reiki.

por João Magalhães

O Reiki apresenta-se como uma terapia complementar, natural, não manipulativa, para o bem-estar da mente e do corpo. A prática atua sobre todo o sistema orgânico, emocional, mental, energético e espiritual da pessoa. O empoderamento que a prática traz, possibilitando à pessoa uma capacidade de encarar a doença e ter força para lidar com o seu dia-a-dia. Este é o testemunho de uma pessoa com doença oncológica, que recebeu tratamento ao longo de 18 sessões, todas as semanas, pela terapeuta Marta Pacheco. Felizmente, este é mais um dos casos em que a homeostasia da pessoa encontrou o equilíbrio. Reiki é apenas uma terapia complementar que serve como suporte a todo o tratamento médico. – João Magalhães

A patologia oncológica é uma das principais causas de morte em Portugal, sendo igualmente responsável por uma elevada morbilidade. Nos últimos anos esta patologia tem sido alvo de diversas estratégias no sentido de optimizar a utilização das opções terapêuticas e diagnósticas disponíveis. A doença oncológica traduz-se assim numa situação crônica, muitas vezes debilitante e, outras tantas vezes fatal, que atinge cada vez maior número de indivíduos. Mas, esta patologia tem outros condicionantes muito próprios. Por um lado, os tratamentos cirúrgicos, de quimioterapia e de radioterapia que permitiram aumentar o tempo de vida dos doentes oncológicos e mesmo assim atingir situações de cura, mas, por outro lado, são estes mesmos tratamentos que condicionam alguns dos maiores estigmas associados à doença.

Atualmente, sabemos que existem alguns factores ambientais que podem provocar o câncer, como é o caso do tabaco, o excesso de álcool, má alimentação, entre outras. Estas descobertas vieram desencadear todo um movimento para tentar alertar a população para a importância da prevenção através da adoção de estilos de vida mais saudáveis. Porém, sabemos também há muito que esta relação entre meio ambiente e comportamento é fortemente influenciada e modelada pela personalidade de cada individuo, o que vem dificultar e muito, a mudança de comportamentos (Silva, 2002). Alguns factores de personalidade podem, também eles, contribuir para o surgimento e desenvolvimento de doenças como o câncer, constituindo atualmente um dos mais ricos, promissores e interessantes territórios de pesquisa em Oncologia (Holland, 2002).

Neste momento, estou a acompanhar uma doente oncológica desde o dia 6 de fevereiro, todas as sextas feiras, ao todo já foram realizadas até hoje 18 sessões. Desde que esta a fazer o tratamento de reiki como complemento, sente-se mais forte para enfrentar as sessões de quimioterapia que a deixam completamente de rastos e sem força.

O caso desta minha paciente é bastante delicado, pois quando chegou a mim estava com 50% de urina no sangue, maioria dos órgãos afetados, o lado direito sobretudo, com um saquinho a drenar o rim direito e o uso de fralda noturna, pois não havia sensibilidade na retenção da urina, e não conseguia libertar as fezes.

Perante este estado não sabia o que fazer e o que dizer… Porque apesar do estado físico deteriorado, o nível psicológico estava bastante sensível, pois esta patologia surgiu de um erro médico, onde na qual nunca ouve até hoje um pedido de desculpas. Pedi aconselhamento a minha mestre, Sílvia Oliveira, e segui a voz do meu coração. Semana após semana, mês após mês, a Adelaide apresenta melhorias físicas.

Ao longo das semanas, cada sessão de reiki era uma aventura, sempre com histórias para contar, é inevitável não haver envolvimento entre paciente e terapeuta, e nestes diálogos, muito importantes para a paciente, a sua força interior foi crescendo, chegando a cada consulta com um grande sorriso, dizendo sempre «Martinha vamos vencer esta luta…» Claramente, que na semana das sessões de quimioterapia, chegava as consultas de reiki muito cansada, a cada sessão de químio a dose era aumentada, e já vai na sétima sessão. A medica oncológica que acompanha a Adelaide no hospital de Guimarães, deu os parabéns pela iniciativa da paciente na procura da medicina alternativa, referindo até que desconfiava que tal estivesse a acontecer, tendo em conta a aparência apresentada pela Adelaide.

Para Jung ( 1986), a espiritualidade não está obrigatoriamente associada à fé religiosa, mas sim à relação transcendental da alma com a divindade e na mudança que daí advém. A espiritualidade estaria assim relacionada com uma atitude, uma ação interna, uma ampliação da consciência, um contacto do individuo com sentimentos e pensamentos superiores e no fortalecimento e amadurecimento que esse contacto poderá trazer para a sua personalidade. A Adelaide teve experiência transcendental com a Terapia de reiki, não só no que diz respeito a prática de cura natural, como na prática da filosofia de vida que o reiki nos faz vivenciar, os cinco princípios, a acreditar que tem de viver um dia de cada vez, sendo Grata todos os dias por cada momento mágico que tem na sua vida, com os seus netos que tanto fala, dizendo: Martinha, quando ficar boa vou cuidar dos meus netos como não pude cuidar dos meus filhos.

Hoje em dia, existe um consenso cada vez maior em relação à importância e peso que a religiosidade e a espiritualidade têm na Qualidade De Vida dos doentes em geral, e dos doentes oncológicos em particular (Miller & Thoresen, 2003), existindo atualmente alguns estudos que apontam para a existência de uma relação importante entre bem-estar espiritual (BEESP) e melhor qualidade de vida (QDV) (Brady, Peterman, Fitchett, Mo & Celia, 1999; Cotton, Levine, Fitzpatrick, Dold & Targ, 1999).

O doente que apresenta um maior bem-estar espiritual, é levado a experienciar uma maior e mais profunda compreensão sobre o significado e propósito da vida, deixando de focar-se apenas nos seus problemas, para passar a adotar uma visão mais holística sobre a vida. Este novo enfoque, por seu lado, pode provocar uma diminuição dos índices de estresse crônico a que os doentes oncológicos normalmente estão sujeitos, permitindo ao doente descontrair-se e relaxar, levando assim o organismo a produzir aquilo que Benson (1984) denominou por The Relaxation Response. Em 1996, lançou seu último livro “Medicina Espiritual” no qual afirma com convicção: “[…] nos meus 30 anos de prática da medicina, nenhuma força curativa é mais impressionante ou mais universalmente acessível do que o poder do indivíduo de cuidar de si e de se curar”. E destaca: “Os anseios da alma – a fé, a esperança e o amor – são eternos, inclinações naturais que o pensamento ocidental moderno reprimiu, mas jamais subjugou”.

Neste momento, a Adelaide apresenta melhorias significativas, os intestinos funcionam melhor, tem uma maior sensibilidade na retenção urinária, as pernas já não incham com tanta frequência, tem noites tranquilas e não perdeu peso, sendo que esta sempre com um grande apetite, e os órgãos estão a estabilizar. A nível psicológico, apresenta muita força, com grande vontade de viver, mas com uma aceitação clara da doença, onde o seu lema é viver o dia a dia. Mais do que tudo isto, o quisto desapareceu, vai realizar a ultima sessão de quimioterapia (oitava), e a realização de exames específicos, verificar como estão as células entre outros. As sessões de reiki continuarão com o objetivo de fortalecer o sistema imunológico, ajudando-a na recuperação.

E por tudo isto que acredito que todos os recursos disponíveis, inclusive os de ordem espiritual, que encorajem a cura, o ajustamento psicológico e uma melhor Qualidade De Vida dos doentes, devem ser seriamente considerados. Devem ver a sua validade comprovada ou infirmada, não de acordo com os critérios de apenas uma parte da comunidade científica, por mais importante que ela seja, mas sim através das implicações clínicas que estes possam provocar.

Numa sociedade leiga como a nossa, o espiritual continua a não ser reconhecido, ou pior, é suspeito por ser confundido com o religioso, enquanto que a negação da morte e a onipotência da técnica têm contribuído largamente para a “secura” espiritual que observamos diariamente na maior parte das unidades de cuidados de saúde.

Referências Bibliográficas

Barros, J. (2004). Psicoiogia positiva. Porto: Ediçôes Asa.

Benson, H. (1996). Timeless healing: The power and bioiogy of belief New York: Simon and Schuster.

Benson, H. (1984). Beyond the relaxation response. New York: Berkley Books.

Brady, M., Peterman, A., Fitchett, G., Mo, M., & Celia, D. (1999). A case for including spirituality in quality of life measurement in oncology. Psycho oncology, 8, 417- 428.

Cella, D., Tulsky, D., Gray, G., Sarafian, B., Linn, E., & Bonami, R (1993). The functional assessment of cancer therapy scale: Development and validation of the general measure, journal of Clinical Oncology, (3), 570-579.

Frankl, V (1963). Man’s search for meaning. New York: Washington Square Press.

Frankl, V (2000). Man’s search for ultimate meaning. New York: Basic Books.

Frankl, V ( 1986). The doctor and the soul. New York: Vintage Books.

Goleman, D. (2003). Inteligencia emocional. Lisboa: Temas e Debate.

Holland, J. (2002). History of psycho-oncology: Overcoming attitudinal and conceptual barriers. Psychosomatic Medicine, 64, 206-221.?Haynal, A., Pasini, W, & Archinaro, M. ( 1998). Medicina psicossomática: Perspectivas psicossociais. Lisboa: Climepsi Editores.

Jung, C. (1986). A natureza da psique. Petrópolis: Vozes.

Miller, W., & Thoresen, C. (2003). Spirituality, religion and health: And emerging research field. American Psychologist, 58(1), 24-3

Peterman, A., Firchett, G., Brady, M., Hernandez, L, & Celia, D. (2002). Measuring spiritual well-being in people with cancer: The functional assessment of chronic illness therapy-spiritual well-being scale (FACIT-Sp). Annals of Behavioural Medicine, 24(1), 49-58,

Post, S., Puchalski, C, & Larson, D. (2000). Physicians and patient spirituality: Professional boundaries, competency, and ethics. Annals of Internal Medicine, I32{7), 578-583.

Silva., P (2002). A educação para a saúde e o marketing social: Aspectos relacionados Com a prevenção do cancro. In M. Dias & E. Dura (Eds.). Territórios da psicologia oncológica, 189-21. Lisboa: Climepsi Editores.

Webster, K., Celia, D., & Yost, K. (2003). The functional assessment of chronic illness therapy (FACIT) measurement system: Properties, applications, and interpretation. Health and Quality of Life Outcomes, (79). http://www.hqlo.com/content/1/1/79

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