O encantador de búfalos

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Antonio Trierweiler é veterinário especializado em bubalinos. Mas o que o torna diferente é o fato de amansar e atrair os animais por meio do som de música gospel tocada no violino

Ana Flávia Hantt

No interior do município de General Câmara, depois de andar por estradinhas de chão serpenteantes e um tanto quanto esburacadas, chega-se a uma fazenda onde se cria búfalos para reprodução, trabalho no campo e corte. Nada anormal para uma região que possui inclusive uma festa para homenagear o animal. No entanto, na morada de tijolos à vista do veterinário Antonio Trierweiler, os búfalos se tornam muito mais do que simples animalões de cerca de uma tonelada cada.

A música os transforma. Mas não é qualquer melodia. Os bubalinos reagem a uma música em especial: a música gospel Amazing Grace. Quando tocada por Trierweiler, os animais começam um trote silencioso pelas pastagens. Os búfalos são atraídos pelo som, mesmo estando a 200, 300 metros de distância.

Mais do que ter um gosto refinado por música clássica, os búfalos do veterinário se tornam carentes ao ouvi-la. Querem carinho, atenção. Querem ser alisados e mimados. Animais que possuem força para serem comparados a tratores e uma cara preta nem sempre amistosa tornam-se dóceis animaizinhos de estimação. E tudo, garante Trierweiler, devido à música.

Esta reação foi notada pelo veterinário de 46 anos em 2003. Integrante das orquestras de Lajeado e da Universidade de Santa Cruz do Sul, ensaiava no alpendre de sua casa, quando dois animais que estavam sendo preparados para a Expointer reagiram à melodia. “Toquei várias músicas e nesse ínterim eles apenas olhavam na minha direção e continuavam a pastar. Foi então que comecei a tocar Amazing Grace e para minha surpresa eles vieram ao meu encontro.” Como profissional especializado em bubalinos, resolveu fazer experiências: tocou em épocas e horários diferentes. Os animais? Sempre reagiam à canção.

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ENCANTADOR DE BÚFALOS

No mesmo ano, Antonio Trierweiler ganhou a denominação de encantador de búfalos na Expointer. Munido com seu violino, saiu tocando a música pelo parque de exposições na cidade de Esteio, tendo em seu encalço os dois búfalos que participavam da competição. Assim, acabou amansando os animais.

Trierweiler iniciou a criação de búfalos em 1980, sendo que o gosto pela espécie deve-se às suas qualidades intrínsecas, como longevidade, rusticidade e fertilidade. A docilidade é outro fator que atraiu o veterinário. Atualmente, dos 77 animais que possui, alguns são tão amorosos que passaram a praticamente integrar a família do veterinário.

O búfalo Índio, um touro de 990 quilos e seis anos de idade, é, literalmente, o cachorrinho da família. Animal de estimação de Carlinhos, de cinco anos, filho do veterinário, é tri-grande campeão da sua raça e nunca foi vendido por ser o preferido do menino. Desde um ano de idade, Carlinhos monta em seu lombo e passeia pelo quintal da casa.

Esse é também o caso de Marajó, um macho de seis anos amansado para montaria, tração e para o arado. No seu rebanho de cria, uma fêmea conhecida como 47, ao ver o criador se aproximar, fica quieta, apenas esperando receber carinho. “Quem conhece búfalos sabe que eles andam todo o tempo juntos. Ela chega a se separar do resto para me esperar”, mostra, ao mesmo tempo em que afaga o animal.

A docilidade de alguns, inclusive, os salvou do abate. O búfalo 16, que integra o rebanho de engorda, não será vendido para corte por já ter conquistado a afeição de Antonio. Quando toca sua canção, o animal se aproxima do músico e não se afasta até ter satisfeito completamente a sua necessidade de atenção.

O SEGREDO

Apesar de ser técnico de registro genealógico da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos e músico desde criança, Antonio Trierweiler não sabe por que a música Amazing Grace em particular surte efeito nos bubalinos. O músico suspeita que seja a vibração das notas, que, de alguma maneira, soa familiar aos animais. Com memória de fazer inveja a qualquer humano, os búfalos, uma vez amansados ou adestrados, não esquecem o aprendizado, assim como também não esquecem os maus tratos.

Da mesma forma, quem assiste Antonio Trierweiler atraindo dezenas de búfalos pelas pastagens de sua fazenda apenas com o som do violino não esquece. E mesmo não sabendo como isso acontece, o veterinário sabe o suficiente para manter uma relação de amizade com os seus animais. “Não devemos ter raiva nem medo, pois a adrenalina provocada por estes sentimentos é percebida pelo faro, provocando neles uma reação de hostilidade por representarmos perigo a eles.” O segredo, então, é entrar nas pastagens com o coração aberto? “De coração aberto e violino em punho.”

fontes:
Revista Exceção, Ano 4, num.4, 2009.

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