Descobertos indícios de conexão entre celulares e câncer

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Risco para homens

Um estudo com duração de dois anos, patrocinado pelo Programa Nacional de Toxicologia dos EUA, concluiu que há um pequeno aumento em dois tipos de câncer em animais de laboratório expostos ao tipo de radiação que os telefones celulares emitem.

Com o uso generalizado do telefone celular, as implicações dos resultados são substanciais se eles forem replicados em seres humanos, afirmaram os pesquisadores.

Curiosamente, não foi observado nenhum aumento nos tumores no cérebro ou no coração dos ratos do sexo feminino. Mas, entre os ratos machos, cerca de 3% desenvolveram um tipo de câncer no cérebro conhecido como glioma maligno, e 6% desenvolveram tumores cardíacos denominados schwanomas.

Estes dados referem-se a experimentos com 1.000 ratos, mas o estudo inclui outros 1.500 camundongos, para os quais os dados ainda não foram divulgados.

Longevidade

Também curiosamente, os animais submetidos à radiação dos telefones celulares viveram, em média, mais do que os animais de controle, não submetidos à radiação. Os pesquisadores não têm ainda nenhuma hipótese para explicar essa variação.

Outra particularidade do estudo foi que nenhum dos ratos de controle desenvolveu câncer, quando a incidência típica de gliomas e schwanomas em ratos normais é de cerca de 2% e 1%, respectivamente.

Ciência e polarização

Os cientistas têm pesquisado um possível vínculo entre os telefones celulares e problemas à saúde há vários anos. Embora os resultados sejam conflitantes, já foram suficientes para que a OMS reconhecesse que “celular pode causar câncer”.

A divulgação deste novo estudo gerou reações polarizadas entre os especialistas, com a interpretação dos resultados variando largamente de um cientista para outro – de um lado, alguns parecem reforçar demais a significância dos resultados, enquanto outros parecem esquecer-se totalmente da ciência e emitir opiniões pessoais exacerbadas.

“Onde as pessoas estavam dizendo que não há nenhum risco, eu acho que isso acaba com esse tipo de declaração,” ponderou o professor Ron Melnick, que liderou o início do projeto, mas se aposentou antes do término dos experimentos.

“Eu não vou deixar de usar meu celular por causa desta pesquisa,” preferiu Kevin McConway, da Open University (Reino Unido).

Os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA, patrocinadores do estudo, por sua vez, divulgaram uma nota enfatizando não o resultado do novo estudo, mas a falta de evidência de risco de câncer encontrada em estudos anteriores.

 

http://www.diariodasaude.com.br

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