Capitalismo corrompe valores morais

14.05.2013 ]

Moralidade de mercado

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Muitas pessoas expressam objeções contra o trabalho infantil, a exploração dos trabalhadores ou a produção de carne envolvendo crueldade contra os animais.

Ao mesmo tempo, porém, essas mesmas pessoas ignoram seus próprios padrões morais quando se defrontam com essas questões em um “ambiente de mercado” – quando estão comprando coisas, e fazem vista grossa para como os bens foram produzidos.

Mas como isso acontece?

É o que Armin Falk (Universidade de Bonn) e Nora Szech (Universidade de Bamberg) discutem na última edição da conceituada revista “Science”.

Em comparação com as decisões não-mercantis do dia-a-dia, as normas morais são significativamente mais relaxadas quando as pessoas atuam na compra e na venda.

Nos mercados, as pessoas parecem simplesmente ignorar seus padrões morais individuais, afirmam os pesquisadores.

Vida ou dinheiro

Em uma série de diferentes experimentos, várias centenas de participantes foram confrontados com a decisão moral entre o recebimento de uma quantia monetária para matar um rato de laboratório que não era mais necessário para as pesquisas, contra salvar a vida do rato pagando o mesmo valor por isso.

O experimento não era virtual: os ratos de laboratório existiam realmente, e poderiam ser salvos e criados até o fim de suas vidas com o dinheiro pago pelos participantes. Como todos seriam mortos se o experimento não existisse, a ação resultou em vários animais cujas vidas foram salvas.

“Para estudar atitudes imorais, analisamos se as pessoas estão dispostas a prejudicar um terceiro em troca de recebimento de dinheiro. Prejudicar os outros de forma intencional e injustificada é normalmente considerado antiético,” diz o professor Falk.

Um subgrupo dos participantes decidiu entre a vida e o dinheiro em um contexto de decisão não-mercantil, como uma consideração individual.

Esta situação foi comparada a duas condições de mercado – com um comprador e um vendedor (mercado bilateral) ou um número maior de compradores e vendedores (mercado multilateral), que poderiam negociar uns com os outros.

Se a oferta de mercado fosse aceita o negócio era concluído, resultando na morte de um rato.

Efeito manada

Em comparação com a condição individual, um número significativamente maior de voluntários mostrou-se disposto a aceitar a morte de um rato em ambas as condições de mercado.

“Nos mercados, as pessoas se defrontam com vários mecanismos que podem reduzir seus sentimentos de culpa e de responsabilidade,” explica Nora Szech.

É o caso do conhecido argumento “Se eu não fizer, outro fará”, que as pessoas usam também para aceitar empregos em empresas cujos mercados ou produtos resultam em danos às pessoas, como a indústria de armas ou de cigarros, por exemplo.

Em situações de mercado, as pessoas se concentram na concorrência e nos lucros, em vez de em suas preocupações morais. A culpa pode ser compartilhada com os outros negociadores, sejam compradores ou vendedores, aliviando a carga emocional e fazendo com que a pessoa tenha em vista apenas o benefício próprio.

Como justificativa, essas pessoas geralmente usam o argumento de que os outros também violam as normas morais.

Além disso, em mercados com muitos compradores e vendedores, os indivíduos podem justificar seu comportamento salientando que o impacto de sua ação nos resultados é insignificante.

“Essa lógica é uma característica geral dos mercados,” diz o professor Falk, salientando que as desculpas ou justificativas sempre apelam para o ditado, “Se eu não comprar ou vender agora, alguém o fará.”

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Brasileiros compram produtos que nunca usam

29.10.2013 ]

paismodernos-consumismoApesar de se declarar moderado na hora das compras, o brasileiro não resiste aos impulsos e leva para casa produtos sem planejamento.

A conclusão é de uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

O levantamento mostra uma contradição no comportamento do consumidor brasileiro: 88% dos entrevistados declaram-se moderados ou conservadores na hora de fazer compras, mas 47% admitiram terem comprado produtos que sequer chegaram a usar.

A tendência de o brasileiro usar o consumo para satisfazer anseios pessoais aparece muito clara: 59% disseram ter comprado um produto pensando que o merece, sem analisar as próprias condições financeiras.

Isso coincide com os resultados de um estudo publicado no início deste mês, que revelou que, quando as coisas ficam difíceis, o materialista vai às compras.

Além disso, 62% dos entrevistados declararam pensar em compras supérfluas do mês seguinte antes mesmo de receber o salário.

Compras por impulso

Para Flávio Borges, do SPC Brasil, as compras por impulso são resultado tanto de fatores psicológicos como socioeconômicos. Segundo ele, boa parte do contingente de 40 milhões de pessoas que subiram para a nova classe média na última década tem usado o consumo para se encaixar na sociedade.

“Existe um processo de redefinição da identidade de classe pelas pessoas que subiram de classe social. Por uma questão de status, elas compram mais para impressionar a família, os amigos e obter autoestima. Sem planejamento, essas pessoas adquirem produtos de que não precisam de fato e acabam se endividando excessivamente”, explica Borges.

O levantamento mostrou que 12% dos consumidores fazem questão de ter acesso a tecnologias de ponta assim que são lançadas. “Será que tem necessidade?”, questiona.

De acordo com o gerente do SPC, o consumidor deve ser ainda mais cuidadoso com as compras em tempos de aperto no crédito e baixo crescimento da economia: “Os bancos estão aumentando os juros e reduzindo a oferta de crédito. O emprego está crescendo menos. Isso deveria ser um sinal de alerta para a população, mas o consumidor continua gastando muito, mesmo num cenário menos otimista.”

Além dos fatores sociais e culturais, o especialista cita a falta de educação financeira como uma das principais causas para a impulsividade do consumidor.

“Quem tem educação financeira tende a saber definir prioridades e organizar gastos e passa até a ter maior controle psicológico sobre a impulsividade. Se esse tipo de conhecimento for trabalhado desde a idade escolar, o consumidor chegará à idade adulta com maior controle sobre os gastos”, destaca.

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O milagre econômico de Israel e o que ele nos ensina

israelHá algo que me intriga há algum tempo: o que leva um país com apenas 7,9 milhões de habitantes (o Paraná tem 10,4 milhões), um território minúsculo (menor que o estado de Sergipe), terras ruins, sem recursos naturais, com apenas 64 anos de existência, e em constantes conflitos militares… a ser um dos maiores centros de inovação do mundo; ter 63 empresas de tecnologia listadas na bolsa Nasdaq (mais que Europa, Japão, China e Índia somados), ter registrado 7.652 patentes no exterior entre 2002 e 2005, e ter ganho 31% dos prêmios Nobel de Medicina e 27% dos Nobel de Física?

Em resumo: o que explica o extraordinário desenvolvimento econômico e tecnológico de Israel? Pela lista de carências e problemas citados no parágrafo anterior, Israel tinha tudo para ser apenas mais um país atrasado e miserável. Mas, além de não ser, o país transformou-se em um caso único de inovação, tecnologia e desenvolvimento. Muitas das maravilhas que usamos hoje vêm de lá. O pen-drive, a memória flash de computador e muitos medicamentos que salvam vidas estão na lista de patentes de Israel.

Qualquer explicação rápida é leviana. Muitos dirão que é o dinheiro dos norte-americanos e dos judeus espalhados pelo mundo que faz o sucesso de Israel. Não é. Primeiro, porque nenhuma montanha de dinheiro transforma uma nação de atrasados e ignorantes em gênios da inovação e ganhadores de prêmios Nobel. Segundo, grande parte do dinheiro recebido por Israel foi gasta em defesa e conflitos militares. Terceiro, o apadrinhamento militar de Israel nos primeiros anos de sua fundação não foi dado pelos Estados Unidos, mas pela França, cujo apoio cessou somente em 1967, após a Guerra dos Seis Dias.

Nos artigos e livros que pesquisei, não há explicação simplista para o sucesso de Israel. Pelo espaço limitado deste artigo, destaco apenas quatro pontos:
Em primeiro lugar, a história e a cultura. A religião judaica dá ênfase à leitura e à aprendizagem, mais que aos ritos. A perseguição aos judeus e a proibição, durante a Idade Média, de possuírem terras os levou a estudar e se tornarem médicos, banqueiros ou outras profissões que pudessem ser exercidas em qualquer lugar.

Depois vem o apreço pela tecnologia e pela inovação. Israel gasta 4,5% de seu produto bruto em pesquisa e desenvolvimento, contra 2,61% dos Estados Unidos e 1,2% do Brasil. Na ausência de recursos naturais e premido pela necessidade, Israel entrou de cabeça numa cultura de pesquisar, descobrir e inovar.

Em terceiro lugar, a estrutura educacional. A crença de que a única saída para o desenvolvimento – mais que os recursos naturais – é a educação de qualidade está na raiz da cultura de Israel. Do ensino básico até a universidade, Israel desfruta de uma educação de nível e acessível a todos. Se você pensa encontrar um judeu analfabeto, desista. É uma questão cultural: para eles, povo e governo, a educação é o bem maior.

E, por fim, o respeito pelo empreendedor e pelo fracasso. Em Israel, valoriza-se muito aquele que se dispõe a inventar, inovar ou empreender. Quem tenta e fracassa é respeitado e apoiado, pois eles acreditam que a falência é um aprendizado e a chance de acertar da próxima vez aumenta. Isso leva a uma ausência de medo do fracasso e é um elemento-chave da cultura da inovação. No Brasil, o desgraçado que falir uma microempresa nunca mais consegue uma certidão negativa e jamais volta a ser empreendedor.

Não se consegue transpor a cultura de um país para outro, mas há muito que aprender com Israel.

*José Pio Martins, economista, é reitor da Universidade Positivo.

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Consumo de Crianças: A Comercialização da Infância (Documentário)

Consumo de Crianças: A Comercialização da Infância / Consuming Kids: The Commercialization of Childhood (2008)

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Sinopse:

“Consuming Kids” lança uma luz desesperadamente necessária sobre as práticas de uma implacável e multibilionária máquina de marketing que vende de tudo às crianças e seus pais, de “junk food” e jogos de vídeo violentos, a falsos produtos educacionais e o novo carro da família. Com base nos depoimentos de profissionais de saúde, defensores das crianças, e integrantes da indústria, o filme centra-se no crescimento explosivo do marketing infantil na esteira da desregulamentação da publicidade infantil no fim dos anos 70; mostrando como jovens marketeiros têm usado as últimas descobertas da psicologia, antropologia e neurociência para transformar crianças norte-americanas num dos mais poderosos e rentáveis mercados consumidores do mundo. “Consuming Kids” denuncia todo o esquema de comercialização da infância, levantando questões urgentes sobre a ética do marketing infantil e seu impacto sobre a saúde e o bem-estar das crianças.

Página oficial

Trailer

Dados do Arquivo:
Direção: Adriana Barbaro e Jeremy Earp
Qualidade: DVDRip
Áudio: Inglês
Legenda: Português
Tamanho: 844 MB
Duração: 01:06:04
Formato: AVI
Servidor: Peeje (PJ) | Rapidshare (RS)

Download:

Download (PJ)
– Download (RS): Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4 | Parte 5
Legenda

 

Criança, A Alma do Negócio (2008)

Por que meu filho sempre me pede um brinquedo novo? Por que minha filha quer mais uma boneca se ela já tem uma caixa cheia de bonecas? Por que meu filho acha que precisa de mais um tênis? Por que eu comprei maquiagem para minha filha se ela só tem cinco anos? Por que meu filho sofre tanto se ele não tem o último modelo de um celular? Por que eu não consigo dizer não? Ele pede, eu compro e mesmo assim meu filho sempre quer mais. De onde vem este desejo constante de consumo?

Este documentário reflete sobre estas questões e mostra como no Brasil a criança se tornou a alma do negócio para a publicidade. A indústria descobriu que é mais fácil convencer uma criança do que um adulto, então, as crianças são bombardeadas por propagandas que estimulam o consumo e que falam diretamente com elas. O resultado disso é devastador: crianças que, aos cinco anos, já vão à escola totalmente maquiadas e deixaram de brincar de correr por causa de seus saltos altos; que sabem as marcas de todos os celulares mas não sabem o que é uma minhoca; que reconhecem as marcas de todos os salgadinhos mas não sabem os nomes de frutas e legumas. Num jogo desigual e desumano, os anunciantes ficam com o lucro enquanto as crianças arcam com o prejuízo de sua infância encurtada. Contundente, ousado e real este documentário escancara a perplexidade deste cenário, convidando você a refletir sobre seu papel dentro dele e sobre o futuro da infância.

Página oficial: http://www.alana.org.br/CriancaConsumo/Biblioteca.aspx?v=8&pid=40

Dados do Arquivo:
Direção: Estela Renner
Qualidade: DVDRip
Áudio: Português
Tamanho: 698 MB
Duração: 00:49:04
Formato: AVI
Servidor: Link Direto

Download: http://www.alana.org.br/banco_arquivos/Arquivos/video/crianca-a-alma-do-negocio.avi

Assistir online:

Cultura do dinheiro

07.02.2012 ]

Bendita a época em que o dinheiro deixará de ser um artifício de deturpações, ganâncias e vaidades, resgatará a finalidade de sua criação, e voltará a ser unicamente facilitador de trocas de valores, cujo procedimento era feito pelo escambo (troca de bens ou serviços).

Haverá um tempo em que migrantes não sairão em busca de trabalho, uma vez que seus lugares de origem saciarão a demanda, o dinheiro não será o objetivo precípuo do labor, porquanto estaremos mais dispostos a oferecer à sociedade aquilo que mais saibamos fazer sem o risco de não ter com que pagar as contas de cada mês.

Deixaremos, ainda, de testemunhar a malversação do dinheiro, o desperdício em bens materiais supérfluos, o consumismo exacerbado, e o bloqueio que muitos sentem por não poder comprar o básico de que precisam para subsistir dignamente. Punge que muitos vivam abaixo da “linha de pobreza”.

A concentração de dinheiro continua apontando vítimas e formando delinquentes. A Polícia Civil apreendeu notas de Reais e Euros que somam mais de R$ 3 milhões numa mansão em área nobre do Rio de Janeiro, em dezembro de 2011. A ação faz parte da Operação Dedo de Deus, que prevê prisão de criminosos, inclusive políticos, também de alguns estados nordestinos.

O dinheiro corrompe o homem ou este faz mal uso daquele?

Há situações inapeláveis em que o cidadão tem que trabalhar quase forçosamente a troco das notas que lhe trarão sustento, mas há que cuidar-se para que a obsessão pelo dinheiro não escravize o trabalhador a ponto de que se tenha três ou mais empregos, viva-se para a acumulação, e negligenciem-se outros aspectos da vida, tão caros para a qualidade.

Pelo dinheiro, migrantes sujeitam-se a trabalhos árduos a fim de que paguem, ao menos, as despesas de sobrevivência. Quando é possível, remetem parte de seus proveitos às famílias que deixaram alhures.

A partilha da riqueza brasileira constitui um dos grandes desafios em políticas públicas nos anos vindouros. Guido Mantega, ministro da Fazenda, anunciou que o Brasil termina 2011 como a sexta maior economia mundial com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,4 trilhões e que só não supera o de Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França.

O discurso dos economistas e líderes deste setor louva a inserção do Brasil em grupos de comércio e foros internacionais importantes, mas não nos exime o esforço de mudar a cultura do dinheiro, que tanta aflição causa nas mentes indefesas e despreparadas. Uma tarefa global.

Os jovens, assim, não podem crescer associando o acúmulo de dinheiro com o sucesso profissional, como se o primeiro fosse condição necessária do segundo. É preciso oferecer à juventude opções menos materialistas que lhe permitam “vencer na vida” sob risco de que, do contrário, dê-se um jeito de enriquecer se não for pelas vias formais e legais. A família desenha o ponto de partida do trajeto educativo.

A crise que assola o mundo “desenvolvido” evidencia que o dinheiro não deve ser levado ao paroxismo, sobretudo o que se deduz de operações financeiras veladas, discretas e que enchem o bolso de banqueiros. A Fitch Ratings, agência do “Norte” que avalia o risco de investimentos, previu em dezembro de 2011 que o crescimento da zona do Euro seria de apenas 0,4% em 2012, o que indica uma contração expressiva em relação ao 1,6% do ano derradeiro.

A cultura do dinheiro tem-se arrastado ao longo dos séculos com o ideal de acumulação, expansão e reprodução capitalistas através do mercantilismo dos metais preciosos, a revolução industrial, os movimentos financeiros globais.

O componente material (a cédula e a moeda) são indissociáveis do imaterial (como obter dinheiro? o que fazer com ele? é suficiente o que ganho? de quanto preciso? quanto há que trabalhar? quanto é necessário para ter uma vida digna? etc).

A sociedade, por fim, precisa reformular seus valores a fim de que as pessoas se orientem mais pela confraternização, a saúde física e mental, a contemplação das belezas naturais, o cultivo da educação, e o prazer pelo conhecimento e a troca de experiências.

O dinheiro voltará, assim, a ser mero objeto de trocas em vez de malfeitor do imaginário.

http://www.brunoperon.com.br

*Bruno Peron Loureiro é mestre em Estudos Latino-americanos pela FFyL/UNAM (Universidad Nacional Autónoma de México).

http://www.debatesculturais.com.br/cultura-do-dinheiro/

http://port.pravda.ru/busines/07-02-2012/32886-cultura_dinheiro-0/

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