Calda de fumo – Eficiente até demais

fumo-liquido

compartilhar

Inconvenientes de utilizar fumo na horta orgânica

A calda de fumo é utilizada como pesticida por conta de sua nicotina, presente nas folhas do tabaco. É muito popular pela sua eficiência e acaba sendo utilizada mesmo no cultivo orgânico. Alguns países já proibiram o uso de pesticidas contendo nicotina em cultivos orgânicos, pois apresentam diversos inconvenientes que acabam sendo superiores aos benefícios. Vamos ver quais são eles?

Eficiente Pesticida, até demais

calda-de-fumo-eficiente-ate-demais-1
O poder pesticida da aplicação do fumo é alto, porém ele afeta diversos insetos benéficos também. Além disso, existem alguns estudos (em inglês) propondo que, ao invés de repelir, plantas tratadas com algum pesticida que contenha nicotina atraem mais as abelhas. Essa nicotina faria com que elas se alimentassem menos, reproduzissem menos e se desenvolvessem mais lentamente. Nada bom em se tratando de um dos principais polinizadores, não acha?

Fumo não orgânico

calda-de-fumo-eficiente-ate-demais-2

Se você só tem acesso ao fumo comprado, a chance dele não ser orgânico é grande. E fazer uma calda de uma planta que foi tratada com diversos agrotóxicos, não parece ser a melhor alternativa para aplicar em suas plantas tão cuidadosamente cultivadas, em um cultivo orgânico.

Fumo e a Saúde

A nicotina é extremamente tóxica e, de acordo com estudos (em inglês), ela é mais tóxica quando em contato com a pele do que quando ingerida. Alguns dos sintomas da nicotina no organismo: dor de cabeça, distúrbios do sono, tonturas, irritabilidade, aumento da tendência de coagulação do sangue, arritmias, dor nas juntas e etc. A lista é longa!

Aspectos sociais

Novamente, se você tem acesso ao fumo comprado, provavelmente será de alguma lavoura não orgânica (apesar do cultivo orgânico do tabaco estar aumentando). Esse cultivo é altamente prejudicial aos agricultores, pois além da possibilidade de intoxicação com a nicotina ao manejar as folhas, lida-se com muitos agrotóxicos. Basta uma pesquisa no Google com fumo e agrotóxico para ver a infinidade de links sobre isso. E há pesquisas que relatam o desconforto que é para agricultores trabalhar com fumo, com excessivas jornadas de trabalho, poucos equipamentos de proteção. Fontes não faltam, como por exemplo no G1, Agência Fiocruz, Zero Hora.

Bom, esses são os pontos negativos que me ocorreram e que são suficientemente grandes para que eu evite utilizar em minha horta. Se você cuida da saúde de seu solo e de suas plantas, a chance de sequer precisar de algum pesticida já cai bastante. Mas caso precise, busque por soluções alternativas mais saudáveis, como óleo de neem, calda de alho, sabão, pimenta, etc.

compartilhar

Piramidal no Facebook
.
●●● Gostou? Então Curta nossa página no Facebook.
.
Autor
●●●
 Seja amigo do autor do site no Facebook e esteja sempre antenado em assuntos interessantes.

Mercado de alimentação vegana é aposta em São Paulo

10.05.2011 ]

Juliana Colombo

Em 2008, após 16 anos de trabalho em uma empresa de energia elétrica, André Cantú, 50, largou o emprego e abriu um restaurante com uma particularidade: os produtos são elaborados sem alimentos de origem animal.

Localizado no bairro da Liberdade (centro de São Paulo), o Broto de Primavera é um dos quatro estabelecimentos veganos de São Paulo, de acordo com a ONG Sociedade Vegana.

Esse mercado, que dispensa artigos animais na elaboração dos produtos, está em ascensão em São Paulo, dizem especialistas.

Para Fabio de Azevedo, consultor de varejo do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), há muito potencial a ser explorado.

“Esse é um nicho de mercado especializado para atender a um consumidor preocupado não só com hábitos alimentares, mas com um estilo de vida diferenciado”, resume Azevedo.

Segundo estudo da empresa de pesquisa Euromonitor, o setor de alimentos e bebidas saudáveis (incluindo orgânicos, diet e light) deve faturar US$ 21,5 bilhões (R$ 34,6 bilhões) no país até 2014.

Cantú investiu R$ 70 mil na reforma do ponto. Quase três anos depois, com faturamento mensal de R$ 15 mil, o empresário planeja ampliação. “Só falta convencer a vizinha a vender o terreno.”

LEQUE MAIOR

O empresário George Guimarães, 37, também investiu na área. Com duas unidades do restaurante Vegethus, o empresário diz faturar R$ 60 mil na localizada na capital paulista e R$ 35 mil na situada em Santo André (SP).

Mas há quem amplie o leque de produtos para ganhar mercado, como Milena Signe, 47, dona do Apfel, restaurante vegetariano com opções veganas. “Posso atender a qualquer público.”

Laura Kin, que abriu e fechou uma padaria vegana em 2009, não credita a falência à falta de clientes. “Foi por não saber administrar o negócio. Público tinha”, diz.

Como os negócios que envolvem o veganismo não se restringem à alimentação, o webmaster Alex Fernandes, 38, criou em 2004, o portal Guia Vegano.

Ele conta que 70% do público do site são mulheres, na faixa de 15 a 30 anos, “preocupadas com saúde e impacto do seu consumo no planeta”.

Clélia Angelon, 62, dona da empresa de cosméticos Surya, também aproveitou o interesse em produtos veganos e teve crescimento de 30% de 2009 para 2010.

No ano passado, faturou R$ 26 milhões. “Pessoas ligadas aos seus animais de estimação e à saúde procuram meus produtos”, diz.

http://classificados.folha.com.br/negocios/912314-mercado-de-alimentacao-vegana-e-aposta-em-sao-paulo.shtml

Brasileiro come menos arroz e bebe mais ‘refri’

17.12.2010

Denise Menchen

Brasileiros de todas as faixas de renda estão trocando comida fresca por produtos industrializados e, com isso, piorando a qualidade de sua alimentação básica.

Ingredientes típicos do cardápio nacional, o feijão e o arroz são comprados em quantidades cada vez menores, enquanto o consumo per capita de açúcar – embutido em refrigerantes, massas prontas etc.- excede o nível nutricional recomendado.

É o que mostram as pesquisas divulgadas ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre a quantidade e a qualidade dos alimentos comprados para consumo em casa.

No caso do arroz polido, por exemplo, a queda no consumo per capita foi de 40,5% de 2003 a 2009. No do feijão, de 26,4%.

Com isso, esses alimentos passaram a responder por apenas 16,2% e 5,4% das calorias ingeridas nos lares do país, ante 17,4% e 6,6% na pesquisa anterior.

Já comidas processadas, como pães, embutidos, biscoitos, refrigerantes e refeições prontas, ganharam importância e, juntos, já respondem por 18,4% das fontes de energia consumidas.

AÇÚCAR LIVRE

Os estudos revelam também o consumo excessivo de açúcar, que pode contribuir para o desenvolvimento de obesidade, diabetes e câncer.

Hoje, do total de calorias presentes na despensa dos brasileiros, 16,4% vêm dos chamados açúcares livres, que são aqueles adicionados aos alimentos no seu processamento ou no momento do consumo. A recomendação nutricional é que essa parcela não ultrapasse os 10%.

A presença do açúcar refinado nos carrinhos, porém, tem diminuído – em 2009, um brasileiro comprava, em média, 3,2 kg do produto por ano, quase a metade dos 6,1 kg registrados em 2003.

Isso significa que as pessoas estão consumindo mais alimentos que já têm açúcar na sua formulação.

“Caiu a quantidade de açúcar de mesa, não o açúcar da dieta. As pessoas não adoçam mais suco em casa, compram já adoçado”, diz Renata Levy, pesquisadora em medicina preventiva da USP.

http://www.nossasaopaulo.org.br/portal/node/13727

Pragas controladas sem impacto ambiental

24.08.2010

A aplicação de inseticidas pode resolver a incidência de doenças em uma determinada lavoura, mas traz uma série de efeitos colaterais indesejáveis. Eliminar o inseto transmissor pode afetar a reprodução de outras espécies vegetais que dependem dele para a polinização. Além disso, resquícios dos químicos empregados aderem à planta e podem contaminar a alimentação humana, bem como rios e outros corpos d’água.

A preocupação com essas questões fez surgir o conceito de controle biorracional de pragas, uma maneira de controlar o desenvolvimento de insetos sem exterminá-los com o uso de produtos naturais e seus derivados, procurando minimizar os impactos ambientais.

No Brasil, oito unidades de pesquisa de cinco estados se uniram para formar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Controle Biorracional de Insetos Pragas, com a proposta de desenvolver soluções de diversos problemas que atingem as plantações brasileiras.

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), campus de Rio Claro, e a Universidade de São Paulo (USP), com seus campi de Ribeirão Preto e da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, em Piracicaba, são as quatro unidades paulistas que integram o instituto e recebem apoio da FAPESP e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) por meio da modalidade Temático-INCT.

O INCT também é integrado pelas universidades federais do Paraná e de Sergipe e por duas unidades da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac): a Estação Experimental Sósthenes de Miranda, em São Sebastião do Passé (BA), e a Superintendência da Amazônia Oriental, em Belém (PA).

Uma das vantagens de utilizar compostos naturais no controle de pragas é retirar substâncias tóxicas dos processos ecológicos. “A probabilidade de uma substância natural apresentar toxicidade a um inseto é pequena. Ela pode inibir o desenvolvimento de um determinado inseto, por exemplo, e isso poupa de produtos tóxicos o animal, o meio ambiente e o próprio ser humano, que consumirá alimentos vindos daquela planta”, disse a coordenadora do INCT, Maria de Fátima das Graças Fernandes da Silva, professora do Departamento de Química da UFSCar, à Agência FAPESP.

Por serem mais familiares ao organismo, as substâncias naturais são metabolizadas mais facilmente, enquanto os produtos sintéticos podem acabar se acumulando. Isso ocorre porque os produtos de origem natural fazem parte de um processo de coevolução entre a planta e o inseto. No caso da aplicação de um inseticida sintético, a probabilidade dessa interação é bem menor.

As fontes de substâncias naturais não são somente as plantas, mas também fungos e bactérias, e o trabalho de pesquisa também envolve os mecanismos de interação entre insetos e plantas. “É preciso entender por que o inseto vai até a planta, por que ele carrega a bactéria e por que essa bactéria se desenvolve bem no vegetal, provocando doença”, disse Maria de Fátima.

Uma abordagem como essa foi feita para entender a propagação da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da clorose variegada de citros, popularmente conhecida como praga do amarelinho, e cujo vetor são pequenas cigarras da família Cicadellidae.

“Ao entender a interação química entre bactéria e planta, podemos desenvolver um metabólito que iniba a proliferação do patógeno no vegetal ou ainda buscar uma substância que controle a proliferação do inseto vetor”, explicou Maria de Fátima.

O controle dos insetos é ambientalmente mais interessante do que a sua eliminação completa, de acordo com a pesquisadora, pois ele pode ser o vetor de uma doença para uma determinada planta e ao mesmo tempo o polinizador de outra. Portanto, eliminá-lo resultaria em perdas ambientais maiores na região em que o inseto desaparecesse.

Formigas famintas

Outro braço dessa pesquisa investiga a formiga-cortadeira (Atta sexdens rubropilosa), considerada praga de vários tipos de plantas. Para abordar o problema, a equipe da Unesp de Rio Claro estuda o comportamento social desses insetos e o grupo da UFSCar analisa os processos químicos envolvidos.

Uma das abordagens envolve um ataque indireto. Em vez de atingir as próprias formigas, uma substância desenvolvida no projeto elimina os fungos das quais elas se alimentam.

As formigas cortam as folhas das plantas e as levam para um compartimento do formigueiro. Nele, as folhas alimentam uma colônia de fungos que, por sua vez, alimenta toda a comunidade de insetos.

O produto desenvolvido na pesquisa pode ser aplicado sobre a planta ou sobre o solo e é absorvido pelo vegetal e se mistura à seiva, espalhando-se por toda a sua estrutura. O produto que fica nas folhas é recolhido pela formiga e, uma vez no formigueiro, inibe a proliferação do fungo.

Sem alimento suficiente, a colônia de insetos abandona a área deixando aquela plantação. “Eliminar completamente a formiga não seria interessante, pois elas realizam funções importantes como a aeração do solo”, explicou Maria de Fátima.

A pesquisadora conta que foram desenvolvidos no âmbito do INCT dois produtos para combater a Xylella fastidiosa e um para o controle da formiga-cortadeira, que já despertaram o interesse de duas empresas. Os produtos deverão ser patenteados e comercializados.

Algumas dessas sustâncias são envolvidas em cápsulas de escala nanométrica. Esse encapsulamento imprime uma estabilidade muito maior ao princípio ativo, que dura mais e tem sua eficácia aumentada. Isso permite que ele seja aplicado em uma quantidade menor, gerando economia ao produtor agrícola.

Resistência dos produtores

O INCT de Controle Biorracional de Insetos Pragas também está colaborando com a eliminação de uma doença que atinge o mogno africano (Khaya ivorensis). Essa espécie fornecedora de madeira foi importada com o intuito de substituir o mogno brasileiro (Swietenia macrophylla), alvo da lagarta da mariposa Hypsipyla grandela.

Entretanto, embora resistente à mariposa, o mogno africano começou a ser alvo de um fungo que atinge o seu tronco e o deforma, inutilizando a parte comercialmente mais valiosa da planta. O trabalho conjunto com a Ceplac do Pará objetiva encontrar uma solução para o problema.

A pesquisa foca ainda em diversos tipos de lagartas que atacam lavouras. Estão em testes substâncias naturais que inibem o desenvolvimento de suas larvas ou que produzam insetos incapazes de atingir uma plantação.

Embora ambientalmente mais saudável, o controle biorracional de pragas enfrenta um grande obstáculo para sua aplicação: a resistência dos produtores rurais.

“Esse é o maior obstáculo, não apenas no Brasil, mas em diversos outros países. Muitos produtores consideram mais fácil a aplicação de inseticidas e a eliminação completa do inseto causador do problema, ainda que ele seja importante para outras plantas e culturas”, lamentou Maria de Fátima.

INCT de Controle Biorracional de Insetos Pragas: http://www.cbip.ufscar.br

http://www.agencia.fapesp.br/materia/12671/pragas-controladas-sem-impacto-ambiental.htm

Controle biorracional de pragas elimina uso de agrotóxicos

[30.08.2010]

A aplicação de inseticidas pode resolver a incidência de doenças em uma determinada lavoura, mas traz uma série de efeitos colaterais indesejáveis.

Eliminar o inseto transmissor pode afetar a reprodução de outras espécies vegetais que dependem daquele animal para a polinização.

Além disso, resquícios dos químicos empregados aderem à planta e podem contaminar a alimentação humana, bem como rios e outros corpos d’água.

A preocupação com essas questões fez surgir o conceito de controle biorracional de pragas, uma maneira de controlar insetos e doenças com o uso de produtos naturais e seus derivados, procurando minimizar os impactos ambientais.

Uso de substâncias naturais

No Brasil, oito unidades de pesquisa de cinco estados se uniram para formar o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Controle Biorracional de Insetos Pragas, com a proposta de desenvolver soluções de diversos problemas que atingem as plantações brasileiras.

Uma das vantagens de utilizar compostos naturais no controle de pragas é retirar substâncias tóxicas dos processos ecológicos.

“A probabilidade de uma substância natural apresentar toxicidade a um inseto é pequena. Ela pode inibir o desenvolvimento de um determinado inseto, por exemplo, e isso poupa de produtos tóxicos o animal e o próprio ser humano, que consumirá alimentos vindos daquela planta”, disse a coordenadora do INCT, Maria de Fátima das Graças Fernandes da Silva, professora do Departamento de Química da UFSCar.

Por serem mais familiares ao organismo, as substâncias naturais são metabolizadas mais facilmente, enquanto os produtos sintéticos podem acabar se acumulando. Isso ocorre porque os produtos de origem natural fazem parte de um processo de coevolução entre a planta e o inseto. No caso da aplicação de um inseticida sintético, essa interação é nula.

Controle dos insetos

As fontes de substâncias naturais não são somente as plantas, mas também fungos e bactérias, e o trabalho de pesquisa também envolve os mecanismos de interação entre insetos e plantas. “É preciso entender por que o inseto vai até a planta, por que ele carrega a bactéria e por que essa bactéria se desenvolve bem no vegetal, provocando doença”, disse Maria de Fátima.

Uma abordagem como essa foi feita para entender a propagação da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da clorose variegada de citros, popularmente conhecida como praga do amarelinho, e cujo vetor são pequenas cigarras da família Cicadellidae.

“Ao entender a interação química entre bactéria e planta podemos desenvolver um metabólito que iniba a proliferação do patógeno no vegetal ou ainda buscar uma substância que controle a proliferação do inseto vetor”, explicou Maria de Fátima.

O controle dos insetos é ambientalmente mais interessante do que a sua eliminação completa, de acordo com a pesquisadora, pois o animal pode ser o vetor de uma doença para uma determinada planta e ao mesmo tempo o polinizador de outra. Portanto, eliminá-lo resultaria em perdas ambientais maiores na região em que o inseto desaparecesse.

Formigas famintas

Outro braço dessa pesquisa investiga a formiga-cortadeira (Atta sexdens rubropilosa), considerada praga de vários tipos de plantas. Para abordar o problema, a equipe da Unesp de Rio Claro estuda o comportamento social desses insetos e o grupo da UFSCar analisa os processos químicos envolvidos.

Uma das abordagens envolve um ataque indireto. Em vez de atingir as próprias formigas, uma substância desenvolvida no projeto elimina os fungos das quais elas se alimentam.

As formigas cortam as folhas das plantas e as levam para um compartimento do formigueiro. Nele, as folhas alimentam uma colônia de fungos que, por sua vez, alimenta toda a comunidade de insetos.

O produto desenvolvido na pesquisa pode ser aplicado sobre a planta ou sobre o solo e é absorvido pelo vegetal e se mistura à seiva, espalhando-se por toda a sua estrutura. O produto que fica nas folhas é recolhido pela formiga e, uma vez no formigueiro, inibe a proliferação do fungo.

Sem alimento suficiente, a colônia de insetos abandona a área deixando aquela plantação. “Eliminar completamente a formiga não seria interessante, pois elas realizam funções importantes como a aeração do solo”, explicou Maria de Fátima.

A pesquisadora conta que foram desenvolvidos no âmbito do INCT dois produtos para combater a Xylella e um para o controle da formiga-cortadeira, que já despertaram o interesse de duas empresas. Os produtos deverão ser patenteados e comercializados.

Algumas dessas sustâncias são envolvidas em cápsulas de escala nanométrica. Esse encapsulamento imprime uma estabilidade muito maior ao princípio ativo, que dura mais e tem sua eficácia aumentada. Isso permite que ele seja aplicado em uma quantidade menor, gerando economia ao produtor agrícola.

Controle biorracional

O INCT de Controle Biorracional de Insetos Pragas também está colaborando com a eliminação de uma doença que atinge o mogno africano (Khaya ivorensis). Essa espécie fornecedora de madeira foi importada com o intuito de substituir o mogno brasileiro (Swietenia macrophylla), alvo da lagarta da mariposa Hypsipyla grandela.

Entretanto, embora resistente à mariposa, o mogno africano começou a ser alvo de um fungo que atinge o seu tronco e o deforma, inutilizando a parte comercialmente mais valiosa da planta. O trabalho conjunto com a Ceplac do Pará objetiva encontrar uma solução para o problema.

A pesquisa foca ainda em diversos tipos de lagartas que atacam lavouras. Estão em testes substâncias naturais que inibem o desenvolvimento de suas larvas ou que produzam animais incapazes de atingir uma plantação.

Embora ambientalmente mais saudável, o controle biorracional de pragas enfrenta um grande obstáculo para sua aplicação: a resistência dos produtores rurais.

“Esse é o maior obstáculo, não apenas no Brasil, mas em diversos outros países. Muitos produtores consideram mais fácil a aplicação de venenos e a eliminação completa do inseto causador do problema, ainda que ele seja importante para outras plantas e culturas”, lamentou Maria de Fátima.

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=controle-biorracional-pragas-uso-agrotoxicos&id=010125100830&ebol=sim

Slow food no Brasil valoriza culinária tradicional e preserva sabores ameaçados, 29-06-2010

Rachel Botelho
Julliane Silveira

Parece utopia: retomar rituais antigos de preparo da comida, resgatar o contato com a terra, ter na ponta da língua a história de cada alimento que se põe à mesa.

Mas há mais chefs oferecendo esse tipo de experiência a seus clientes, inspirados no movimento “slow food”, que segue os preceitos acima. Um contraponto e tanto às facilidades das metrópoles e à toda comida rápida de cada esquina.

Entre os paulistanos, estão Amadeus, Zym, Brasil a Gosto, Tordesilhas e o novo Casa da Lica. No Rio, Navegador e Eça se renderam aos outros que já seguem a filosofia.

O movimento, que surgiu como resposta ao fast food, para revalorizar a culinária regional, cresceu. Agora, prega também cultivo sustentável e remuneração melhor ao pequeno produtor.

“Antes, quando você comia um prato maravilhoso, não pensava no que estava por trás. Não tinha preocupação com o produtor e o ambiente, era o prazer do momento”, diz Margarida Nogueira, uma das fundadoras do slow food no Brasil.

Na Casa da Lica, em Embu das Artes (a 30 km de SP), são recebidas até 40 pessoas por vez para vivenciarem o que é chamado de “experiência gastronômica”: quatro horas, da entrada à sobremesa.

A maioria dos ingredientes sai dos arredores da casa: shiitake, mel, folhas, flores, galinha e ovos caipiras.

“A comida é feita sem pressa e sem congelamentos. Tudo é fresco. O objetivo é resgatar o prazer em torno da comida e valorizar os alimentos e seus sabores”, descreve o chef, Eduardo Duó.

Enriquecer o paladar também é importante. Já foram incluídos nos cardápios frutas regionais, como o cambuci e o pequi, e resgatados alguns ingredientes esquecidos pela alta gastronomia, como a mandioca.

Um grupo de restaurantes de São Paulo planeja, também, criar um roteiro de casas como essa, onde se provam pratos à moda lenta.

OBSTÁCULOS

Os interessados em aderir ao slow food esbarram na dificuldade de comprar alguns produtos regionais. Os problemas são os custos mais elevados e as dificuldades de transporte: alguns alimentos chegam pelo correio.

Cinco chefs paulistanos tiveram de se reunir para “importar” o arroz vermelho do vale do Piancó, na Paraíba.

Esse esforço é interpretado por críticos como um entrave na disseminação do movimento. “Comer conforme o slow food é mais caro e menos conveniente para muita gente”, disse à Folha o cientista político Robert Paarlberg, de Harvard.

Paarlberg compara os preceitos do movimento à forma africana de produzir comida: “Na África, a produção é totalmente slow food. A preparação consome a maior parte do dia das mulheres africanas. Elas trabalham duro e produzem muito pouco. Por isso, têm baixíssima renda e uma em cada três tem chances de ficar desnutrida.”

Mas, do ponto de vista dos chefs, o esforço é parte do processo. “Para quem quer fazer comida direito, o slow food só contribui e dá aval”, defende Mara Salles, dona do Tordesilhas.

A seguir, conheça melhor fundamentos e projetos do movimento.

ARCA DO GOSTO

É um catálogo criado pelo movimento slow food com alimentos ou produtos considerados especiais pela comunidade e que correm risco de desaparecer – seja pela devastação do seu território de cultivo ou pela perda da receita tradicional. Já são mais de 750 itens no mundo, e 21 deles são do Brasil, como a marmelada de Santa Luzia, o pequi e o palmito juçara. A ligação com uma região geográfica e a produção artesanal e sustentável são critérios de inclusão na Arca. “A maioria dos produtos é nativa, mas alguns têm uma história longa no seu território, como o arroz vermelho”, diz Roberta Sá, da comissão brasileira. Em São Paulo, é possível encontrar alguns produtos da lista como umbu, licuri e baru.

TERRA MADRE

É um encontro mundial de produtores, representantes de comunidades locais, cozinheiros e acadêmicos, que acontece a cada dois anos, desde 2004. O primeiro Terra Madre foi realizado em Turim, na Itália, e reuniu 5. 000 produtores de várias artes do mundo. Nesses eventos, são discutidos temas como biodinâmica e engenharia genética.

FORTALEZAS

São projetos criados para viabilizar a produção e a comercialização de alimentos selecionados da Arcado Gosto. Participam das iniciativas pequenos produtores, técnicos e entidades locais. No Brasil, há nove desses projetos, sendo o do umbu o mais antigo. “As pessoas coletavam a fruta e tinham dificuldade de transportá-la para ser processada. Foram construídas minifábricas nas comunidades e, agora, as mulheres fazem o doce ao lado de casa”, diz Roberta Sá. As fortalezas do aratu (crustáceo de Sergipe) e do pinhão da serra catarinense, foram criadas em 2008.

OFICINAS DO GOSTO

São encontros curtos, com degustações e palestras informais de produtores e especialistas, voltados à educação do paladar. Há degustação e comparações entre produtos da safra e os demais. No Rio, 3.000 crianças já participaram de oficinas sobre mandioca e tapioca.

PIQUENIQUES

Alguns adeptos do movimento transformaram os piqueniques tradicionais em curtas viagens gastronômicas. O chef Sauro Scarabotta,do restaurante paulistano Friccó, organiza reuniões do tipo desde o ano passado. Os grupos liderados por ele já visitaram pequenos produtores de cogumelos shiitake, em Mogi das Cruzes,e uma criação de javalis, em Araçariguama, no interior de São Paulo. “A ideia é aproximar produtores de alta qualidade e consumidores atentos”, diz Scarabotta. Produtores explicam as propriedades do alimento e o modo de cultivo. Depois, as pessoas podem colher e comprar, tudo seguido de um almoço com comida local.

BOM, LIMPO E JUSTO

De acordo com os fundamentos do slow food, o alimento deve ser saboroso, artesanal e cultivado sem causar mal à saúde, ao ambiente ou aos animais. Seus produtores devem receber um “valor justo” pelo trabalho. O ideal é que a produção seja agroecológica -em pequena escala e independente das pressões do mercado.

CONVIVIUM

São grupos locais em que se organizamos 100 mil associados ao slow food em todo o mundo, para fazer degustações e palestras. No Brasil, há grupos em 20 cidades. Cenia Salles, líder do Convivium de São Paulo, já programou visitas a um assentamento agrícola que segue os preceitos do movimento. “É o resgate do prazer, da convivência.”

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/759080-slow-food-no-brasil-valoriza-culinaria-tradicional-e-preserva-sabores-ameacados.shtml

Pó de lago africano extinto fertiliza floresta amazônica

Pó de um lago africano seco que no passado possuía o tamanho da Califórnia está alimentando florestas na Amazônia e algas no Atlântico, informa uma estudo do periódico “Geophysical Research Letters”

Estudos anteriores de modelagem matemática estimaram que a depressão Bodélé, no Chade, que se formou quando o maior lago da África secou há cerca de mil anos, é responsável por 56% da poeira da África que chega à Amazônia, o que equivale a milhões de toneladas por ano.

Agora pesquisadores estimaram quanto de elementos fertilizantes, na forma de ferro e fósforo, estão presentes na poeira. Embora a depressão de Bodélé esteja perto da zona de guerra em Darfur, no Sudão, Charlie Bristow, do Birkbeck College, em Londres, e sua equipe conseguiram coletar e analisar 28 amostras durante uma expedição em 2005.

A análise sugere que a depressão é a fonte de 6,5 milhões de toneladas de ferro e 120 mil toneladas de fósforo por ano, com cerca de 20% chegando à Amazônia, metade caindo no Atlântico e o resto ficando no oeste da África. “Era uma peça que faltava no quebra-cabeças: o que está presente quimicamente na poeira”, diz Richard Washington, da Universidade de Oxford, que estuda nuvens de poeira do Saara.

Bristow espera organizar uma nova expedição à depressão para determinar a grossura do sedimento e estimar quando do fertilizante natural permanece na depressão.

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/760831-po-de-lago-africano-extinto-fertiliza-floresta-amazonica.shtml