Bioconstrução: construindo com a TERRA!

10.04.2013 ]

por Lumiar Ramos

A cada dia vem crescendo o interesse das pessoas pela bioconstrução, construção natural ou bioarquitetura. Mas o que seria isso? Mais uma forma de ‘marketing verde’ ou realmente uma mudança dos padrões e técnicas das construções convencionais?

A bioconstrução é a harmonia entre a edificação e o ambiente na qual será inserida. Buscando elevar o grau de interação dessa edificação com o seu entorno e os vários seres que a habitam. Utilizam-se materiais e recursos do próprio ambiente em que a edificação será construída. Apresentando um caráter local ou regional, visando assim, um menor impacto para o meio ambiente.

templo do sol - peruA terra, devido à sua versatilidade e ampla disponibilidade, tem sido utilizada como material de construção em todos os tempos e continentes. É um dos mais antigos materiais de construção do planeta. Há mais de dez mil anos o homem já usava o barro para levantar casas. Mesmo hoje em dia, estima-se que mais da metade da população do mundo viva em habitações de barro.

A construção com terra assume diversas formas, todas elas resultam em obras sólidas e bonitas, que resistem ao tempo e ao uso, incluindo adobe, cob, taipas e fardo de palha. Essas formas de construção com barro são endêmicas em toda Europa Ocidental e Central, no Oriente Médio e na Península Arábica, Índia, China, África Equatorial e no centro-oeste do continente americano.

muralha da china

Muralha da China

No entanto a terra continuou sendo utilizada como principal material para construção em diversos países.

Bioconstruções que atravessaram séculos no Brasil e no Mundo:

– Parte dos 9000km da Muralha da China foi feita utilizando a técnica Taipa de Pilão, perdurando por mais de 2000 anos.

– A antiga cidadela de Arg-é Bam no Irã foi a maior construção de adobe do mundo, datando 500 A.C. Infelizmente em 2003 a construção e as cidades no entorno foram destruídas quase por completo por um terremoto.

chan chan peru

Peru

– O Templo do Sol (Huecas del Sol) no Peru, conta com mais de 100 milhões de tijolos de adobe. Outras construções importantes de barro no Peru são: a cidade inca Tambo Colorado e a cidade de Chan Chan na costa norte, um dos sítios arqueológicos mais preciosos do mundo.

– A região de Devon na Inglaterra é tradicional pelas suas construções de Cob.

– A cidade de Santa Fé nos Estados Unidos é outra cidade com diversas construções de Adobe esbanjando luxo e modernidade. Com destaque da torre do Museu de Poeh, a mais alta estrutura de adobe do Novo México.

pirenopolis go

Pirenópolis Goias

– No Brasil a construção com barro é difundido principalmente no Norte e Nordeste do país, mas como são construções que não observam os cuidados necessários acabam sofrendo rápida degradação. Contudo as cidades históricas de Ouro Preto em Minas Gerais e Pirenópolis em Goiás mostram a durabilidade da construção com terra.

O Cob foi muito popular na Europa no século XIII, tornando-se padrão em muitas partes do Reino Unido, permanecendo assim até a Revolução Industrial. Com o surgimento das máquinas a vapor e das ferrovias acabaram reduzindo drasticamente o preço do transporte e popularizando o tijolo cozido (convencional). A siderúrgica permitiu o barateamento do ferro e possibilitou a fabricação de pequenas peças desse metal fundido, revolucionando a construção civil, entre outras áreas.

cob - devon Inglaterra

Casa de Cob na Inglaterra

A Revolução Industrial nos trouxe as máquinas a vapor, indústrias, ferrovias, energia elétrica, petróleo, energia nuclear e hoje a informática e a robótica. Rompeu a barreira do desenvolvimento econômico, tecnológico e científico e deu aos homens a visão do ‘progresso’. Em nome desse ‘progresso’ acentuamos um dos maiores problemas da humanidade, o consumo exagerado e a destruição do recursos naturais.

Um dos principais poluidores e agentes dessa destruição está na maneira em que construímos. A indústria da construção civil é hoje responsável pelo maior consumo dos recursos naturais no planeta. Hoje são destinados para construção civil ¼ da madeira extraída, 2/5 da energia consumida e 1/6 da água potável.

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‘Eco Cabana’ no Ecocentro IPEC

Foi buscando soluções para esses e outros problemas que surgiu o Ecocentro IPEC. Há 14 anos vem desenvolvendo, aperfeiçoando e experimentando técnicas para construir sustentavelmente. Utilizando a confiabilidade e solidez de séculos das técnicas antigas, tais como, adobe, cob e a taipa de pilão. E buscando ao redor do mundo e do Brasil novas técnicas para experimentar, adaptar e inserir no Ecocentro, como o superadobe, taipa leve , bloco in-loco, tijolo de solocimento e o tijolo armado. Os materiais e técnicas modernas foram aproveitados para melhorar ainda mais a qualidade, a durabilidade, o conforto térmico e a sanidade destas construções.

Caminhando pelo Ecocentro pode-se ver diferentes técnicas da construção natural. Sendo um centro de pesquisa, quase todas as edificações apresentam diversas técnicas de diferentes maneiras e designs. Sempre visando um mínimo impacto ao meio ambiente e na maioria das vezes melhorando a biodiversidade e os seus habitats naturais.

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Cúpula ‘Centro Bill Mollison de Estudos Sustentáveis’

Um bom exemplo é a Vila Ecoversitária que utilizou a terra do local e onde escavado fizeram-se laguinhos, melhorando o microclima, aumentando a biodiversidade, além de um ambiente mais agradável e bonito.

A Cúpula ‘Centro Bill Mollison de Estudos Sustentáveis’ é a construção mais formidável e imponente pelo seu tamanho e beleza arquitetônica. É toda construída com tijolos de solociomento.

No Sítio Sustentável foi utilizado o bloco in-loco, na Cozinha Industrial o superadobe, na administração o superadobe e o fardo de palha, na recepção o bloco in loco, banheiros coletivos e todas as cisternas de ferrocimento e nas casas dos moradores e eco cabanas foram utilizadas praticamente todas as tecnologias. Além do Museu do Solo que expõe detalhadamente algumas técnicas e seu processo de construção.

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A terra crua como material de construção:

• regula a umidade ambiental,
• regula a temperatura interna,
• são totalmente recicláveis,
• diminuem a contaminação ambiental,
• são mais economicas,
• economizam energia,
• e são muito mais divertidas para construir!

A alta durabilidade e resistência já vem sendo testada a milênios. Agora só falta você por a mão na massa!!!

Fonte: http://www.ecocentro.org

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Papelão é alternativa rápida e limpa na construção civil

29.12.2010
O uso do papelão na construção civil pode representar uma alternativa que proporciona mais rapidez na obra, e com um processo mais leve e salubre.

Se não diretamente para moradias, o material oferece uma solução rápida e segura para construções de apoio nos canteiros de obras, pequenos depósitos e outros “puxadinhos”.

Reciclagem fácil

A utilidade e a segurança do papelão para a construção civil estão sendo demonstradas por pesquisas que estão sendo realizadas no Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da USP.

De acordo com a pesquisadora Gerusa Salado, os estudos com o papelão já vêm sendo desenvolvidos no Japão. “No Brasil, esse tipo de pesquisa ainda é inédito,” afirma.

A escolha do papelão levou em conta critérios como reciclagem e produção de celulose e do próprio papelão, matérias-primas abundantes no Brasil.

“O papelão, além do fato de poder ser reciclado várias vezes, não precisa de um grande processo de transformação para a reciclagem. Basta triturá-lo e misturar com água”, descreve Gerusa.

Construção experimental

Para testar a eficácia do uso do papelão na construção civil, os pesquisadores construíram uma célula-teste.

Esta “construção experimental”, como foi denominada, possui o formato de um cubo medindo cerca de 3x3x3 metros (m), equivalente a um volume de 27 metros cúbicos (m3). Em uma de suas paredes há uma janela. Na outra, uma porta.

Gerusa explica que as outras duas paredes são “paredes cegas”, ou seja, sem qualquer tipo de abertura. Inicialmente, a pesquisadora desenvolveu na célula-teste as vedações, que são o objeto principal de sua pesquisa.

Gerusa conseguiu construir uma parede de 1 m linear, com tubos de 10 cm de diâmetro, sem resina ou impermeabilizantes.

A estrutura, segundo ela, resistiu até 5,0 toneladas. Utilizando a resina impermeabilizante, a mesma estrutura teve sua resistência aumentada, suportando até 6,0 toneladas.

Esta mesma resina também torna o material resistente às chuvas e à umidade. “Nossa construção experimental tem resistido a todas as fortes chuvas desses últimos tempos”, conta a pesquisadora.

Em relação ao fogo, ela alerta que o material ainda precisa ser avaliado em relação ao tempo que o papelão pode levar para ser incinerado e se o fogo pode se extinguir sozinho – estes testes são realizados em laboratório e seguem normas técnicas nacionais e/ou internacionais. “Sabemos que todos os materiais de construção são suscetíveis ao fogo, mas neste caso, precisamos averiguar se o tempo de propagação de um incêndio acidental possibilita que os usuários desocupem a edificação”, diz Gerusa.

Vantagens das construções de papelão

Os estudos realizados já têm dado frutos, segundo a pesquisadora. “Já é certeza que a estrutura poderá ser aplicada em edificações térreas”.

O intuito das pesquisas, segundo Gerusa, é que a estrutura possa vir a ser utilizada para habitações ou não, além de outros tipos de construções como edifícios, como uma possibilidade de substituição de materiais de alvenaria.

Entre as principais vantagens na utilização do papelão na construção civil, Gerusa destaca o uso de uma fundação apenas superficial e não subterrânea, pois a construção é leve. A construção de imóveis com este material é bem mais rápida do que os métodos convencionais porque é feita num sistema construtivo pré-fabricado.

“Além disso, os tubos de papelão são ocos, facilitando a instalação dos sistemas hidráulicos e elétricos, não havendo necessidade de quebrar paredes. Todo o processo é limpo e salubre podendo ser desmontado e remontado a qualquer tempo”, garante a pesquisadora.

O custo de uma parede de papelão em relação à de alvenaria convencional por enquanto é proporcional, mas Gerusa lembra de alguns fatores que podem torná-lo um potencial material concorrente à alvenaria, como impostos adequados a construção civil, produção não só dos tubos, mas também de módulos pré-fabricados em larga escala.

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=papelao-na-construcao-civil&id=010125101229&ebol=sim

Apostila ‘Curso de Bioconstrução’ – MMA

O Curso de Capacitação em Bioconstrução tem por objetivo estimular a adoção de tecnologias de mínimo impacto ambiental nas construções de moradias ou equipamentos turísticos comunitários, por meio de técnicas de arquitetura adequadas ao clima, que valorizem a eficiência energética, o tratamento adequado de resíduos, o uso de recursos matérias-primas locais, aproveitando os conhecimentos e saberes gerados pelas próprias comunidades envolvidas.

Para baixar a apostila clique AQUI.

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