Trítono: o verdadeiro “diabo na música” e outros subliminares

Até as armas secretas de guerra sonora e o som nos supermercados

Flávio Calazans

Enquanto algumas pessoas desinformadas perdem um tempo precioso virando velhos discos de vinil ao contrário, as verdadeiras tecnologias de manipulação empregando ondas sonoras continuam pouco pesquisadas no Brasil, aqui esboço um breve panorama apresentando algumas destas tecnologias que nada tem a ver com nenhuma religião, e sim com a Ciência.

Os efeitos da música têm sido registrados em diversas culturas; na antiga China o Liki (livro cerimonial de protocolo e etiqueta) já discorria sobre harmonia e dissonância na música ambiente e sua influência nas relações entre os convidados; e no Livro da Música, escrito no período de Wou Li (147-178 a.C.) há estudos sobre notas musicais (escala pentatônica) e seus efeitos políticos, sociais e psicológicos. No entendimento chinês, a música tem efeitos que passam despercebidos pelas pessoas, daí sua importância no ambiente.

Os indianos consideravam dois aspectos musicais: Marga (leis permanentes, arquétipos do inconsciente coletivo, volksgeist) e Deshi (modismos, estereótipos, zeitgeist), e registram efeitos da música como energia ou vibração influenciando o crescimento das plantas e o temperamento de animais (mais tarde um tratado de cura pela música dos Persas afirmaria que “a música acalma as feras”, e tal axioma correria depois por todo o mundo greco-romano).

O filósofo grego Pitágoras também descreveu o poder do som e seus efeitos sobre a psique humana.

Os gritos de guerra (Sluarg Gaurm-Slogan) refletem um arquétipo musical, proferido em um intervalo que corresponde a uma quarta aumentada (Dó, Fá sustenido), um intervalo que geraria medo no inimigo; os chineses denominam tal intervalo como Jwei-Pin, os hindus o empregavam em rituais noturnos, e os ocidentais reconhecem que tal intervalo tem um aspecto angustiante, inquietante e desagradável. Esse intervalo chegou a ser proibido pelos musicistas religiosos católicos, que o denominavam Diabolus In Musica, e foi empregado por Berlioz na “Sinfonia Fantástica” e por Wagner nos momentos mágicos de suas óperas com simbolismos maçônicos.

Esse intervalo de três tons, o Trítono, como entre fá e si, em efeito inverso ao da oitava, enquanto a oitava é estável, o trítono é instável, baseado na relação 32/45 pulsos melódicos (Wisnik, 1999, p. 82, 83) e tal corte separa, divide, desune, dissolve, o solve da alquimia, a função do diabolus. Por tal efeito psíquico o trítono é proibido no canto gregoriano como o símbolo da dissonância, do desacordo, da discordância e rebelião, sendo censurado, calado, evitado, omitido, esquecido a força, negado, reprimido, ausente – in absentia.

A primeira notação musical canônica foi um esforço do beneditino italiano Guido de Arezzo (990-1050) no século XI, empregando os fonemas de um cântico religioso famoso, “Hino a São João”:

UT queant laxis

RE sonare fibris

MI ra gestorum

FA multi tuorum

SOL ve populi

LA eris reatum

S ancte Iohannes

Somente no século XVII “Ut” foi substituído por “Dó” por razões meramente fonéticas; Arezzo criou o sistema de notação musical e do solfejo, e o “Si” foi incorporado depois, quando se passou do sistema hexacorde para o da oitava.

Efeitos subliminares subaudíveis podem ser plantados em baixo volume em diversas faixas de som e velocidade inaudíveis pelo ouvido humano no nível consciente, porém, causando reações subliminares facilmente comprováveis.

Key explica que o coração humano bate a 72 pulsações por minuto, e que músicas ou vozes nesse ritmo afetam o comportamento humano. Tais efeitos sonoros seriam tal qual os cenários de filmes, o discurso gráfico e os iconesos em fotos ou desenhos, um fundo subliminar inaudível.

Sara Melissa Müller desenvolveu estudos e apresentou papers em co-autoria comigo em congressos científicos internacionais como o IAMCR nos quais aprofunda o tema do som subliminar. Segundo Müller o médico e músico Wilson Luiz Sanvito condena os vários estudos sobre a capacidade da música em influenciar o cérebro, o corpo físico e as emoções. Para ele, a música afeta fisicamente por possuir um ritmo (pulsações) e um tempo (compasso), como as funções biológicas. O cérebro parece analisar os estímulos sonoros através de padrões de referência tendo como modelo freqüências harmônicas, no caso da música.

Watson, no livro “War On The Mind: The Military Uses And Abuses Of Psychology” (p. 422), revela outro segredo do Exército dos Estados Unidos: em 1973 a Allen Internacional publicou o registro de um canhão para dissolver multidões urbanas, o “Photic Driver” que pulsa sons que reverberam nos edifícios sincronizados com flashes de luzes piscando velozmente, refletindo nas paredes dos edifícios; o barulho e as luzes causam náuseas na multidão, mas o risco de ataques epiléticos registrados nos testes levou ao arquivamento do protótipo experimental.

Pulsos de som em certas freqüências podem deixar a multidão enjoada ou até causar ataques epiléticos induzidos sonicamente por padrões de ondas repetidas ritmicamente; tais padrões podem ser baixas freqüências, até inaudíveis (subliminares); segundo Peter, um protótipo empregado em uma manifestação da Irlanda do Norte dispersou uma multidão de manifestantes católicos com notas agudas dolorosas.

Em uma propaganda para a televisão, por exemplo, o receptor percebe antes a imagem, e o áudio neste contexto seria classificado como “música de fundo”, pois há muitas informações sendo transmitidas em um pequeno espaço de tempo. Esses elementos que ficam em segundo plano seriam um fundo subliminar.

Segundo o “Princípio Poetzle”, todos os sons que não são percebidos conscientemente atuariam de forma subliminar, recebemos múltiplas mensagens, e nossa atenção seletiva filtra e focaliza um único canal sensório, deixando todo o resto como subliminar. Tais informações entram “de contrabando” e se depositam na memória subliminar ou subconsciente.

Os pensamentos e idéias não-iluminados, esquecidos, não deixam de existir: se encontram em estado latente, adormecidos num estado subliminar, além do limite da atenção consciente ou da memória, o que não impede que a qualquer momento possam surgir.

há aquilo que se pode chamar de audição sensorial, ou seja, o tipo de audição no qual o ouvinte não volta toda a sua atenção para o discurso musical, por exemplo, quando ouve música enquanto desenvolve outra atividade qualquer. Isso ocorre todos os dias: no consultório médico, no supermercado, durante o trabalho, no carro.

Nesses momentos, a música ocupa um espaço secundário em nossa percepção consciente podendo ser considerada percepção inconsciente, ou seja, subliminar. Vários sons podem ser utilizados para se comunicar de forma subliminar variando de acordo com o contexto em que é inserido e embutido o som.

Todos os sons podem ter uma razão de ser, até mesmo o silêncio. Os silêncios também são uma dimensão de som. Há dúzias de silêncios eletrônicos diferentes, cada um deles produzindo uma reação definida no receptor. Sons e silêncios podem ser alternados, criando um pelotão de efeitos para o público. Esses sons e silêncios, quando bem combinados não são percebidos conscientemente.

Key, no livro Media Sexploitation, descreve diversos subliminares sonoros, inclusive explica a decupagem dos efeitos sincronizados na mixagem ou edição do filme O exorcista.

Segundo Key, o reforço que o som causa na imagem é a causa do sucesso desse filme de terror, pois foi realizado com engenharia de som subliminar sofisticada para a época, chegando a ganhar um Oscar pela trilha sonora.

Friedkin, o responsável, explica que aplicou diversos tipos de subliminar no fundo sonoro, por exemplo:

1) Som do enxame de abelhas furiosas, zunindo em dezesseis freqüências diferentes mixadas – o consciente as ouve como um único som. Todos os humanos reagem com medo e ansiedade ao som das abelhas, mesmo se nunca ouviram tal som, este desperta o desejo de fugir, esconder-se, e o medo de sofrer dores.

Friedkin explica que, segundo Jung, tal som seria um arquétipo.

Esse som foi plantado na edição em ondas crescentes antes das cenas de maior tensão e suspense.

2) Som dos gritos de porcos sendo degolados. A menina Reagan, ao ser possuída pelo demônio, vai sendo maquiada gradualmente a cada cena para parecer-se com um porco, enquanto “ouve-se” subliminarmente estes guinchos angustiantes.

3) Gemidos de casais no momento do orgasmo. Foram inseridos no fundo subliminar nas cenas de clímax, o ato de exorcismo com a moça e o padre a sós.

Key explica que mais de 50% das mulheres entrevistadas por sua equipe afirmaram ficar excitadas sexualmente nessa cena.

4) Som no silêncio. As pausas silenciosas do filme eram silêncio eletrônico, com fundo de baixa freqüência inaudível, zumbindo.

Esses silêncios formam uma série de platôs que gradualmente aumentam em volume e diminuem de intervalo de tempo de aparição antes dos momentos de clímax. Os silêncios são empregados para produzir tensão emocional, tornando-se mais e mais freqüentes e pesados num fluxo de tensão-clímax-relaxamento-tensão.

5) Dublagem. A voz de Reagan vai sendo cuidadosamente sintetizada e mixada até ser totalmente dublada pela voz de Mercedes McCambridge, atriz com uma voz profunda e sensual.

Key demonstra diversas técnicas empregadas pela engenharia de som subliminar.

Ora, sons de abelhas prestam-se a anúncios de seguros de vida, planos de saúde e tudo o que envolva o cérebro réptil, as motivações de Maslow relativas à segurança.

Já a cena dos porcos guinchando e a maquiagem da atriz é uma demonstração da intersemiose subliminar som-imagem.

Na cena sadomasoquista do exorcismo os gemidos de orgasmos mostram o poder dos estímulos sexuais subliminares.

Até mesmo os silêncios apresentam pulsos subliminares inaudíveis para tornar apreensivos os telespectadores. Na montagem cinematográfica as imagens são editadas de modo a intensificar a tensão, gerando um ritmo angustiante de suspense, que altera os batimentos cardíacos, a pressão arterial, a respiração e a taxa de adrenalina e epifremina do público.

Isso é o que hoje é chamado “engenharia de emoções”.

O exorcista, é importante lembrar, foi realizado em 1976. Hoje tais tecnologias sofisticaram-se, bem como suas aplicações.

No Brasil, em 1989, Zé Rodrix produziu um jingle para o Chevrolet da General Motors, cujo ritmo era de 80 ciclos por minuto. Segundo Zé Rodrix, o ritmo do coração de uma mãe amamentando o filho, ouvido pelo recém-nascido, é um som associado a conforto, tranqüilidade, segurança e prazer. Sensações que o publicitário, por meio do jingle, tentava associar subliminarmente ao carro.

Rodrix afirma que se baseou em pesquisas do grupo Pink Floyd que apontaram o ritmo de 80 ciclos como o de maior efeito subliminar sobre o auditório – cobaias involuntárias dessas tecnologias experimentais em seus shows.

Porém, não é apenas no cinema, na publicidade e nos shows de rock que a tecnologia subliminar sonora pode ser aplicada.

Segundo Faria, é possível empregar essas técnicas para uma aprendizagem subliminar, como explica na sua obra A comunicação na administração, ao citar o técnico francês Jacques Genevav, que inventou o automafone, um aparelho pesando cerca de 20 quilos, o qual “ensina as pessoas enquanto elas estão dormindo”.

O tema ou lição é gravado em fita e um “baixo-falante” toca subliminarmente sob o travesseiro.

Além de ajudar estudantes em suas lições e na aprendizagem de idiomas, o sistema serve para atores decorarem seus textos e para gagos corrigirem seus problemas. Esse mesmo sistema já tem sido usado em dietas, para motivar subliminarmente a perder peso do mesmo modo que as fitas de videocassete já citadas.

Atualmente, nos Estados Unidos, o mais recente emprego da tecnologia subliminar sonora tem fins “educativos”, e uma das empresas que desenvolve este trabalho é a Corporação de Engenharia Comportamental, Engenharia de Emoções, localizada em Metairie, Louisiana, Nova Orleans.

Segundo Peter Krass, no artigo “Computeis that Would Program People”, a engenharia de emoções é um ramo recente de atividades que tem por objetivo alterar o comportamento involuntariamente, sem a consciência dos receptores, do público que é manipulado subliminarmente por sons e cores.

Um dos produtos à venda é o Mark VI – audio subliminal processos, um equipamento eletrônico que ajusta o som para um volume subliminar abaixo de 20 ciclos por segundo, mixado à música de fundo que toca em supermercados e lojas de departamentos. A voz de fundo fica repetindo todo o tempo a frase “sou honesto, não roubo”, o que já reduziu em 30% o índice de furtos em 81 supermercados de quatro estados dos Estados Unidos.

O Mark VI também é instalado em consultórios de dentistas e médicos, onde recita a ladainha subliminar de frases que acalmam e relaxam, além de ser colocado em bancos para influenciar funcionários e clientes a fazerem investimentos.

Há sons no silêncio dando ordens, sugestionando, manipulando.

Por outro lado, no Oregon, EUA, a empresa Proactive Systems patenteou outro sistema semelhante que está no mercado desde 1981 com resultados surpreendentes, comprovados estatisticamente.

Alguns programas de computador têm um número limitado de canais. Porém, como foi descrito anteriormente, programas como o Vegas são ilimitados. Os volumes dos canais podem ser controlados individualmente e há também um volume geral.

O exemplo mais claro é o efeito do som no formato 5.1, aquele usado em Home Theater. O alto-falante mais grave reproduz algumas freqüências que o ouvido humano não capta, são freqüências abaixo de 20 hertz.

Mas aí vem a pergunta: por que gastar muito dinheiro comprando um alto-falante que reproduz um som que não podemos ouvir? Resposta: o som se propaga no ar empurrando as moléculas do ar para frente, neste caso não podemos ouvir o som mas podemos sentir a sua vibração. Imagine a cena de um avião caindo em um filme. No momento da queda, a pressão sonora é tão grande que nos dá a sensação de que o avião vai cair sobre nossas cabeças. Aliás, é bom que o efeito seja real somente até esse ponto.

Desse modo, as moléculas de ar empurradas pela propagação da onda sonora chegam dentro do ouvido e causam o bater do martelo na bigorna registrando um efeito tátil subliminar de pulso e freqüência, ocorrendo a cognição sem consciência, a repetição do estímulo pode ocasionar um condicionamento (behaviorismo) e uma predisposição posterior a estados emocionais ao ser exposto ao logotipo, ao candidato político, a embalagem do produto etc.

E a audição periférica explica, pela Gestalt, que tal fundo é despercebido e fora do holofote da consciência na explicação de Jung, sendo, pois que, se não estão conscientes são inconscientes, logo, subliminares.

Tais mixagens de som são os iconesos sonoros.

Apesar de toda esta tecnologia disponível, diversos publicitários e sonoplastas entrevistados alegam que ninguém nunca ouviu falar de nenhuma aplicação de subliminares no som !!!

A audição é pura recepção. O ato de ouvir limita-se a receber um sinal sonoro e determinar a ele um sentido. Ouvir é um estado passivo e de contemplação, porém, no âmbito da percepção, a audição é fundamental no contato com o mundo.

Por isso, é impossível “fechar os olhos” aos estímulos subliminares sonoros ou escapar as armas de guerra sônica.

Bibliografia
Calazans, Flávio. Propaganda subliminar Multimídia, Sétima edição revista e ampliada, Summus editorial. 2006.

Fonte: http://www.duplipensar.net

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Imagem subliminar causa impacto no cérebro

Mesmo quando a pessoa não percebe que viu algo, isso fica registrado no cérebro. Pesquisadores constataram o efeito com imagens feitas com ressonância magnética.

Quando se trata de imagens subliminares, longe dos olhos não significa longe da mente. Embora as imagens ou mensagens sejam invisíveis, e as pessoas não tenham consciência de que as viram, elas captam a atenção do cérebro em um nível subconsciente, dizem pesquisadores.

As descobertas de cientistas do University College de Londres sugerem que a publicidade subliminar, que emprega imagens ou mensagens para influenciar os consumidores, deixam um impacto no cérebro.

“Esta é a primeira vez que se demonstra que o cérebro pode prestar atenção a coisas das quais nós nem sequer tomamos consciência”, disse em entrevista Bahado Bahrami, chefe da equipe.

Os pesquisadores empregaram uma técnica de escaneamento chamada MRI para registrar a atividade cerebral de voluntários aos quais foram mostradas imagens e depois se pediu que desempenhassem tarefas. Os cientistas constaram que o cérebro responde a imagens tênues, embora o espectador não tenha consciência de ter visto as imagens.

Para Bahrami, “a descoberta aponta para o tipo de impacto que a publicidade subliminar pode exercer sobre o cérebro”. Mas ele disse que o estudo não revela se esse tipo de publicidade afeta ou não a decisão de uma pessoa de comprar um produto.

Os cientistas pediram a voluntários que usassem óculos com lentes filtradas para azul e vermelho e lhes apresentaram uma imagem tênue de objetos do cotidiano a um olho e uma imagem forte em lampejos contínuos para o outro. A imagem forte encobriu totalmente a imagem tênue.

Também se pediu aos voluntários que realizassem tarefas mentais simples e mais difíceis ao mesmo tempo. Durante as tarefas mais fáceis, os cérebros dos voluntários captaram os estímulos subliminares, mas, nas tarefas mais difíceis, o MRI não registrou atividade cerebral, porque o cérebro bloqueou a entrada das imagens subliminares.

“O que comprovamos é que podemos receber do córtex visual (do cérebro) respostas confiáveis que correspondem a imagens tênues, mesmo que os sujeitos não enxerguem essas imagens”, disse Bahrami. “Essas reações se reduzem quando os sujeitos estão ocupados fazendo algo difícil.”

Fonte: http://g1.globo.com

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Humanidade sob controle: Mensagens e manipulação subliminares

Dr. José Maria Campos (Clemente)
Médico clinico, pesquisador, escritor, membro da coordenação de Figueira.

Mensagens subliminares nos bombardeiam continuamente. Servem para isso todos os meios de comunicação: livros, revistas, TV, rádio, música, internet, videogames, histórias em quadrinhos, outdoors, posters, panfletos etc.

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, em psicologia, subliminar é aquilo “que não ultrapassa o limiar da consciência, que não é suficientemente intenso para penetrar na consciência, mas que, pela repetição ou por outras técnicas, pode atingir o subconsciente, afetando emoções, desejos, opiniões”.

Mensagens subliminares são, portanto, as enviadas dissimulada e ocultamente, abaixo dos limites da nossa percepção consciente e que influenciam nossas escolhas e atitudes e motivam a tomada de decisões posteriores. Entram na nossa mente de forma sorrateira, aí ficam inertes, latentes, e são ativadas apenas na hora certa.

De modo geral não se tem idéia do que seja uma mensagem ou manipulação subliminar. Porém, com certeza todos já foram e ainda podem estar sendo vítimas dela. Hoje em dia grande número de empresas, governos, religiões e firmas de propaganda e publicidade usa mensagens subliminares, por serem extremamente efetivas. O trunfo desses grupos consiste em, primeiro, negar que utilizam técnicas de manipulação. Segundo, negar a própria idéia de serem tais mecanismos capazes de levar as pessoas a estados de consciência passíveis de controle.

Essas sugestões ocultas, que somente o subconsciente percebe, são uma forma de indução hipnótica. Nas últimas décadas, pesquisadores e psicólogos se empenharam em criar técnicas astutas para contornar a mente consciente e embutir no subconsciente mensagens subliminares, com intenções e conteúdos bem específicos.

Técnicas para embutir mensagens subliminares:

Uma das técnicas usa sons subaudíveis para dissimular mensagens sonoras por entre a música, por trás da comunicação falada ou por meio de técnicas ainda mais sofisticadas. Grandes lojas ou redes de supermercados podem estar usando esses sons ou mensagens por trás da música de fundo. Podem usar também jingles, que, segundo o dicionário, são “mensagens publicitárias musicadas, que consistem em estribilho simples e de curta duração, próprio para ser lembrado e cantarolado com facilidade”. Em pouco tempo acabam impregnando a mente e o subconsciente das pessoas com suas induções subliminares.

Uma das intenções preconizadas para seu uso é a de prevenir roubos, porém, a intenção real é muito mais insidiosa do que essa, aparente. Comandos como obedeça – compre mais – gaste – durma – nós o estamos vigiando podem estar sendo repetidos inúmeras vezes, em voz ritmada e monótona, em volume baixíssimo. São engrenados diretamente no subconsciente, para contornar os mecanismos de defesa da mente consciente. O subconsciente fica então coagido a produzir sensações induzidas pelos comandos e deixa de criar o estado de alerta, que nos põe mais atentos diante de algo que possa estar errado.

Como se vê, não é intenção da mensagem subliminar manipular o consciente, mas sim estimular sentimentos e sensações, tais como temor – ódio – amor – euforia – torpor, induzidos pelos comandos. E, o que é mais grave, ela pode também produzir estados alterados de consciência.

Estados alterados de consciência:

Dick Sutphen, teósofo e estudioso da hipnose e dos estados afins, relata uma experiência de manipulação subliminar, da qual participou: “Fui com um grupo a uma reunião num auditório de Los Angeles onde mais de 10 mil pessoas se reuniam para ouvir uma figura carismática. Mais ou menos 20 minutos depois de chegar ali, percebi que eu entrava num estado alterado de consciência e dele saía. Os que me acompanhavam experimentavam a mesma coisa. Por cuidadosa observação, percebíamos o que acontecia, mas os que nos rodeavam nada percebiam. O que parecia ser uma demonstração espontânea era, de fato, uma astuta manipulação”.

Segundo ele, a indução ao transe grupal, nesse caso, se devia a uma vibração de seis a sete ciclos por segundo, que soava junto com o som do ar condicionado. Essa vibração, em particular, gera ritmos alfa que tornam as pessoas altamente susceptíveis a sugestões. Quase um terço da população global é capaz de entrar em semelhantes estados.

Outra técnica de manipulação subliminar é a de “embutir”. Nela mensagens visuais são dissimuladas entre os fotogramas e projetadas tão rápido que não são vistas. Consiste em imprimir comandos de forma tênue e quase apagada no fundo de quadros impressos. O resultado final é praticamente invisível ao olho. Os computadores hoje em dia fazem isso de forma rápida e automática. Imprimem um mosaico de fundo com palavras como durma, obedeça, sexo etc., mensagens que ninguém nota. Material impresso, como jornais, revistas e livros para adultos e para crianças, pode conter mensagens escritas, imagens e símbolos embutidos no fundo. Dessa forma, mensagens dissimuladas e repetidas vão debilitando o subconsciente, que nos alertaria diante de comandos ocultos. A técnica de embutir é a mais comum das mensagens subliminares.

Televisão:

A TV faz muito mais do que apenas entreter, pois também é capaz de produzir estados alterados de consciência. Neles a pessoa passa a usar mais o hemisfério direito do cérebro, onde ocorre liberação de neurotransmissores opiáceos – as endorfinas -, substâncias quimicamente quase idênticas ao ópio. Sob seu efeito ela experimenta sensações agradáveis e sempre vai desejar repeti-las.

Pesquisas feitas por H. Krugman mostraram que, enquanto as pessoas assistem TV, a atividade do hemisfério direito do cérebro excede a do esquerdo na relação de 2 para 1. Isso significa que, influenciadas pela TV, as pessoas começam a apresentar estados alterados de consciência. E freqüentemente estão em estado de transe, pois a TV lhes fornece sua “dose fixa” de endorfinas opiáceas.

Para medir o estado de atenção e de vigília das pessoas diante da TV, o psicofisiologista Thomas Mulholland realizou o seguinte experimento: conectou telespectadores jovens a aparelhos de eletrencefalografia. O aparelho estava ligado a um fio que interrompia a TV sempre que a atividade cerebral dos jovens produzia maioria de ondas alfa. Embora lhes fosse pedido que se concentrassem no que estava sendo exibido, apenas poucos conseguiram manter o aparelho ligado por mais de 30 segundos!

Muitos telespectadores já vivem hipnotizados, e aprofundar neles o estado de transe é muito fácil. A maneira mais simples é a de inserir um fotograma preto a cada 32 fotogramas do filme. Isso cria uma pulsação de 45 batidas por minuto, percebida somente pelo subconsciente, e esse é o ritmo ideal para provocar uma hipnose profunda. Até a idade de 16 anos, as crianças terão passado mais de l5 mil horas vendo TV, muito mais tempo do que passam na escola. Uma TV, em média, fica ligada quase sete horas por dia em uma casa normal, de acordo com as estatísticas dos anos 80. E isso cresceu. Muitas pessoas estão hoje se movendo rapidamente para um mundo em “estado alfa”: olhar plácido e vítreo e resposta pronta e obediente às instruções e comandos. Imaginem um filme que mostre 60 fotogramas por segundo e que nossa percepção registre apenas 45 por segundo. Se em um deles for projetada uma garrafa de refrigerante, o consciente não notará, mas o subconsciente sim. Se for projetada cinco a seis vezes durante o filme, a pessoa, ao final, poderá sentir, de forma súbita, uma vontade incontrolável e inconsciente de tOmar o refrigerante, mesmo que não tenha hábito de bebê-lo ou que não seja o seu favorito!

Nos EUA foi feita uma experiência para provar a eficácia dessa técnica. Em um filme foi projetada várias vezes, em flashes rápidos, a mensagem: “eat popcorn”, que em português significa “coma pipoca”. Na saída do cinema foi colocado um carrinho de pipoca, e a fila para comprá-la foi de dobrar o quarteirão.

Uma terceira e efetiva técnica de manipulação subliminar é a de “mascarar”, na qual as mensagens subliminares são astutamente incorporadas ao material impresso (quadros, desenhos) ou gravado.

Lavagem Cerebral:

Quando se começa a combinar mensagens subliminares por trás da música, a projetar cenas subliminares numa tela, a produzir efeitos visuais hipnóticos, a ouvir batidas musicais a um ritmo que induz as pessoas ao estado de transe, consegue-se uma lavagem cerebral extremamente eficaz.

Se alguém pensa que há lei contra tudo isto, saiba que não há. Existem forças ocultas e escusas que obviamente querem que as coisas permaneçam assim mesmo como estão e que a humanidade permaneça sob controle.

A atmosfera física e psíquica da Terra é hoje um “mar infestado” de ondas e vibrações as mais diversas, de todas as procedências e fora de qualquer controle. Toda vigilância é pouca.

Desse modo, resta-nos vigiar e orar sempre, porque não há trevas que resistam ao poder da Luz.”

Fonte: Revista Sinais de Figueira, Ano 5, n° 13.

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A influência da propaganda e da TV

Nelly Beatriz M. P. Penteado

Quem nunca voltou do supermercado com coisas que depois, ao chegar em casa, não soube explicar por que comprou? Às vezes nem gostamos daquele produto, ou não precisamos dele, mas mesmo assim o compramos. Algumas pessoas dirão que compraram porque sentiram vontade. E a questão que se coloca é: de onde surgiu esta vontade? Será que as vontades que temos, como esta por exemplo, realmente nos pertencem?

Há algum tempo atrás foi realizada uma experiência que consistiu em exibir numa tela de cinema, durante um filme, a frase “coma pipoca”, em flashes tão rápidos que não fosse possível perceber conscientemente que a frase havia sido mostrada. O resultado desta experiência foi que apesar de não se lembrar da frase escrita, a maioria das pessoas foi comprar pipoca. (Isto é chamado de Propaganda Subliminar)

É possível que nós estejamos tomando refrigerantes, comendo biscoitos e adquirindo uma série de outros produtos da mesma forma que aquelas pessoas comeram pipoca. Porque o processo utilizado pela propaganda é muito semelhante ao descrito acima.

Há várias formas de fazer com que uma mensagem chegue ao inconsciente de uma pessoa. Uma delas é colocar esta pessoa num estado de relaxamento, semelhante aos momentos que antecedem o sono. Considerando que em geral as pessoas aproveitam para relaxar em frente a T.V., chegando às vezes a dormir, a propaganda na T.V. já conta com esta facilidade. É como uma sugestão hipnótica.

Pode-se também programar pela repetição. Para isto a mensagem deve ser repetida inúmeras vezes, em curtos espaços de tempo. Um exemplo são aquelas músicas (jingles) que, de tanto escutarmos em propagandas, ficamos repetindo mentalmente, às vezes durante horas. Até que um dia sentimos uma súbita vontade de comprar aquele produto.

O acesso ao inconsciente de alguém também é possível de uma maneira indireta, através da associação. Basta colocar um produto junto a símbolos já consagrados (por exemplo, cosméticos são apresentados junto a pérolas, a flores delicadas, e a pessoas famosas). Cria-se uma associação que a repetição se encarregará de consolidar. É possível ainda associar um produto a valores e sentimentos (cigarros são associados a status; alimentos a aconchego e alegria).

O tipo de imagem usado nas propagandas pode nos programar facilmente. Como são, por exemplo, as propagandas de alimentos? Em geral elas possuem imagens grandes, bem focalizadas, próximas, coloridas, brilhantes, ocupando o centro da tela. Porque é este o tipo de imagem que geralmente usamos para representar um alimento que decidimos comer urgentemente. Muitos dentre nós o imaginam exatamente desta maneira.

As seqüências de imagens são trabalhadas de forma que a sua rápida sucessão nos programe numa determinada direção. Como acontece com o formato: sempre que acontecer X, use Y e então tudo ficará bem. (Exemplo: propagandas de analgésicos).

E não poderíamos deixar de mencionar a propaganda da violência. Diariamente somos bombardeados com imagens, notícias e alusões à violência. Quando as nacionais estão escassas (o que tem sido raro), recorre-se às “importadas”. Que a violência é reflexo da crise social, política e econômica do país, isto todos nós sabemos. Questões ideológicas à parte, a verdade é que infelizmente as pessoas acabam se acostumando e achando que toda esta violência é natural. E poderão ainda refletir esta violência em seu próprio comportamento, dentro e fora de casa.

Além disso, toda esta programação poderia ser comparada a um lixo tóxico: imagens de agressão, desgraça, terror, etc., vão se acumulando em nosso inconsciente causando pesadelos, medo, pânico, depressão, pessimismo, insegurança. A repetição, a exibição contínua de cenas de violência, transforma isto em programação.

E retomamos a questão, agora num outro sentido: será que aqueles ímpetos de raiva que às vezes temos, aquelas vezes em que “explodimos” diante de algo ou alguém que nos aborrece, será que isto realmente nos pertence? Ou será um comportamento culturalmente aprendido, que dia a dia é reforçado (pela mídia, por outras pessoas, pelas instituições, etc.)? Será que estamos sendo programados para odiar pessoas, para reagir com agressividade?

Você poderá estar se perguntando se existe algo que possa ser feito para que não sejamos objetos passivos frente às influências aqui mencionadas. Esclarecemos que estar consciente em relação a elas já é um começo para outras alternativas que cada um poderá desenvolver a fim de assumir o controle de sua própria vida (e de suas próprias vontades, seus próprios comportamentos).

Não estamos aqui condenando a T.V. enquanto veículo de comunicação e nem a propaganda, afinal quem vende precisa divulgar. E quem compra pode ter a escolha de decidir o que e quando comprar. Com uma visão menos passiva e mais crítica, podemos pensar na T.V. como uma vitrine que reflete os valores de nossa cultura e que, inúmeras vezes, está a serviço do poder, ou defendendo os interesses de minorias abastadas, aquelas que se encontram no alto da pirâmide social e que precisam incentivar o consumismo de seus produtos por parte da “base”, da qual dependem diretamente para continuarem a existir…

Fonte: http://www.geocities.com

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