Roupas alteram maneira como pessoas percebem cor da pele

29 de setembro, 2011

Um estudo feito por pesquisadores americanos concluiu que o jeito de se vestir pode mudar a percepção de terceiros sobre a cor da pele de uma pessoa.

Os cientistas vestiram pessoas ou com roupas casuais de trabalho, ou com macacões, e pediram a espectadores que categorizassem os rostos dos modelos como sendo brancos ou negros.

A probabilidade maior era, segundo a pesquisa, que os rostos fossem vistos como brancos quando as pessoas se vestiam com roupas casuais de escritório e como negros quando usavam os macacões.

O relatório da equipe de pesquisadores, baseados nos Estados Unidos, foi publicado na revista científica Plos One.

Os cientistas acham que, se as pessoas têm consciência das estratégias que usam para avaliar outras pessoas, os efeitos desses julgamentos subconscientes podem ser diminuídos.

“Este é um artigo realmente interessante que testa hipóteses sobre como nós categorizamos as pessoas”, diz a psicóloga Lisa DeBruine, que estuda reconhecimento facial na Universidade de Aberdeen, na Escócia, e que não está envolvida no trabalho.

Branco ou negro?

Os pesquisadores pediram a cerca de 20 voluntários que classificassem os rostos de homens e mulheres, que variavam de formato e tom da pele, em apenas uma de duas categorias de raça – branca ou negra.

A equipe, formada por cientistas das universidades de Tufts, Medford, Stanford e da Califórnia (todas americanas) – descobriu que, para os rostos mais ambíguos racialmente, os participantes tinham 4% a mais de probabilidade de considerar uma face negra se a pessoa estivesse usando um macacão, em vez de um terno.

Em outras palavras, o rosto mais ambíguo racialmente era categorizado como negro em 61% das vezes em que usava terno, e 65% das vezes em que usava macacão.

Ao acompanhar os movimentos das mãos dos voluntários enquanto eles mexiam em um mouse para tomar sua decisão, os cientistas puderam perceber hesitações momentâneas, que davam pistas sobre como os participantes estavam fazendo suas opções.

A equipe descobriu que, mesmo quando um voluntário decidia que uma pessoa usando um terno de negócios era negra, a trajetória do mouse tendia a desviar um pouco em direção à opção “branco” mais frequentemente do que quando um rosto “negro” estava usando macacão.

Bagagem cultural

“(Os resultados) indicam que a nossa bagagem cultural, e o que estamos esperando ver estereotipicamente, pode literalmente mudar o que nós vemos em outras pessoas”, disse o estudante de graduação Jon Freeman, da Universidade Tufts, que liderou o estudo.

Ele diz que as decisões sobre raça e gênero mudam a nossa atitude frente as pessoas e afetam a maneira como nós interagimos com elas.

Freeman e seus colegas planejam pesquisar se a influência das roupas na percepção da raça desaparece quando as pessoas ficam conscientes que a “bagagem que elas trazem à mesa pode verdadeiramente alterar a forma como a raça é percebida”.

Se for o caso, estudos como este podem ajudar a aliviar os efeitos da estereotipificação, segundo afirmam os pesquisadores.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110929_cor_pele_pesquisa_rp.shtml

 

Dor física e emocional ativam mesma área do cérebro

29.03.2011 ]

A dor da rejeição não é apenas uma figura de expressão ou de linguagem, mas algo tão real como a dor física. Segundo uma nova pesquisa, experiências intensas de rejeição social ativam as mesmas áreas no cérebro que atuam na resposta a experiências sensoriais dolorosas.

“Os resultados dão novo sentido à ideia de que a rejeição social ‘machuca’”, disse Ethan Kross, da Universidade de Michigan, que coordenou a pesquisa.

Os resultados do estudo serão publicados esta semana no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

“A princípio, derramar uma xícara de café quente em você mesmo ou pensar em uma pessoa com quem experimentou recentemente um rompimento inesperado parece que provocam tipos diferentes de dor, mas nosso estudo mostra que são mais semelhantes do que se pensava”, disse Kross.

Estudos anteriores indicaram que as mesmas regiões no cérebro apoiam os sentimentos emocionalmente estressantes que acompanham a experiência tando da dor física como da rejeição social.

A nova pesquisa destaca que há uma interrelação neural entre esses dois tipos de experiências em áreas do cérebro, uma parte em comum que se torna ativa quando uma pessoa experimenta sensações dolorosas, físicas ou não. Kross e colegas identificaram essas regiões: o córtex somatossensorial e a ínsula dorsal posterior.

Participaram do estudo 40 voluntários que haviam passado por um fim inesperado de relacionamento amoroso nos últimos seis meses e que disseram se sentir rejeitados por causa do ocorrido.

Cada participante completou duas tarefas, uma relacionada à sensação de rejeição e outra com respostas à dor física, enquanto tinham seus cérebros examinados por ressonância magnética funcional.

“Verificamos que fortes sensações induzidas de rejeição social ativam as mesmas regiões cerebrais envolvidas com a sensação de dor física, áreas que são raramente ativadas em estudos de neuroimagens de emoções”, disse Kross.

O artigo Social rejection shares somatosensory representations with physical pain (doi/10.1073/pnas.1102693108), de Ethan Kross e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em http://www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1102693108.

http://agencia.fapesp.br/13645

O modelo interno de realidade

O ser quântico

Resenha do livro “O ser quântico: uma visão revolucionária da natureza humana e da consciência, baseada na nova física” *
Obra de Danah Zohar, em colaboração com Ian Marshall.

por José Batista da Rocha
E-mail: jbrphr@gmail.com

Professor de Metodologia Científica e Filosofia da Educação nos cursos de Psicologia e Pedagogia do CESMAC. Doutorando em Educação pela Universidad Católica de Santa Fe – Santa Fe – Argentina.

*Trabajo realizado para la disciplina Disposiciones ético-estético-afectivas e desafíos teórico-metodológicos en la pesquisa en educación  (Doctorado en Educación – UCSF – Argentina), Profesora responsable: Dra. Malvina do Amaral Dorneles.

[] O CONTEÚDO DA OBRA

No primeiro capítulo Uma Física da Vida Diária a autora nos mostra como a física quântica influencia hoje, em todo mundo, vários seguimentos das ciências e até mesmo do comportamento das pessoas nas mais variadas atividades. Aparece como uma nova maneira de pensar a realidade sugerindo explicações, as mais variadas, para diversos problemas para os quais sempre estivemos buscando respostas. Como diz: estarei examinando bem de perto o relacionamento entre matéria e consciência dentro da teoria quântica, assim como propondo uma nova teoria mecânico-quântica da consciência que promete nos trazer de volta a uma associação com o universo”. (p. 7).

A física quântica ao tratar do micro mundo, o mundo dos átomos, descreve o funcionamento interno de tudo quanto existe e o que somos, pois tudo é feito de átomos e seus componentes que seguem leis muito especificas e que repercutem em nossas vidas e a de todos os seres.

[…] Um único fóton, ou “partícula” de luz, afeta a sensibilidade do nervo ótico. O princípio da incerteza que governa o comportamento dos elétrons desempenha um papel na estrutura dos acidentes genéticos que contribuem para o processo de envelhecimento e para a evolução de certos tipos de câncer, sendo que o próprio processo evolutivo talvez seja afetado de maneira semelhante. (p. 9, link nosso).

A tese central do livro é a de que o ser humano é a ponte natural entre o mundo da experiência diária e o mundo da física quântica e que a consciência ocupa um papel fundamental para a compreensão filosófica de todas as coisas, ou seja, propõe um modelo para a compreensão da realidade diária a partir da compreensão da realidade quântica.

O que Há de Novo na Nova Física – Neste capítulo a autora procura examinar as noções de SER, MOVIMENTO e RELACIONAMENTO a partir da física quântica. A linguagem empregada é bastante fácil procurando utilizar o máximo possível termos de uso no dia-a-dia.

A noção de Ser na física quântica sofre uma mudança fundamental a partir da idéia de que todos os seres são constituídos basicamente da mesma maneira, ou seja, a “substancia” quântica é essencialmente formado de onda e de partícula, simultaneamente.

“[…]Mais que isto, a física quântica prossegue dizendo que nenhuma das duas descrições tem real precisão quando isolada e que tanto o aspecto onda como o aspecto partícula do ser devem ser levados em conta quando se procura compreender a natureza das coisas. É a própria dualidade o aspecto mais básico.[…]” (p.13).

Já a noção de Movimento que na física clássica é bastante compreensível por ser simples na física quântica tudo muda. A idéia de um tempo e um movimento contínuos é substituída pela noção de “saltos”, “pulos”, que os físicos quânticos costumam chamar de “uma física de pacotes”. Assim o movimento é descrito como uma série de saltos descontínuos, não mais o fluir suave dos eventos como nos fotogramas de um filme.  Da mesma forma que “ocasionalmente um filme pode “saltar” dentro do projetor, também as partículas subatômicas podem saltar ‘vários fotogramas para frente’ pulando os estágios intermediários que pareceriam o caminho mais natural.” (p.17).

Por fim a noção de Relacionamento na física quântica é uma decorrência natural das novas concepções de ser e movimento anteriormente descritas. As coisas e acontecimentos que eram vistos como entidades separadas são agora aspectos múltiplos de um todo maior e suas existências “individuais” se definem através do contato com esse todo. “[…] Todas as coisas e todos os momentos tocam uns nos outros em todos os pontos; a unidade do sistema completo é suprema.[…]” (p.19).

Em todo o livro a autora faz correlações entre este conceito quântico de “relacionamento não-local”, conseqüência direta da dualidade partícula-onda da matéria, com acontecimentos da nossa vida diária, especialmente os relacionados com a nossa consciência. Esse novo conceito de relacionamento fundamentado na não-localidade, oferece uma chave para compreendermos a nós mesmos e nossa interação com o mundo do qual somos parte.

No terceiro capítulo A Consciência e o Gato a autora apresenta a experiência do gato mecânico-quântico de Schrödinger onde aquele pesquisador demonstrou que a vida ou a morte do gato é uma questão de probabilidade que preenche o espaço do experimento. As conseqüências desse experimento são as seguintes: a) A realidade acontece quando a vemos Fenômenos quânticos não observados são radicalmente diferentes dos observados, o observador interfere diretamente no fenômeno; b) Como a realidade acontece depende de como a vemos – Na física quântica este fenômeno é chamado de “contextualismo” e este conceito é fundamental segundo a autora, para sua proposta de uma nova visão de mundo, com suas próprias e distintas dimensões epistemológicas, morais e espirituais. c) Serão os Elétrons Conscientes? – será que a consciência está presente apenas no homem ou todos os demais seres a possuem também e nesse caso mudaria apenas o nível de consciência, a porção dela possível naquele estado de ser? “E, se [a consciência]  for contínua, até que ponto se estende esta continuidade? A cães e gatos? Às amebas? Às pedras? Ou até elétrons? Já ao começar a pensar desta forma estamos experimentando uma boa mudança de paradigma.” (p. 33); d) Os outros seres vivos – Esse modelo nos permite afirmar que todos os seres vivos possuem consciência; e) Pampsiquismo –  pleno e limitado – sobre esse conceito a autora é cautelosa afirmando que o estágio atual da física quântica ainda não permite afirmar com certeza categórica sobre a origem da consciência na  realidade quântica.

Os dois capítulos seguintes Consciência e Cérebro: Dois Modelos Clássicos e Um Modelo Mecânico-Quântico da Consciência a autora apresenta os três modelos mais conhecidos para a explicação da consciência e a posição e o papel que o cérebro ocupa em cada um deles. O cérebro como um computador que comanda todo o nosso corpo, a nossa psique, é certamente uma explicação bastante atraente pelas analogias que podemos fazer. “De fato, o cérebro humano é uma complexa matriz de sistemas sobrepostos e interligados, correspondentes às várias etapas da evolução, e o ser que dele brota é parecido com uma cidade construída ao longo das eras. […]” (p. 42). Já o modelo holístico (o cérebro como holograma) segundo a autora também não parece dar todas as respostas. […] Se “o cérebro é um holograma que percebe e participa de um universo holográfico”, quem está olhando para este holograma? O holograma em si não passa de uma fotografia diferente, que por si só não é sujeito do ato de perceber.[…] (p. 49).

O modelo Mecânico-Quântico da Consciência é apresentado pela autora como um fascinante instrumento de compreensão dos mistérios da vida. Autores como Penrose, Marshall e Orlov dele se servem, mas há muito ainda que esclarecer quanto a esse modelo.  Questões ainda não resolvidas como: De que modo seria esse processo quântico? Quais propriedades do cérebro poderiam sustentar tal modelo? Somente respondendo a essas questões centrais é que se poderia afirmar com segurança a aplicabilidade real desse modelo. Para responder a essas questões ela levanta outra pergunta:

Que tipo de mecanismo neurobiológico seria necessário para “alinhar” neurônios (ou algum de seus componentes) da mesma forma que as agulhas das bússolas de nosso exemplo se alinharam, por força de seus próprios campos magnéticos internos? E será viável um mecanismo desse tipo? (p.56).

Para ela os condensados de Bose-Einstein com suas características singulares onde “… as inúmeras partes constitutivas de um sistema ordenado não só se comportam como um todo, mas se torna um todo ­ suas identidades se fundem ou se sobrepõem de tal forma que perdem completamente a própria individualidade.” (p.56, grifo do autor). E acrescenta: “[…] Penso que essa condensação de Bose-Einstein nos componentes dos neurônios é o que distingue o consciente do não consciente. Acho que essa é a base física da consciência.” (p. 60). Finaliza afirmando que os dois sistemas, do computador e os condensados de Bose-Einstein se complementam possibilitando explicar a questão da formação da consciência ao nível quântico.

Agora com esses dois modelos em mãos, a autora parte para a explicação da relação Mente Corpo (capítulo 7). Então afirma: “A dualidade mente­corpo (mente­cérebro) no homem é um reflexo da dualidade onda­partícula, que é subjacente a tudo o que existe. Assim, o ser humano é um minúsculo microcosmo do ser cósmico.” (p. 70) e a característica especial dos sistemas vivos, embora não exclusiva deles, é a sua capacidade de sustentar a condensação de Bose-Einstein, ou seja, a mentalidade.

No capítulo 8 A Pessoa que Eu Sou: Identidade Quântica a autora discute as dificuldades encontradas para solucionar tal questão. Se a minha constituição material mais ínfima, as partículas subatômicas circulam constantemente em mim e para além de mim. Aqui estou, com o meu corpo feito de elementos que algum dia formou a poeira das estrelas nos quatro cantos do Universo para se tornar, por algum tempo o corpo que sou –  o padrão que é unicamente a minha alma. Mas quem ou o que é este “eu” que penso que sou?

O ser quântico, então, o “eu” que consideramos aquilo que somos, é bastante real, mas ao longo do tempo revela-se mutável a cada momento, com contornos indefinidos e flutuantes. […] Posso dizer com alguma certeza que eu sou, mas, se isso fosse tudo o que pode ser dito sobre o ser, ficaria difícil dizer quem e o que eu sou. “Uma existência flutuando de momento a momento” é só o que se tem a dizer sobre a identidade individual das partículas elementares. Em determinado momento podemos dizer várias coisas sobre um elétron em particular (carga, massa, spin etc.) e nesse mesmo momento podemos distinguir um elétron do outro (se não por outro motivo, apenas por estarem em lugares diferentes, ou por possuírem momento diverso), mas eles não possuem uma identidade permanente, nenhuma identidade que os acompanhe ao longo do tempo. Estão bem aqui, concretamente, hoje, e desaparecerão amanhã. […] Nesse aspecto os seres humanos não são como os elétrons, ou assim parece à maioria de nós. (p. 82 grifo do autor)

Para um ser quântico, o “agora” é composto se sub-seres já existentes (porém em constante flutuação) – nossos seres que éramos antes do “agora” – juntamente com os novos dados provenientes do mundo exterior (as novas experiências), cada qual formando seu próprio padrão de onda no estado fundamental da consciência – o condensado Bose-Einstein.

Nos dois capítulos seguintes a autora discute as questões da Intimidade Quantica e da Imortalidade Quântica.

Diz que pelo processo de memória quântica cada um de nós traz dentro de si engendrado na trama da própria alma, todos os relacionamentos íntimos que já teve da mesma forma que trazemos todas as interações já vivenciadas com o mundo exterior. Assim o relacionamento íntimo é explicado em termos quânticos pela sobreposição da função de onda de uma pessoa à de outra.

Duas pessoas que estão no mesmo estado, por exemplo, terão um relacionamento íntimo muito mais harmonioso que duas pessoas em estados diferentes, quando as ondas de suas personalidades estiverem sobrepostas, uma em cima da outra […] Uma analogia com as harmonias musicais (que são em si ondas sonoras) evidencia este aspecto. (p. 97).

A questão da Imortalidade Quântica é resolvida com a certeza que nos dá a física quantica, de que no nível subatômico das partículas elementares não há morte no sentido de uma perda definitiva. O vácuo quântico, que é a realidade que subjaz a tudo o que é, tem existência eterna. Nesse vácuo, todas as propriedades se mantêm: massa/energia, carga, spin etc. Nada jamais se perde.

Pelo processo de memória quântica, em que os padrões de onda criados por experiências passadas fundem-se no sistema quântico do cérebro com os padrões de onda criados pela experiência presente, meu passado está sempre comigo. […] Por meio da memória quântica, o passado está vivo, aberto e em diálogo com o presente. Como em qualquer verdadeiro diálogo, isso significa que o passado não só influencia o presente como também que o presente se impõe sobre o passado, dando-lhe nova vida e significado, por vezes transformando-o completamente. Um exemplo pessoal talvez ajude a tornar a idéia mais concreta. (p.103, link nosso).

Ultrapassando o Narcisismo: Os Fundamentos de uma Nova Psicologia Quântica – Vivemos numa cultura narcisista, uma cultura centrada no “eu”, no “meu”, no “agora”. Nesse capítulo a autora apresenta o narcisismo como uma doença do relacionamento, uma doença resultante da incapacidade de se formar relacionamentos importantes consigo mesmo e com os outros. Seu oposto é um estado de ser ou atitude diante da vida aberta ao compromisso consigo e com os outros, o amor, sacrifício e até, no outro extremo, o martírio.

“Todos os sistemas quânticos do Universo, inclusive nós mesmos, estão entrelaçados (correlacionados e enredados) em alguma medida. Mesmo o vácuo quântico está repleto de correlações. Tal entrelaçamento básico é a essência da realidade quântica. (p. 118, link nosso). Se faz necessário então, uma psicologia da pessoa, fundamentada na natureza quântica do ser e que enfatize todos esses relacionamentos.

No capítulo seguinte, A Liberdade do Ser: Responsabilidade Quântica, a autora fala da relação existente entre nossos atos como resultado da liberdade de escolha e a concentração para atingirmos tais resultados. Diz que somente com um modelo quântico de pessoa, onde a condição de ser um “eu” surge de um estado quântico coerente, tornando-se possível a responsabilidade quântica. Assim o condensado de Bose-Einstein, que é a base física da consciência, gera um campo elétrico que se estende numa ampla região e quaisquer padrões (pensamentos, impulsos) no condensado terão uma ação correlata em muitos neurônios do cérebro, influenciando simultaneamente seus potenciais de disparo e fazendo-os agir como se fossem um só. (p. 127).

Para exercermos essa responsabilidade quântica se faz necessário sermos criativos. É dessa questão que trata o capítulo seguinte: O Ser Criativo: Nós como Co-autores do Mundo, onde a autora afirma ser a criatividade uma capacidade essencial dos seres humanos, pois sentimos que essa característica nos difere dos demais animais. Quando criamos de certa forma compartilhamos esse ato com o mundo.

Isso produz um novo conceito quântico de “subjetividade partilhada”, uma subjetividade que está em diálogo com o mundo e que, através desse diálogo, faz surgir a objetividade. É o relacionamento entre observador e observado transferido do laboratório de física para a esfera moral através da natureza quântica de nossa consciência. (p.145).

Nós e o Mundo Material: A Estética Quântica é a questão seguinte. Até que ponto o nosso diálogo criativo com o mundo material deixa marcas em nós e o quanto de nós impregnamos nele. Em que medida nosso diálogo com o mundo material molda tanto a matéria quanto nossa condição de seres humanos? Um diálogo mutuamente criativo entre as pessoas e seus implementos materiais e ambientes, está ligado à característica mais básica da consciência, sua coerência ordenada e sua “tendência” profunda a aumentar e expandir tal qualidade.

Em O Vácuo Quântico e o Deus Interior A autora apresenta a tese de que a física quântica, aliada a um modelo mecânico-quântico da consciência, nos possibilita uma nova visão da realidade. Uma perspectiva que nos permite ver a nós mesmos e a nossos propósitos como parte integrante do Universo e possibilita que compreendamos o significado da existência humana ­ compreender por que nós, seres humanos conscientes, estamos no universo material. “[…] Se esta perspectiva total pudesse ser plenamente alcançada, ela não substituiria toda a vasta gama de imagens poéticas e mitológicas, as dimensões espirituais e morais da religião, mas forneceria a base física para um quadro coerente do mundo ­ e onde nos incluímos.” (p. 160).

Por fim em A Cosmovisão Quântica, a autora nos mostra que uma visão de mundo bem-sucedida deve, no final, reunir os níveis pessoal, social e espiritual em  um  só todo coerente. O sucesso ou fracasso de uma visão de mundo, o nascimento de uma nova cosmovisão no lugar de outra que morreu, está, em última instância, no indivíduo e na medida em que ele está em contato com sua própria experiência e com suas intuições mais profundas.

A cosmovisão quântica transcende a dicotomia entre mente e corpo, entre interior e exterior, revelando-nos que as unidades básicas constitutivas da mente (bósons) e as unidades básicas constitutivas da matéria (férmions) brotam de um substrato quântico comum (o vácuo) e estão empenhadas num diálogo mutuamente criativo, cujas raízes remontam ao próprio cerne da criação da realidade. Em outros termos, a mente é relacionamento e a matéria é aquilo que é relacionado. Nenhuma delas, sozinha, poderia evoluir ou expressar algo. Juntas, elas nos dão os seres humanos e o mundo. (p. 174, links nossos).

COMENTÁRIO SOBRE A OBRA

A cientista Danah Zohar nos apresenta nesta obra, um conjunto expressivo de pontos para reflexão. Certamente sua formação em Filosofia e Física, muito contribuiu para o aprofundamento e a criatividade que empresta às suas reflexões em torno dessa temática, tão atual quanto necessária: o momento em que sofremos de crise de paradigma. Ao colocar o homem como co-autor do universo que ao mesmo tempo o integra e se desenvolve com ele, aponta a Física como o instrumento que permite vislumbrar a possibilidade de compreender o mistério da Vida e do Universo.

Fundamentada na pesquisa científica, a autora propõe uma resposta vigorosa para a antiga discussão sobre as origens e os caminhos da existência humana, percorrendo questões que vão da filosofia à física quântica e da sociologia às teorias comportamentais. Suas reflexões a cerca das diversas teorias existentes sobre o tema da Vida e do Universo, traz para a atualidade a discussão em torna do paradigma que ainda influencia o modo de fazer ciência – o newtoniano-cartesiano – e que se encontra esgotado em suas possibilidades de explicar as novas miradas ou incursões da nossa percepção sobre a complexidade dos seres e a sua dimensão de espiritualidade. A nova descoberta sobre a inteligência espiritual tem levado pesquisadores, como a autora, a incursionarem de forma científica, nesse campo de investigação, trazendo mais compreensão sobre a natureza do homem em sua concepção holística.

Tal dimensão, a espiritual, está ligada à natureza humana de ter objetivo e propósito na vida e é, sem dúvida, responsável pelo significado de nossa existência. Somente com o desenvolvimento dessa dimensão podemos sonhar com um mundo melhor, onde o respeito pela outridade, represente um sentimento natural de todos.

O Ser Quântico, escrito em colaboração com o psiquiatra e terapeuta Ian Marshall, esposo da autora e que muito contribuiu com suas pesquisas sobre os condensados de Bose-Einstein nos mostra caminhos bastante atraentes para percorrermos, visando uma compreensão cada vez maior, dos complexos mistérios da Vida, da Consciência e do Universo.

Danah propõe  um novo modelo, baseado nas idéias, na linguagem e nas imagens das novas ciências – a física quântica, as teorias do caos, da complexidade e as últimas descobertas sobre o funcionamento do cérebro. Mas, como expressa a autora em sua obra, devemos continuar nas investigações e o diálogo, é sem dúvida, a melhor ferramenta.

BIBLIOGRAFÍA DE APOIO

– BOHM, David. A totalidade e a ordem implicada. São Paulo; Cultrix, 1992.
– CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma nova compreensão científica dos sistemas vivos. 8.ed. São Paulo: Cultrix: Amanda-Key, 2003.
– MAFFESOLI, Michel. No fundo das aparências. Petrópolis: Vozes, 1996.
– TALBOT, Michael. O universo holográfico: uma perturbadora concepção da realidade como um holograma gigante gerado pela mente. 5. ed. São Paulo: Best Seller: Círculo do Livro, [199?].

http://www.pesquisapsicologica.pro.br

log_pir_47

.

 Gostou? Então Curta nossa página no Facebook.

eu_47 Seja amigo do autor do site no Facebook, e esteja sempre antenado em assuntos interesantes como este.

Teoria da mente: como nos colocamos no lugar dos outros?, 15-07-2009

Anne Trafton

Teoria da mente

Todos nós fazemos constantemente inferências sobre o que se passa na cabeça das outras pessoas, ainda que normalmente façamos isso de forma inconsciente. Os cientistas cognitivos chamam essa habilidade de “teoria da mente” e, até recentemente, pouco se sabia sobre os mecanismos cerebrais por trás dessa capacidade.

Um novo estudo, feito por cientistas do MIT (EUA), sugere que o processo não envolve realmente imaginar-se na posição da outra pessoa, como alguns cientistas haviam teorizado.

Modelo abstrato da mente

Em vez disso, nós usamos um modelo abstrato de como acreditamos que a mente do outro funciona, modelo que é aplicado à situação que o outro está passando para predizer como ele está se sentindo, mesmo se a pessoa que julga nunca tenha passado ela mesma por aquela experiência.

O estudo também fornece evidências de que a teoria da mente está sedimentada em regiões específicas do cérebro, mesmo em pessoas congenitamente cegas, ou seja, pessoas que nunca receberam qualquer input visual, uma fonte importante de informações sobre o estado mental dos outros.

O trabalho foi publicado no exemplar desta semana do Proceedings of the National Academy of Sciences.

Teorias sobre como compreendemos o outro

Embora a teoria da mente seja um conceito antigo, estudado por filósofos como Descartes, pouco se sabe sobre como ela funciona. Predominam duas teorias. A primeira, conhecida como simulação, sugere que, quando as pessoas tentam descobrir as reações mentais de outra pessoa a um evento, elas se imaginam na mesma situação.

A segunda teoria propõe que o cérebro humano usa um modelo abstrato de como a mente funciona, análogo ao modelo que temos sobre o funcionamento do mundo físico. Este modelo permite que as pessoas entendam a mente dos outros sem ter passado pelas mesmas experiências – da mesma forma que sabemos que um ovo irá se quebrar se cair do décimo andar, mesmo se nunca tivermos feito isso.

Estudando pessoas cegas desde o nascimento, Marina Bedny e Rebecca Saxe avaliaram a hipótese da simulação – se ela fosse correta, as pessoas cegas não poderiam julgar as experiências visuais de outros porque elas próprias nunca tiveram qualquer experiência do mesmo tipo, não sendo capazes de recriar a experiência de ver algo.

Entretanto, as pesquisadoras descobriram que os cegos de nascença se saíram tão bem quanto as pessoas com visão normal na previsão dos sentimentos de outras pessoas em fenômenos envolvendo a visualização, usando as mesmas regiões do cérebro, sugerindo que a simulação não é necessária e que o cérebro está utilizando um modelo abstrato do estado mental dos outros.

Programação genética ou experiência?

A pesquisa também elucidou uma questão relacionada: Em que medida a localização das funções cerebrais de alta ordem, como a teoria da mente, depende de uma programação genética ou em que medida ela é determinada pela experiência sensorial?

Vários estudos têm mostrado que, sob certas circunstâncias, o cérebro é capaz de se reorganizar em resposta a estímulos sensoriais, ou na falta deles. Por exemplo, em pessoas cegas de nascença, o córtex que normalmente processa as informações visuais básicas podem passar a ser utilizadas para o processamento da linguagem.

Como as pessoas com visão normal frequentemente obtêm informações sobre as emoções dos outros por meio da visão – vendo as expressões faciais, por exemplo – algumas teorias sugerem que as pessoas cegas usariam regiões diferentes do cérebro ao executar tarefas ligadas à teoria da mente.

Entretanto, os exames de ressonância magnética funcional feitos pela equipe não revelaram nenhuma diferença entre as regiões cerebrais ativadas nas pessoas com visão e sem visão quando elas tentam predizer o estado mental de outros.

Isto fornece evidências de que a organização das funções cognitivas de alto nível, como a teoria da mente, não é determinada pela experiência sensorial. Mas a questão continua em aberto, podendo a organização do cérebro nestas regiões ser pré-programada geneticamente ou depender de outros aspectos da experiência, como a linguagem, por exemplo.

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=teoria-mente-como-colocamos-lugar-outros&id=4304&nl=sit

A biologia da crença

Best-seller nos Estados Unidos, A biologia da crença – lançamento da Butterfly Editora –, de Bruce Lipton, renomado cientista norte-americano, em linguagem simples e direta, ao alcance de todos, traz surpreendentes descobertas científicas que comprovam o poder do pensamento sobre a matéria e esclarecem a reencarnação.

Seus estudos foram precursores da epigenética – estudo dos mecanismos moleculares por meio dos quais o meio ambiente controla a atividade genética.

Sua vasta pesquisa comprova que o DNA é controlado pela energia que emana dos pensamentos, o que simplesmente significa que nossas projeções mentais influenciam diretamente em nossa saúde.

Comprovação científica

Finalmente, o poder do pensamento é evidenciado à luz da ciência: trata-se de um salto quântico, o qual deu origem àquela que está sendo denominada a “nova biologia”. Desde que o The Wall Street Science Journal, no primeiro semestre de 2004, anunciou “A biologia da crença”, cientistas, pesquisadores, médicos e biologistas do mundo inteiro foram “sacudidos” pelas conclusões de Lipton.

Um deles foi Gregg Braden, autor de0 “The God code” [O código de Deus] e “The Isaiah effect” [O efeito Isaías]: “O doutor Bruce Lipton nos oferece o tão procurado elo perdido entre a vida e a consciência. Responde a velhas questões e esclarece os mistérios mais profundos de nosso passado. Não tenho a menor dúvida de que este livro acabará se tornando uma base para a ciência do novo milênio”.

Lipton recorda suas primeiras conclusões que o levaram a adiantar as pesquisas que desenvolveu: “Se direcionarmos melhor o que estamos pensando, poderemos mudar o estado do nosso corpo”.

No seu livro, o cientista simplesmente expõe suas conclusões e destaca o benefício que delas é possível extrair. Professor universitário de grandes recursos recorre a exemplos e ilustrações que facilitam o entendimento do que poderia, à primeira vista, parecer complexo. Prova de sua capacidade de exposição é o fato de que milhares de pessoas mudaram seu modo de pensar depois de ler “A biologia da crença”.

A razão disso é muito simples: o conceito de que a força do pensamento pode mudar nossa vida – muito explorado nos livros de auto-ajuda, a maioria deles atrelada à filosofia, à religião ou à psicologia – finalmente ganhou comprovação científica pelas mãos de Bruce Lipton!
Lançamento da Butterfly Editora, A biologia da crença é um livro revolucionário que aproxima a ciência da filosofia e da religião, leitura agradável e produtiva que certamente vai mudar a vida de seus leitores.

SERVIÇO:

A biologia da crença
Bruce H. Lipton
Formato: 16×23 cm – 256 páginas
Capa em 4 cores sobre cartão supremo 250 g,
laminação fosca com verniz de reserva com orelha
Miolo impresso em 1 cor em papel off-set 75 g
Acabamento em lombada quadrada e costurada.
Preço de capa: R$ 29,90

Butterfly Editora
Rua Atuaí, 383 – sala 5 – Vila Esperança
03646-000 – São Paulo – SP
Tel./Fax: (11) 6684-9392

Contato: Afonso Moreira Jr.
flyed@flyed.com.br
http://www.flyed.com.br

http://www.amigosdolivro.com.brlermais_materias.php?cd_materias=5032

A verdade é o objetivo de alguns, mas a maioria prefere as próprias ideias, 16-07-2009

Filtramos o que queremos ver e ouvir

Nós nadamos em um mar de informações, mas filtramos a maioria daquilo que nós queremos ver e ouvir. Uma nova análise de dados de dezenas de pesquisas lança novas luzes sobre como nós selecionamos o que queremos e o que não queremos ouvir.

O estudo descobriu que, embora as pessoas tendam a evitar informações que contradizem aquilo que elas já pensam ou acreditam, certos fatores podem levá-las a procurar, ou ao menos considerar, outros pontos de vista.

A análise, publicada no exemplar deste mês do Psychological Bulletin, e feita por pesquisadores das universidades de Illinois e da Flórida, incluiu dados de 91 pesquisas envolvendo quase 8.000 pessoas.

Verdade versus comodidade

O estudo resolve um longo debate sobre se as pessoas evitam ativamente informações que contradizem o que elas acreditam, ou se elas são simplesmente mais expostas a ideias que se conformam à suas próprias porque elas tendem a se cercar de pessoas que pensam igual a ela.

“Nós queríamos ver exatamente em que medida as pessoas estão tentando procurar a verdade versus ficar confortavelmente com aquilo que já pensam,” diz a psicóloga Dolores Albarracín, que coordenou o estudo, juntamente com seu colega William Hart.

Dois terços não querem ouvir o outro lado

Os estudos que eles revisaram geralmente perguntavam aos participantes sobre suas visões sobre um determinado tópico e então lhes permitia escolher se eles queriam ver ou ler informações que apoiavam suas opiniões ou informações com pontos de vista opostos.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas eram duas vezes mais propensas a selecionar informações que apoiam seus próprios pontos de vista (67%) do que levar em consideração uma ideia oposta (33%). Determinados indivíduos, aqueles com mentes mais fechadas, eram ainda mais relutantes em se expor a perspectivas diferentes, diz Albarricín. Eles optam por informações que correspondem aos seus pontos de vista em 75% das vezes.

Ética, política e religião

Os pesquisadores também descobriram, sem grande surpresa, que as pessoas eram mais resistentes a novos pontos de vista quando suas próprias ideias eram associadas com valores políticos, éticos e religiosos.

“Se você está realmente comprometido com sua própria atitude – por exemplo, se você é um democrata convicto – você será muito mais propenso a procurar informações que se conformem à sua opinião,” diz a pesquisadora. “Se as questões se relacionam com valores morais ou com política, cerca de 70% do tempo você irá escolher informações similares às suas, versus cerca de 60% do tempo se as questões se referirem a outros assuntos.”

Talvez mais surpreendentemente, as pessoas com pouca confiança em suas próprias crenças são menos propensas a se expor a visões contrárias do que as pessoas que são muito confiantes em suas próprias ideias, explica Albarracín.

Interesse em conhecer opiniões contrárias

Determinados fatores também podem induzir as pessoas a procurar por pontos de vista opostos. Aqueles que precisam defender publicamente suas ideias, como os políticos, por exemplo, são mais motivados a aprender sobre os pontos de vista daqueles que lhes opõem. No processo, eles algumas vezes descobrem que suas próprias ideias evoluem.

As pessoas são mais propensas a se expor a ideias opostas às suas quando elas são úteis de alguma forma.

“Se você está comprando uma casa e realmente gosta da casa, ainda assim você irá inspecioná-la,” diz a pesquisadora. Da mesma forma, não importa o quanto você goste do seu cirurgião, você poderá procurar uma segunda opinião antes de agendar uma cirurgia importante.

Perspectiva otimista

“Na maioria dos casos, parece que as pessoas tendem a permanecer com suas próprias crenças e atitudes porque mudá-las pode significar que elas não poderão levar a vida como a levam,” diz Albarracín. “Mas é uma boa notícia que uma em cada três vezes, ou próximo disso, elas estejam dispostas a ouvir o outro lado,” conclui Albarracín.

http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=verdade-objetivo-alguns-maioria-prefere-as-proprias-ideias&id=4279&nl=sit