Diferenças entre sexos aumentam biodiversidade

Machos e fêmeas de lagartos caribenhos ocupam nichos distintos e geram novas formas de vida.

Diferenças entre indivíduos de distintos sexos podem ter sido fundamentais para o surgimento da grande diversidade de espécies animais da Terra. A conclusão veio de um estudo liderado por Jonathan Losos, da Universidade do Havaí (EUA), sobre lagartos caribenhos do gênero Anolis. O gênero é um caso clássico dos rápidos “estouros evolutivos” conhecidos como radiações adaptativas. Após chegar as ilhas de Cuba, Jamaica, Porto Rico e São Domingos, populações desses lagartos evoluíram independentemente. Em cada uma delas, os animais desenvolveram traços adequados ao ambiente local. Além de características como pernas longas ou curtas, surgiram também graus diferentes de dimorfismo sexual – há espécies em que o macho chega a ser três vezes maior do que a fêmea. Outras diferenças são comportamentais – machos e fêmeas podem ocupar microambientes diferentes e ter dietas distintas. Os cientistas criaram um modelo do nicho ecológico ocupado por 15 espécies do gênero Anolis, de acordo com características como comprimento dos membros, tamanho do corpo e peso. Eles descobriram que apenas 14% dos nichos eram ocupados por ambos os sexos – contra 45% ocupados apenas por fêmeas e 36% em que só se encontravam machos. Isso mostra que o dimorfismo sexual amplia o nicho ecológico ocupado por uma espécie. A conclusão mostra a importância de considerar esse tipo de diferença em estudos evolutivos, que costumam levar em conta apenas um sexo. “Se os animais estão se adaptando ao seu ambiente, mas os sexos são diferentes, essa variação sexual aumenta a diversidade? A resposta é sim”, diz Losos.

Fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=3925&bd=2&pg=1&lg=#sexo