9 coisas que você deve saber sobre seu cérebro

O cérebro é uma das partes mais incríveis do corpo humano. Ele se torna ainda mais impressionante quando funciona de uma maneira diferente da que esperamos. A ciência da psicologia frequentemente acerta sobre o funcionamento da mente humana, mas a Neurologia apresentou algumas surpresas interessantes nas últimas décadas:

1) 7 é o máximo de ítens para a memória de curta duração

O cérebro possui três mecanismos de memória: Sensório, Longa Duração e Curta Duração. A memória de Longa Duração, funciona como um disco rígido de um computador. Da mesma forma, poderíamos dizer que a memória de Curta Duração se aproxima da memória RAM. Esta memória de curta duração é capaz de armazenar de cinco a nove itens, sendo sete a média humana.

Aplicabilidade: Não perca tempo memorizando grandes listas. Armazenar informação exige portanto o compactamento em aproximadamente sete unidades para guardá-lo na memória de Longa Duração.

2) Verde Lima é a cor mais visível

O Verde Lima está localizado exatamente no meio do espectro solar visível pelos olhos humanos, mais precisamente entre o verde e o amarelo. Nosso sistema nervoso possui receptores independentes para o verde, o vermelho e o azul e o Verde Lima aciona os três receptores ao mesmo tempo tornando-se a cor mais perceptível de todas.

Aplicabilidade: Use Verde Lima quando quiser destacar algo. Por esta razão esta é a cor ideal para veículos e profissionais do transito das grandes metrópoles.

3) Seu Subconsciente é mais esperto do que você

Seu Subconsciente é mais esperto do que você. Em outras palavras, ele é mais poderoso do que os processos conscientes. Em um estudo recente, um quadrado era colocado em uma tela seguindo um complexo padrão. Depois de um tempo logo as pessoas começaram a melhorar o resultado ao tentar descobrir onde o quadrado iria aparecer em seguida. Quando indagados para conscientemente explicar o padrão, mesmo de pois de horas, ninguém conseguiu.

Aplicabilidade: Confie mais nos seus “instintos”.

4) Sinestesia é para todos

A mistura de sentidos não é exclusividade de pessoas que usam LSD, todo ser humano possui algum grau de sinestesia. Em um experimento psicológico Wolfgang Köhler pediu que entrevistados descobrissem o nome de duas figuras, uma chamada Buba, e outra Kiki. O interessante é que o experimento resultou em 98% de acertos. A sensação é tão imediata que não vamos nem colocar os nomes na ilustração abaixo:

simbolos
Aplicabilidade: Use o fator sinestésico para aprimorar a memória e o aprendizado.

5) O cérebro humano não é bom com probabilidades

Sua professora do colégio já deve ter lhe provado isso. Mas recentemente foi descoberto que o cérebro humano é naturalmente propenso a cometer alguns erros básicos de probabilidade. Em um estudo foi proposto o seguinte problema:

Jessica é uma mulher solteira de 31 anos, cândida e promissora profissionalmente. Graduada em filosofia. Enquanto estudante engajou-se em militância social e participou de passeatas contra o descontrole da energia nuclear. Ranqueie as seguintes da mais para a menos provável:

1. Jessica é hoje uma professora do ensino fundamental.
2. Jessica trabalha em uma livraria e faz aulas de yoga.
3. Jessica é uma ativista do movimento feminista.
4. Jessica é assistente social.
5. Jessica é membra ativa de um partido político.
6. Jessica trabalha num banco.
7. Jessica é vendedora de uma agência de seguros.
8. Jessica trabalha no banco e é uma ativista do movimento feminista.

Aproximadamente 90% das pessoas afirmaram que 8 é mais provável que 6. Muito embora 8 (trabalhar no banco e ser uma ativista do movimento feminista) inclua inteiramente a possibilidade de 6 (trabalhar num banco). O cérebro humano acredita que mais detalhes fazem um evento tornar-se mais provável, e não menos.

Aplicabilidade: Lembre-se sempre que quanto mais detalhes menos provável é um evento.

6) Memórias são manipuláveis

Pesquisas revelaram que as pessoas muito facilmente falham ao lembrar do passado. Não se trata apenas de esquecer do passado, mas de lembrar de coisas que nunca aconteceram. Por este motivo, terapias de “memórias reprimidas” entraram em desuso entre profissionais sérios, caindo na mesma leva das “memórias das vidas passadas”. Em um ambiente controlado como o de um consultório psiquiátrico é extremamente fácil sugerir coisas que nunca de fato existiram.

Aplicabilidade: Não teime com algo só porque você lembra bem do que aconteceu.

7) Rcnecciemhento de plaarvas plea fomra

Vcoê csnoseuge ler etse txteo com um pcoua dcifuaidlde. As lertas etsão emlbaarhaads e anepas são madnitas a pimerira e a utlmia ltrea de cdaa plaarva. Isso actocnee pouqrue qnaudo se etsá aoscumtado com a lngíua naivta, o crbeero não lê ltrea a lrtea, mas a plaarva cmoo um tdoo.

Apicliilbaadde: É dietrvido, prcseia mais?

8 ) A Memória de longa Duração é desligada durante o sono

Os componentes cerebrais responsáveis pela memória de longa duração são desligados durante as horas de sono. Por esta razão os sonhos são rapidamente esquecidos se não relembrados nos primeiros momentos do despertar. Apesar do ser humano ter vários sonhos durante o repouso eles dificilmente são lembrados. Normalmente apenas fragmentos ainda na memória de curta duração sobrevivem.

Aplicabilidade: Se quiser lembrar de seus sonhos, anote-os ao acordar.

9) O cérebro possui um excelente mecanismo de playback

A chamada memória sensória é o equivalente neural dos mecanismos de playback. Funciona tanto para a visão como para a audição. Seu tálamo re-envia os últimos segundos de tudo o que é originalmente captado pelos sentidos e processado pelo cérebro. Suponha que esteja acontecendo uma festa e alguém diz algo chamando o seu nome. Geralmente você pode recuperar o que foi dito mesmo se estivesse no momento se concentrando em outra conversa. Se perdêssemos este recurso neural atividades multitarefas seriam impraticáveis.

Aplicabilidade: Você não precisa repetir algo porque acha que a pessoa não ouviu. Basta aguardar alguns segundos que o cérebro dela faz isso sozinho.

http://www.mortesubita.org

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Imagem subliminar causa impacto no cérebro

Mesmo quando a pessoa não percebe que viu algo, isso fica registrado no cérebro. Pesquisadores constataram o efeito com imagens feitas com ressonância magnética.

Quando se trata de imagens subliminares, longe dos olhos não significa longe da mente. Embora as imagens ou mensagens sejam invisíveis, e as pessoas não tenham consciência de que as viram, elas captam a atenção do cérebro em um nível subconsciente, dizem pesquisadores.

As descobertas de cientistas do University College de Londres sugerem que a publicidade subliminar, que emprega imagens ou mensagens para influenciar os consumidores, deixam um impacto no cérebro.

“Esta é a primeira vez que se demonstra que o cérebro pode prestar atenção a coisas das quais nós nem sequer tomamos consciência”, disse em entrevista Bahado Bahrami, chefe da equipe.

Os pesquisadores empregaram uma técnica de escaneamento chamada MRI para registrar a atividade cerebral de voluntários aos quais foram mostradas imagens e depois se pediu que desempenhassem tarefas. Os cientistas constaram que o cérebro responde a imagens tênues, embora o espectador não tenha consciência de ter visto as imagens.

Para Bahrami, “a descoberta aponta para o tipo de impacto que a publicidade subliminar pode exercer sobre o cérebro”. Mas ele disse que o estudo não revela se esse tipo de publicidade afeta ou não a decisão de uma pessoa de comprar um produto.

Os cientistas pediram a voluntários que usassem óculos com lentes filtradas para azul e vermelho e lhes apresentaram uma imagem tênue de objetos do cotidiano a um olho e uma imagem forte em lampejos contínuos para o outro. A imagem forte encobriu totalmente a imagem tênue.

Também se pediu aos voluntários que realizassem tarefas mentais simples e mais difíceis ao mesmo tempo. Durante as tarefas mais fáceis, os cérebros dos voluntários captaram os estímulos subliminares, mas, nas tarefas mais difíceis, o MRI não registrou atividade cerebral, porque o cérebro bloqueou a entrada das imagens subliminares.

“O que comprovamos é que podemos receber do córtex visual (do cérebro) respostas confiáveis que correspondem a imagens tênues, mesmo que os sujeitos não enxerguem essas imagens”, disse Bahrami. “Essas reações se reduzem quando os sujeitos estão ocupados fazendo algo difícil.”

Fonte: http://g1.globo.com

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Cérebro ‘burro’ é principal fator de estresse

Por Nuno Cobra

Concordo plenamente com o neurocientista norte-americano Robert M. Sapolsky que ao pesquisar babuínos na África, durante dez anos, concluiu que antecipar problemas causa estresse e destrói neurônios.
A solução para o problema é estar justamente com a cabeça onde o corpo está. Os animais por serem irracionais, fazem justamente isso. Como diz Sapolsky que as ‘zebras só se estressam no momento certo’, ou seja, na frente do leão e não antes de o leão aparecer. Quando se livram do leão o estresse acaba.

Há três décadas levanto duas bandeiras.

1ª) O homem deveria ter mais responsabilidade para não levar a vida tão a serio, uma vez que essa, no fundo, não tem nada de sério e concreto. Isso evidentemente não significa que as pessoas não devam trabalhar direito e nem terem horário, pois o trabalho em si é um grande momento de paz, como este agora escrevendo este texto.

2ª) A segunda bandeira parecia numa visão superficial ainda mais maluca. Eu dizia que era ‘proibido’ pensar; brincava até com um ditado que minha mãe costumava usar. Quando na adolescência ela me pegava acabrunhado e pensativo dizia: “De pensar morreu um burro”.

Esse pensar tão prejudicial à saúde é o estopim inicial de terríveis doenças. Não me refiro ao pensar concreto do momento, planejando, estudando e aprendendo, enfim… ocupado na solução real de um problema, mas me refiro ao pensamento improdutivo, aquele pensamento completamente sem sentido, uma vez que não ajuda em nada na solução de um problema.

Significado real da preocupação

Como o próprio nome diz, a preocupação é uma ocupação mental muito antes do real acontecimento, não tendo nenhuma utilidade.

Devemos sim em face de um problema que iremos ter, daqui seis ou sete dias por exemplo, buscar se ocupar de algumas ações que possam  nos preparar melhor para o dia do acontecimento. Ou seja, fazer um relatório, organizar documentos e uma série de atitudes concretas que irão realmente ajudar no dia do ‘combate’  ou do compromisso.

Se não há nada para fazer de concreto, não tem nenhum sentido lógico e inteligente ficar pensando e preocupado. O resultado será perda de tempo e consumo energético da ocupação dos seus neurônios, com algo que você não tem controle e nem sabe ao certo se irá realmente ocorrer e como irá ocorrer. Esse fato além de tudo, trará sérios problemas para a sua saúde.

A falta de domínio sobre sua mente, deixando que ela tome posse de você e não você dela, é o que nos impede de atingirmos os tão falados 120 anos de idade do mamífero que somos. O individuo preocupado vai aos poucos se matando.

Cérebro ‘burro’

Quando você passa a ocupar sua mente com algo que não esta ocorrendo, você aciona um mecanismo que é um verdadeiro desastre orgânico. Deixei muito claro no meu livro que o cérebro é ‘burro’, mas ele é muito mais ‘burro’ que a gente possa supor.  Uma vez que quando você está pensando no combate – entrevista, reunião, concurso, apresentação, palestra – que irá travar na quinta feira da outra semana, o seu cérebro não sabe que você está só pensando; ele tem certeza que você está se lançando em pleno combate e necessita de todas suas forças.

Então o cérebro fabrica hormônios – os mais potentes – para que você tenha o melhor desempenho. Entre esses hormônios lançados pelo cérebro, temos o famoso cortisol um hormônio que, juntamente com outros, aciona mecanismos para que nós possamos render o máximo, foi ele justamente o elemento responsável por nós estarmos hoje vivos.

Esses hormônios acionados pelo cérebro, não havendo nenhum objetivo de ação para esse monumental combate, passam a correr sedentos pela corrente circulatória, destruindo neurônios.

Mas voltando agora ao pensamento antecipatório. Na verdade você não está em nenhum combate, está apenas sentado numa poltrona, numa cadeira, com o pé encostado numa parede, pensando, pensando… se ‘matando’.

A cabeça e o corpo

Não podemos deixar de exercitar sempre aquela premissa básica que tanto falo, leve sempre a sua cabeça junto com o seu corpo. E use sua mente apenas dentro do momento físico em que você se encontra. Vigie sua mente, sempre, para que ela não saia por aí, buscando problemas que ainda não existem e até podem nunca existir.  Se preocupe com os problemas na hora dos problemas, até porque antes, não ajuda em nada. Leve a vida leve. Ocupe-se com o momento presente, fique mais com você. E isso ajudará demais a sua saúde. Sua cabeça tem de estar onde seu corpo está.

Fonte: http://www.caasp.org.br/noticias.asp?cod_noticia=1053

Os incríveis efeitos da meditação no cérebro e na psique

Pesquisas científicas estão comprovando aquilo que os iogues e monges já sabiam há milênios ­ a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento; a prática regular da meditação altera as estruturas neuronais do cérebro, estimulando as emoções e sentimentos positivos e incrementando as capacidades da mente.

Por Inês Castilho

A meditação é objeto de interesse crescente na medicina. Sua indicação está se tornando cada vez mais comum no tratamento e prevenção de doenças imunológicas, do sistema cardiorrespiratório, dos distúrbios do sono, do estresse, da dor. Médicos começam a adotá-la como técnica complementar no controle da hipertensão e arritmias cardíacas. Desde que foi capa da Time, em 2003, o assunto tem sido freqüentemente veiculado pela mídia ­ como o recente Globo Repórter que mostrou a prática de meditação por médicos e enfermeiros do Hospital de Apoio de Brasília.

A monja Coen Sensei, da tradição zen-budista, diz ter perdido a conta de quantas pessoas ensinou a meditar, no Japão e no Brasil. “Foram centenas, talvez milhares. O interesse pela meditação é internacional e cresce também entre empresários”, diz ela, que começou a praticar durante o boom da meditação nos Estados Unidos pós-guerra do Vietnã. Foi assim também com Susan Andrews, monja do tantra ioga que fundou o Instituto Visão Futuro em Porangaba (SP) e calcula já ter treinado mais de dez mil pessoas em seus 35 anos como instrutora de meditação, em vários países.

Mais de cinco mil pessoas já passaram pelos cursos ministrados por Lia Diskin na Associação Palas Athena, em São Paulo. A psicopedagoga Vivi Tuppy, formada pela Palas, levou para Araçatuba e Birigüi (SP) o programa Educadores da Paz, com práticas de atenção com foco na respiração que já alcançaram cerca de 17 mil alunos e professores das redes estadual e municipal de ensino. O resultado foi o aumento nos índices de aprendizagem e redução da violência na escola e comunidade. Essas são apenas algumas experiências.

Neuroplasticidade

Os estudos publicados em revistas científicas também se multiplicaram nas últimas décadas. Particularmente nos Estados Unidos, mas também no Brasil ­ em instituições respeitadas como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Hospital Albert Einstein e a Universidade de São Paulo (USP).

Neuroplasticidade é palavra-chave das pesquisas mais atuais. O termo refere-se à capacidade de o cérebro mudar sua estrutura e função ­ os circuitos neuronais mais usados se expandem e fortalecem, ao passo que aqueles não usados, ou usados raramente, se encurtam e enfraquecem. “Espera-se que, aprendendo a fomentar e controlar a neuroplasticidade, ela possa trazer benefícios em casos de doenças degenerativas e imunológicas, e lesões por trauma e vasculares”, observa João Radvany, neurologista, psiquiatra e neurorradiologista do Hospital Albert Einstein.

Radvany prepara-se para dar início a uma pesquisa, financiada pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) do Einstein, que tem como objetivo verificar os efeitos da meditação na atenção e concentração de um grupo de médicos. O estudo será feito em colaboração com Edson Amaro Jr., coordenador de pesquisa em neuroimagem no IEP, e Elisa Kozasa, pesquisadora em técnicas de meditação da Unidade de Medicina Comportamental da Unifesp, com o uso da técnica de ressonância magnética funcional, que permite verificar as áreas ativadas no cérebro durante a prática.

Diálogos Mind and Life

O impulso para o desenvolvimento dessas pesquisas deve-se principalmente à associação entre o líder espiritual tibetano Dalai Lama e o biólogo chileno Francisco Varela (1950-2001), então chefe da Unidade de Neurodinâmica do Hospital Salpetrière, em Paris. Nasceu daí o Mind and Life Institute, que desde 1987 realiza encontros anuais ­ um ano no Ocidente, e outro, informal, em Dharamsala, na Índia, onde Sua Santidade vive exilado ­ para um diálogo entre homens e mulheres de ciência e monges budistas sobre a natureza do universo e da mente.

Os encontros do Mind and Life reúnem cientistas dos mais respeitados centros de pesquisa dos Estados Unidos, tais como Harvard, Princeton, Duke, Califórnia. Com o objetivo de responder a um desafio ­ Como criar e manter uma mente saudável? ­, a partir de 1990 cientistas filiados à instituição começaram a investigar os efeitos neurobiológicos da meditação.

Embora divulgados, eles só foram abertos ao público em 2003. O segundo diálogo aberto aconteceu em novembro passado em Washington (EUA), com o tema Investigando a Mente 2005: Aplicações Clínicas e Científicas da Meditação. Em sua passagem por São Paulo, Sua Santidade falou sobre essas experiências no seminário Compaixão e Sabedoria ­ a construção da saúde pessoal e coletiva, realizado dia 28 de abril no Palácio de Convenções do Anhembi, com a participação da Unifesp/Escola Paulista de Medicina.

Participação brasileira

Em 2004, o Mind and Life deu início a um programa de verão anual de uma semana, o Summer Research Institute, em que a apresentação e debate dos temas científicos eram alternados com períodos de meditação que somavam cerca de três horas diárias. Entre os pesquisadores selecionados encontrava-se a bióloga e pesquisadora brasileira Elisa Kozasa, que participou também do Summer Research de 2005.

Autora de uma tese de doutorado sobre os efeitos ­ positivos ­ da meditação e da respiração da ioga na ansiedade, depressão e atenção, Kozasa é co-orientadora de vários projetos de mestrado em meditação na Unifesp e se prepara para fazer pós-doutorado avaliando as áreas cerebrais relacionadas à meditação, através da técnica de neuroimagem funcional. Seu interesse foi despertado aos 12 anos pela prática de aikidô, e mais tarde pela leitura de livros como Autobiografia de um Iogue, de Paramahansa Yogananda, e Diálogos Entre Cientistas e Sábios, de René Weber.

Também o interesse do neurologista João Radvany pela meditação, estranhamente, foi despertado por um esporte ­ a natação. Hoje, além de nadar ele pratica tai chi chuan e meditação zen. “Todos os estímulos do mundo externo e interno são levados ao tronco cerebral, onde uma rede de neurônios mantém o estado acordado e de atenção como se fosse uma luz, de intensidade variável e direção itinerante, para iluminar a experiência que a gerou”, explica Radvany. “As áreas frontais do cérebro fixam o foco dessa luz, gerando concentração no estímulo que a consciência escolhe. A meditação orienta o farol para que incida num determinado aspecto da experiência, excluindo todo o resto.”

Estudos do cérebro

Tanto Radvany como Kozasa ressaltam, entre os estudos realizados por pesquisadores que participam do Mind and Life, os experimentos de Sara Lazar, doutora em biologia molecular pela Universidade de Harvard e praticante de ioga e meditação por aproximadamente dez anos. Em um trabalho publicado em 2000, ela e sua equipe de pesquisadores mostraram que é possível verificar variações da atividade cerebral mesmo em pessoas com pouca prática de meditação, com o uso de ressonância magnética funcional.

Outro estudo de imagem da mesma pesquisadora, publicado em 2005, mostrou que áreas específicas do córtex cerebral, a camada externa do cérebro, eram mais espessas em praticantes pouco experientes de um tipo de meditação conhecida como mindfulness, comumente praticada nos Estados Unidos. “Ela mostrou que não é preciso meditar o dia inteiro para produzir alterações estruturais no cérebro. E que é possível retardar a atrofia de certas áreas cerebrais relacionadas à idade”, observa Radvany.

O neurocientista Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin, em Madison, colaborador do Dalai Lama desde 1992, é um dos principais pesquisadores da neuroplasticidade. “Os neurocientistas acreditavam que nascemos com determinado número de neurônios, e que as mudanças ocorridas com o desenvolvimento seriam apenas nas conexões entre essas células e as células moribundas. Nos últimos dois anos, descobrimos que isso não é verdade. Já foi demonstrado nos humanos que crescem neurônios novos durante a vida inteira. É uma descoberta fantástica” ­ disse ele no diálogo ocorrido em 2000 em Dharamsala, relatado no livro Como Lidar com Emoções Destrutivas ­ Para Viver em Paz com Você e os Outros (Editora Campus), de autoria do Dalai Lama e de Daniel Goleman.

Outro pesquisador importante é Jon Kabat-Zinn, diretor da Clínica de Redução do Estresse, professor de medicina da Universidade de Massachusetts e um dos autores do livro A Mente Alerta (Editora Objetiva). Para Radvany, o mérito de Kabat-Zinn, criador do método de meditação conhecido como mindfulness behavior stress reduction (MBSR), ”foi chamar a atenção para o fato de que é possível transformar todas as atividades diárias em meditação, no sentido de baixar o tônus vegetativo ­ que é o antídoto do estresse”.

Em outras palavras: “Como você pensa, você se torna. Se diariamente, durante a profunda concentração da meditação, redirecionamos o nosso estado mental para longe dos estreitos e negativos padrões de pensamento, em direção a um sentimento de compaixão e tranqüilidade interior, nossas mentes gradualmente se tornam repletas de amor e paz” ­ como diz Susan Andrews e, na qualidade de aprendiz, posso testemunhar.

Tecnologias não-invasivas

A investigação da natureza cognitiva e da emoção no cérebro, com o nível de detalhamento atual, só se tornou possível pelo poder das tecnologias não- invasivas. “A máquina de ressonância magnética tem um metro e meio de comprimento, pesa de 20 a 30 toneladas e faz um barulho danado, mas a radiação que emite é um bilhão de vezes menor que a do Raio X”, explica o radiologista Edson Amaro Jr.

Uma revisão minuciosa dessas técnicas e das pesquisas sobre meditação foi feita por Marcello Árias Danucalov e Roberto Simões, pesquisadores do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos (SP), no livro Neurofisiologia da Meditação ­ Investigações Científicas no Yoga e nas Experiências místico-religiosas: uma Aproximação Entre a Ciência e a Religiosidade, que acaba de ser lançado pela Editora Phorte. Como Kozasa e Radvany, Marcello descobriu o estado meditativo praticando um esporte ­ o surfe.

“O estudo da ativação dos circuitos elétricos cerebrais através desses novos recursos tecnológicos tem nos fornecido um minucioso quadro das funções individuais de cada pequena parte que compõe o sistema nervoso central”, afirmam eles. “Com elas, nós podemos determinar a localização anatômica exata de cada um dos sítios relacionados aos nossos cinco sentidos; quais as áreas ativas durante os mais simples ou os mais complexos comportamentos motores, de uma pequena área agregada ao ato de movimentar um único dedo, até as vastas regiões do córtex motor associadas à performance de um pianista.”

Pesquisa revela: meditação libera da cólera, da raiva e da inveja

Os primeiros resultados de um programa de pesquisas de laboratório atualmente em curso na Universidade de Wisconsin (EUA), sob a direção de Richard Davidson, reunindo neuropsicólogos e monges budistas, faz furor nos meios científicos. Esses resultados revelam que a meditação é muito mais do que uma simples técnica de relaxamento. Mostram que um treinamento regular da mente e do espírito, através de técnicas de meditação, modificam nossa massa cinzenta ­ e assim, como conseqüência, a maneira através da qual percebemos o mundo dentro e fora de nós.

Esse programa de pesquisas não teria sido possível sem a colaboração interessada de Tenzin Gyatso, o atual Dalai Lama, chefe do budismo de linha tibetana. Ele se entusiasmara, há cinco anos, ao ter conhecimento de recentes descobertas na área da neurociência, em particular a respeito da maneira através da qual as emoções negativas aparecem no cérebro. Alguns pesquisadores o visitaram na ocasião, interessados no fato de que, para muitos budistas praticantes regulares da meditação, estados de alma como o ódio, a raiva, a cólera, a inveja e a cólera constituem sentimentos praticamente desconhecidos. Bem ao contrário, é certo que a meditação reforçou neles traços positivos de caráter e de comportamento.

Foi Richard Davidson quem teve a idéia de utilizar instrumental moderno para explorar em laboratório o funcionamento cerebral de alguns desses budistas. Desse instrumental faz parte, entre outras aparelhagens, a tomografia por ressonância magnética funcional.

Segundo um dogma neurocientífico fundamental, hoje superado, as conexões neuronais cerebrais seriam estabelecidas durante a infância, e permaneceriam fixas até a morte do indivíduo. Sabe-se hoje que os neurônios se modificam até uma idade bastante avançada, tanto no que diz respeito à sua estrutura quanto a seu funcionamento. Quando alguém pratica assiduamente um instrumento musical, não apenas as redes neuronais correspondentes se reforçam, mas novas conexões se estabelecem, incrementando a destreza do músico. A esse fenômeno dá-se o nome de “plasticidade cerebral”. Mas tal plasticidade, recentemente descoberta, só tinha sido estudada em relação a sinais provenientes do mundo exterior.

Davidson decidiu investigar se atividades puramente mentais também modificariam o cérebro, e qual o efeito que tais modificações produziriam sobre o humor e os sentimentos. Ora, os budistas consideram sua doutrina como uma “ciência do espírito”, e a eles próprios como “atletas do mental”. Daí sua escolha quase natural, por parte de Davidson e sua equipe, como sujeitos privilegiados para os experimentos.

Desde o início os resultados obtidos em laboratório foram surpreendentes. O primeiro “paciente” investigado, um velho lama de um mosteiro na Índia, podia se gabar de mais de dez mil horas de meditação praticadas. No laboratório, o seu córtex frontal esquerdo ­ a parte do córtex situada à esquerda e atrás da fronte ­ se revelou muito mais ativa do que a dos 150 outros “pacientes-testemunhas” testados, que nunca tinham praticado meditação.

As pesquisas começaram a mostrar uma série de outros dados relevantes. Descobriu-se, por exemplo, que tais áreas cerebrais são mais ativas em pessoas que conduzem um “estilo de sentimentos positivos”, ou seja, nos que são mais alegres e cultivam o bom humor. Por outro lado, notou-se que, nas pessoas de natureza mais pessimista, triste e depressiva, predomina o hemisfério cerebral direito. Os otimistas, os que preferem sorrir para a vida, possuem sempre um córtex cerebral esquerdo mais ativo. Um exame do comportamento dos otimistas revelou também que eles são capazes de superar muito mais rapidamente as emoções negativas que inevitavelmente nos assaltam de vez em quando. Tudo se passa como se um córtex esquerdo mais ativo tivesse a capacidade de inibir os sentimentos negativos.

Desenvolvendo ainda mais seu programa de pesquisa, Davidson fez uma descoberta ainda mais surpreendente: a serenidade pode ser aprendida, exatamente como se aprende um instrumento musical ou uma disciplina esportiva.

As muitas formas da meditação

Há várias linhas de meditação. O hinduísmo e o budismo têm vários tipos de prática. E há ainda as meditações judaica, cristã e islâmica, além daquelas praticadas pelos povos tradicionais. Tendo em mente que meditar é a única maneira de compreender o que significa meditação, seguem algumas considerações sobre o tema:

“Todas as tradições religiosas do Oriente e do Ocidente, dos monoteístas, dos politeístas e dos animistas tiveram e têm uma expressão meditativa no sentido de cultivar uma mente mais pacificada e um coração apaziguado.” (Vivi Tuppy)

“A meditação cria uma instância mental que permite tomar consciência dos pensamentos e emoções antes de agir. Com isto, posso dar a eles o devido valor, descartando (na medida do possível) conscientemente aqueles que possam causar sofrimento ao outro e a mim próprio.” (Georg Tuppy, cardiologista)

“Meditação, para efeitos de um modelo biológico, é exercício de concentração e simultânea inibição de estímulos irrelevantes.” (João Radvany)

“Dentro de suas orações havia toda a eternidade; e nas horas de meditação o tempo fluía e refluía, avançava ou recuava mil anos ou então se sumia de todo no espaço ilimitado de seu espírito, que de repente ficava esvaziado do seu conteúdo de tempo, bem como uma lagoa cuja água se drenasse por completo.” (Érico Veríssimo, O Tempo e o Vento)

“A meditação me possibilita estar presente neste instante eterno.” (Monja Coen)

“É a arte de se abrir a cada momento com consciência calma.” (Victor N. Davich, em O Melhor Guia Para a Meditação)

“Se a água barrenta ficar quieta por muito tempo, o barro se depositará no fundo e a água se tornará clara. Na meditação, quando o barro de seus pensamentos inquietos começa a depositar-se, o poder de Deus começa a refletir-se nas águas claras de sua consciência.” (Paramahansa Yogananda,1893-1952)

Fonte: http://www.terra.com.br

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