Uma língua que não escolhe cor nem raça

A idéia base da criação da língua internacional foi lançada pelo médico oftalmologista polonês L. L. Zamenhof. E chegou ao conhecimento público em 1887, com seu primeiro livro sob o pseudônimo Dr. Esperanto (aquele que espera). Na seqüência ela foi denominada Esperanto e não foi criada para substituir as demais línguas do mundo. O esperanto veio com um firme objetivo: a neutralidade.

Isto é, o idioma pode ser falado por cidadãos de qualquer país, independentemente de ideologia ou cultura. A intenção é facilitar a comunicação entre os povos.

Para a maioria das pessoas que estudam esperanto, a língua é muito fácil. Os radicais são, em sua maior parte, de origem latina, “cerca de 60%”, de acordo com Emilio Cid, da Associação Mundial de Esperanto. E quem a ouve, juraria que é o italiano com algumas variações, como se fosse um dialeto.

Mas não se trata de uma simples mistura de todas as línguas. O esperanto tem regras claras e regulares. Para exemplificar, o plural das palavras é bem regular (termina em j, que se pronuncia como i em foi): livro/livros = libro/libroj. Todas as palavras são paroxítonas.

Acredita-se que o esperanto, com 3 milhões de falantes em mais de 100 países, encontra-se no grupo das 120 línguas mais faladas. Em todo o mundo há representação em 115 países.

No Brasil, existe a Liga Brasileira de Esperanto, que fica em Brasília (DF). E, segundo Cid, há associações na maioria dos estados. Só na cidade de São Paulo atuam sete. A Baixada Santista também conta com a sua, reunindo Santos e São Vicente.

Em Santos

Em Santos, as aulas de esperanto acontecem na Estação da Cidadania com duas turmas, aos sábados, às 10 horas, e às segundas-feiras, às 19 horas. Novas matrículas somente para o próximo ano, informa Cid.

Ele garante que em um mês o aluno aprende a gramática e, em média, dá para aprender muito em um ano. “O esperanto é dez vezes mais fácil e mais rápido do que o inglês. Esperanto estas facila”, proclama ele no idioma planejado. Cid, que aprendeu alemão em um ano e meio, levou somente um mês para ficar craque no esperanto. Ele fala também francês, espanhol, inglês e português.

Mais informações nos sites http://www.esperantosantos.uni.cc; http://www.tejo.org (em esperanto) e http://www.lernu.net. O contato de Emilio Cid é (13) 3467-4702.

Um jeito nekutima de viajar…

Leila Silvino

À primeira vista pode parecer pura perda de tempo ou uma esquisitice de quem tem tempo sobrando e não faz idéia de como utilizá-lo. Mas, acredite, estudar esperanto, uma língua considerada para alguns natimorta – pela pouca divulgação -, tem lá suas vantagens, principalmente se você gosta de viajar e gastar pouco.

Criada artificialmente para facilitar a comunicação entre os povos do mundo inteiro, os estudantes da língua levam o objetivo ao pé da letra e, de uma forma até que bem facilitada. É só lançar mão do Pasporta Servo (Serviço de Passaporte).

O Pasporta Servo é uma rede de hospedagem que atualmente dispõe de 1.350 hospedeiros em mais de 85 países. Para se inscrever como hóspede é só comprar a lista, que custa cerca de E 8. Ela é atualizada anualmente e está disponível nas associações esperantistas. A partir daí a rede já pode ser utilizada.

É claro que há algumas condições. A principal delas é a chave de tudo: conhecer o esperanto é obrigatório, principalmente porque a ficha de inscrição está em esperanto e os hospedeiros falam esperanto. E estão aguardando os visitantes, ávidos para trocar informações e bater papo… em esperanto.

Há também outras condições mais contornáveis e bem compreensíveis como o direito de restringir o número de visitantes ou os dias de hospedagem e, naturalmente, um aviso antecipado de chegada.

Não é usual os hospedeiros pedirem auxílio financeiro. E, de acordo com Emílio Cid, professor de esperanto em Santos e membro do Setor de Informações da Associação Mundial de Esperanto, com sede em Roterdã, na Holanda, não adiante tentar aplicar golpe: “Se chegar (em algum país) e não falar a língua, ele (o hospedeiro) te põe pra fora”.

Mas quem é versado em esperanto tem até agradinhos extras como um bom café da manhã ou um gostoso jantar. Mas, segundo Emilio, “se você se hospedar com mais três pessoas por uma semana inteira, entenderá que alguns lhe pedirão uma pequena contribuição para as despesas”.

Fonte: Jornal A tribuna, Santos-SP, 11 de Outubro de 2009, Ano 116, N. 200.

Esperanto pode virar disciplina facultativa nas escolas

Estrela_EsperantoComissão de Educação do Senado aprova projeto do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) que determina que o esperanto seja incluído na lista de disciplinas facultativas. Texto ainda precisa passar pela Câmara

Enquanto o Senado se prepara para votar a polêmica reforma eleitoral, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Casa aprovou na tarde desta terça-feira (15) um inusitado projeto que inclui o esperanto como disciplina facultativa no ensino médio das escolas brasileiras.

O projeto, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), candidato a presidente da República em 2006, inclui um parágrafo no artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases dizendo que as aulas de esperanto são facultativas, mas que “sua oferta se torna obrigatória caso a demanda justifique”. Pelo texto, as escolas terão três anos para se adequar à lei.

1908-kl-t-zamenhof_esperantoNa justificativa do projeto, Buarque, que foi reitor da Universidade de Brasília (UnB), diz que “se a escola quer ser um agente da paz”, o ensino do esperanto “pode ser um fator importante, não só pelo idioma que oferece, como também pelo espírito de pacifismo que simboliza”. O senador cita ainda o criador do idioma, o polonês Ludwik Lejzer Zamenhof, e lembra que seu objetivo era criar uma “língua franca internacional”, mas afirma que “o sonho [de Zamenhof] certamente não se realizará pela generalização do idioma que ele criou, porque o inglês” será o veículo de integração linguística no mundo. Até que isso ocorra, prossegue a justificativa de Cristovam, “o esperanto é um instrumento de comunicação entre centenas de milhões de pessoas ao redor do mundo e muito, mais que isso, é parte de um imenso movimento pela paz”.

Na comissão, o projeto foi relatado por Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR), que recomendou a aprovação da lei pois “a universalização do conhecimento do esperanto pode representar um fomento à paz entre as nações”. Para Mozarildo, isso será muito significativo pois as nações também entram em conflitos de natureza cultural, “como já aconteceu na luta pela hegemonia entre o francês e o inglês e que pode em futuro próximo ocorrer entre o inglês e o mandarim”.

Gerson Camata (PMDB-ES) e Roberto Cavalcanti (PRB-PB) votaram contra o projeto. Segundo a Agência Senado, Camata disse que o projeto é “inútil”, pois quem aprender o esperanto não terá com quem praticar a nova língua. Ainda assim, o texto foi aprovado como decisão terminativa (não precisa passar pelo plenário da casa) e segue direto para a Câmara.

http://revistaepoca.globo.com

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Rede de Contatos – ‘Boca a boca’ divulga o esperanto

Impulsionado pela internet, é o idioma planejado mais difundido do mundo

Quando alguém menciona o esperanto, a associação imediata que muitos leigos fazem pode ser resumida no famoso verso da música “Miséria”, dos Titãs: “Ninguém sabe falar esperanto!”. Pois o tal verso não poderia estar mais errado. Muitas pessoas falam o idioma, planejado e proposto pelo médico polonês Lázaro Luís Zamenhof no final do século XIX com o objetivo de ser uma língua internacional, que facilitasse a comunicação entre povos de culturas diferentes.

A internet deu um novo impulso ao esperanto. A rede está cheia de conteúdos sobre o idioma: publicações, endereços de associações que divulgam a língua, tradutores online, informações sobre eventos relacionados ao tema e até mesmo cursos completos.

Ivan Eidt Colling, professor do curso de esperanto do Centro de Línguas e Interculturalidade (Celin) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), explica que hoje é difícil mensurar a quantia de pessoas que falam o idioma em todo o mundo. “Já vi estatísticas que apontam que a população mundial que sabe falar esperanto estaria entre 1 milhão e 10 milhões de pessoas. Em Curitiba, certa vez vi um número que informava que havia aproximadamente 200 falantes de esperanto na cidade. Hoje, eu não sei”, afirma Colling.

O professor argumenta que esse é um dado difícil de apurar, pois muita gente aprende esperanto por conta própria. “Há muitos cursos na internet e muitas pessoas aprendem o idioma sozinhas. Se você estudar alemão na internet, dificilmente vai estabelecer uma conversação satisfatória, ao menos em um primeiro momento. Já o esperanto é bem mais fácil de aprender”, justifica.

Segundo Colling, a estrutura do idioma proporciona essa facilidade. “Em primeiro lugar, o esperanto tem um alfabeto fonético. Cada letra tem um som, não varia, ao contrário do português, por exemplo. Além disso, a gramática é regular: quando você aprende a conjugar um verbo, aprende a conjugar todos. Em terceiro lugar, o esperanto tem uma flexibilidade, uma estrutura de prefixos e sufixos que permite ‘montar’ palavras”, explica.

“Por fim, faz uso de vocabulário internacional. As palavras são reconhecíveis por pessoas que falam idiomas ocidentais. No léxico do esperanto, 70% das palavras têm origem latina, 20% têm origem anglogermânica e as demais vêm de outras origens. Por outro lado, o esperanto atrai falantes de idiomas orientais porque sua estrutura tem estilo oriental, uma flexibilidade que se assemelha ao chinês, por exemplo”, afirma o professor.

Ariadne Mara Figueiró, presidente da Associação Paranaense de Esperanto, afirma que essa característica familiar e a ideia de igualdade despertam o interesse. “O esperanto é a língua-ponte. Tanto que se fala: ‘Para cada povo, uma língua. Para todos, esperanto’”, diz Ariadne, descrevendo que o contexto em que Zamenhof criou o idioma contribuiu para o caráter internacional da língua.

“Zamenhof era poliglota. Na Polônia, ele estava próximo tanto do Ocidente quanto do Oriente. Ele tinha a ideia de fazer um idioma que fosse o mais internacional possível”, explica.

A presidente relata que o senso de comunidade é grande entre os falantes de esperanto. “Muitas famílias se conhecem através do esperanto e até acontecem situações de crianças que aprendem o idioma como sua língua materna. Em todo o mundo, há muitos esperantistas que colocam a sua casa à disposição para falantes de esperanto de outros países. Então, ocorrem muitos casos de pessoas que viajam para locais cuja língua oficial desconhecem, e são recepcionadas por esperantistas”, conta Ariadne.

Fábio Galão

‘É tudo muito lógico’, diz estudante

Mônica soube do esperanto através do noivo e ficou curiosa para saber mais. Assim como ela, os estudantes de Engenharia Elétrica Tiago Andrei Adamczevski, 21 anos, e Walter Godefroid, 22, não conheciam a ampla rede de contatos alimentada por esperantistas até ingressar no curso do Celin.

Hoje, os dois colegas, que estão no nível 2 do curso, acreditam que o esperanto pode ser uma ferramenta eficiente para se comunicar com o mundo. “O idioma ajuda a ‘fazer a ponte’. Pode ser usado para viajar para fora do País, ou receber alguém, enfim, fazer contatos”, diz Walter.

Ele e Tiago apontam que a estrutura do esperanto é fácil de ser assimilada. “É tudo muito lógico. As coisas se ‘encaixam’”, explica Tiago. “Há um conjunto de regras, é só aplicá-las e elas funcionam perfeitamente. Parece coisa de engenheiro”, complementa Walter. (F.G.)

‘Ele se preocupou com o som agradável’

Quem garante que o inglês terá sempre a mesma importância?

O professor Ivan Colling afirma que há registros históricos de aproximadamente 600 idiomas planejados. Destes, o esperanto é o mais difundido. “Muitos estudiosos acreditam que o esperanto ‘vingou’ porque (Lázaro) Zamenhof não quis criar apenas um idioma. Ele se preocupou com que a língua tivesse um som agradável, adequado à poesia, ao canto. Enfim, uma língua realmente humana”, diz o professor.

Colling aponta que a cultura do esperanto cresce ano a ano. Hoje, existem milhares de mídias com conteúdos expressos no idioma: DVDs, revistas, livros, sites, tanto em traduções, quanto em produções originais na língua.

Entretanto, a proposta do esperanto de ser uma língua internacional, uma espécie de denominador comum entre os povos, é vista com certo ceticismo por muitas pessoas, que argumentam que esse papel é desempenhado pelo inglês. Teria o esperanto “fracassado”?

Colling acredita que não. Ele defende que o esperanto é um idioma novo, sem pretensões hegemônicas e que não visa substituir outros. “Como idioma, o esperanto é bastante jovem: 122 anos, para uma língua, é pouco tempo. Na história da humanidade, os idiomas que se impuseram o fizeram por meio do poder, seja econômico, político ou militar, ou os três juntos. Hoje, o inglês é hegemônico. Antes, foi o francês. Antigamente, o latim. Para quem vive a época, essa imposição parece uma solução perene. Mas quem garante que o inglês terá sempre a importância que tem hoje? É só pensar no latim: já foi o principal idioma, hoje é uma língua morta”, diz o professor.

“Se um dia o esperanto for adotado pela humanidade como a principal língua internacional, será por consenso, não por imposição”, complementa Colling.

Por não pertencer a nenhum país ou comunidade específica, o esperanto é divulgado na troca de informações, no “boca a boca”. “As pessoas que trabalham com isso são voluntárias. Não temos um governo que nos financie”, diz Colling. Ele próprio não “vive” do esperanto: é professor de Engenharia Elétrica da UFPR e voluntário no Celin. Já Ariadne Figueiró é funcionária pública. (F.G.)

Folha de Londrina (PR)
http://www.bonde.com.br

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